Mérito Empresarial

Aposentadoria, ociosidade, vício, doença e morte

Publicado em: 09 de abril de 2018 às 08h54
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 31/03/2018) - Edição 1942

Sebastião Correia da Silva

A aposentadoria é uma compensação que a pessoa recebe depois de um longo período de trabalho, evidentemente contribuindo sistematicamente para a Previdência oficial, no nosso caso o INSS. O tempo de contribuição, às vezes, nem precisa ser longo, bastando apenas o contribuinte se enquadrar nas exceções em que a aposentadoria precoce é concedida. Como exemplo, a ocorrência de um problema de saúde, um acidente de trabalho ou qualquer outro sinistro, que impeça a pessoa de continuar executando seu trabalho, que é o seu meio de sobrevivência.

Após a aposentadora costuma vir a ociosidade, ou seja, todo o tempo disponível.  Dissemos “costuma”, porque muitas pessoas que se aposentam por tempo de serviço continuam trabalhando, às vezes na mesma empresa em que se aposentou ou em outra empresa interessada em sua mão-de-obra e experiência. Já outras montam seus próprios negócios, às vezes até porque se cansaram de ser empregadas ou executam profissões raras, e, portanto, bastante solicitadas no mercado de trabalho. Às vezes também continuam na ativa até para complementar o baixo valor da aposentadoria.

Por outro lado, outras pessoas já preferem a ociosidade, mesmo, na intenção de fazerem tudo aquilo que não lhes era permitido enquanto eram vinculadas aos rigores de uma empresa, tais como assiduidade,  bater cartão nas horas certas. Porém, como todo mundo sabe, a ociosidade é a mãe de todos os vícios, os quais costumam aparecer depois que o tempo disponível aumenta.  Aí ocorre o que chamamos comumente de “caçar chifre em cabeça de cavalo”.  Como se sabe também, cavalo não tem chifres e, portanto, encontrar o que não existe pode acabar redundando numa baita confusão. Os antigos também diziam “copiar moda”.

O primeiro vício que geralmente aparece é o das bebidas alcoólicas e o do jogo de carteado. Isto ocorre porque a pessoa começa a frequentar bares, onde já se reúnem outros aposentados que também preferiram a ociosidade, ou que puderam permanecer nela por não precisarem dos recursos financeiros vindos de um trabalho pós-aposentadoria.  Com o pretexto de ir ao bar encontrar os amigos, jogar uma “sinuquinha” ou bater um carteado para matar o tempo, a pessoa acaba se descuidando e se viciando no jogo e na bebida. Daí até a doença, a distância fica cada vez menor.  Temos, também, que levar em conta, que o vício do álcool e do jogo são fatores latamente destruidores de famílias.

A propósito, aqui na nossa terra, há um bar, famoso até, onde se reúnem alguns aposentados.  Aconteceu que alguns deles se renderam tanto ao hábito de frequentar o tal bar, que acabaram também se capitulando ao vício da bebida, o qual trouxe a doença e, consequentemente, a morte. De fato, dos aposentados que adquiriram o hábito de frequentar o aludido bar, meia dúzia, no mínimo, já partiu para a eternidade, aparentemente antes do tempo, o qual foi reduzido pelo uso excessivo do álcool. Para evitar mal entendido, esclareço que não tenho absolutamente nada tenho contra o tal bar, até porque o recinto deve ser muito bom, senão os aposentados e outras pessoas não teriam adquirido o hábito de frequentá-lo.

De fato, nenhum bar mata ninguém. O que acaba matando as pessoas costuma ser a vida que elas levam. Inclusive dizem por aí que a pessoa morre conforme ela vive. Nem sempre isto é verdade, mas muitas vezes o provérbio é confirmado.  Com efeito, ambiente de bar, vez ou outra, costuma ser hostil, até perigoso, porque entre os frequentadores, costumam aparecer pessoas desequilibradas que, alcoolizadas, que podem colocar a vida dos presentes em perigo. É sabido que o álcool embaça o raciocínio até de pessoas equilibradas, então o que ele não faz com mentes sem equilíbrio?  Falando por mim, sempre tive receio de frequentar bares, exatamente por causa de um ou outro espírito de porco que aparece no local. No entanto, hoje não se tem mais segurança em nenhum lugar.

Cada pessoa tem o seu livre arbítrio para agir como desejar, mas penso que, para quem tem tempo ocioso, há alternativas bem mais saudáveis do que frequentar bares e similares com assiduidade. Fazer uma caminhada recreativa, jogar um futebol com os amigos, frequentar uma casa de oração, pescar, por exemplos, são boas opções.  Ficar em casa com a família, então, é uma ótima opção, até para recuperar o tempo em que se foi privado da presença dela. Com efeito, conseguir se aposentar e poder ficar a toa, de papo pro ar, é tão difícil, porque a maioria das pessoas que se aposentam são obrigadas a voltarem a trabalhar para completar a mirrada aposentadoria.

No entanto, algumas pessoas que têm a sorte de conseguir tal façanha, ou seja, aposentar-se sem ter que voltar a trabalhar, em vez de procurarem aproveitar saudavelmente a vida que lhes resta, fazem completamente o contrário, utilizando seu tempo na ociosidade nefasta, indo no caminho do vício, da doença e da morte.  Esta situação, a gente vê com certa frequência em nossas movimentações pela cidade. Fico chocado de ver pessoas relativamente novas, saudáveis e ainda produtivas, agindo assim, ou seja, gozando sua aposentadoria de forma errada, culminando com sérios prejuízos para si e todos os seus. Todavia, que cada pessoa viva da forma que desejar! Cada um cuida de si e Deus cuida de todos!

Por falar em aposentadoria, também estou me aposentando, pelo menos por enquanto. Sendo assim, cabe-me informar que este é o meu último artigo da temporada. Igualmente, agradeço ao CCO o espaço que me foi concedido, como também, e principalmente, aos amigos leitores que tiveram a paciência de lerem minhas patacoadas. Aos que gostaram, eu agradeço; aos que não gostaram, agradeço também, ao mesmo tempo em que peço desculpas. Aproveito o ensejo para sugerir continuarem lendo as crônicas do Wanderlei de Paula Brito, que além de ser um estupendo cronista, é uma pessoa encantadora, um cristão top de linha.  Obrigado a todos.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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