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Aumento de ferritina no sangue: a hemocromatose

Publicado em: 23 de outubro de 2017 às 09h49
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 21/10/2017) - Edição 1919

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

A ferritina é uma proteína produzida pelo fígado, responsável por armazenar o ferro em nosso sangue. Em algumas situações, os níveis de ferritina podem se tornar exageradamente altos, danificando vários órgãos. Essa condição é chamada HEMOCROMATOSE. Nem todas as pessoas com ferritina alta no sangue estão com problema de saúde grave; situações como infecções, processos inflamatórios e abuso de bebidas alcoólicas podem provocar aumento passageiro da ferritina que não requer tratamento. No entanto existem problemas de saúde sérios que precisam ser descartados sempre que é detectado aumento acima do normal dessa proteína.

Tipos de hemocromatose e causas
A hemocromatose pode ser hereditária, ou seja, a pessoa já nasce com o problema, muitas vezes se manifestando desde a infância. Nesses casos, o defeito está no fígado, levando ao aumento da ferritina.

A hemocromatose é chamada secundária quando uma outra doença ou situação provoca o aumento da ferritina. É o caso de transfusões de sangue excessivas, uso inadequado de suplementos de ferro, alcoolismo, reumatismos, hepatites crônicas, esteatose (fígado gorduroso), portadores de talassemias e outras anemias hereditárias como a falciforme.

Riscos para a saúde
O excesso de ferro pode danificar órgãos como coração, pâncreas, fígado, testículos, ovários e articulações. Algumas complicações são surgimento de arritmias cardíacas, angina, diabetes, impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce, artrite, cirrose e escurecimento da pele. O diabetes decorrente da hemocromatose necessita tratamento permanente com insulina. Muitas dessas complicações são irreversíveis se houver demora no diagnóstico.

Tratamento
Pela história clínica e exame físico é possível identificar a causa de grande parte dos casos. Exames específicos são importantes para se confirmar a etiologia e descartar se algum órgão foi danificado pela hemocromatose. Muitos pacientes podem ter o problema controlado com correção de hábitos como dieta balanceada sem sobrecarga de ferro, exercícios físicos e abandono do etilismo.

Quando a ferritina atinge valores muito altos é necessária a sangria terapêutica ou flebotomia. Consiste na retirada periódica de sangue para se reduzir os níveis de ferro no corpo. Pode parecer estranho à primeira vista, mas principalmente nos casos onde a hemocromatose é hereditária essa conduta é a mais eficaz.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468