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Cirurgia para o tratamento do diabetes

Publicado em: 15 de julho de 2019 às 09h15
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 06/07/2019) - Edição 2008

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Nos últimos anos temos acompanhado a divulgação – muitas vezes sensacionalista -  de modernas técnicas de tratamento cirúrgico visando o controle ou mesmo a cura do diabetes. Com o crescente aumento do número de pacientes diabéticos, existe sempre a expectativa de um tratamento eficaz, acabando com a necessidade de uso de insulina, comprimidos, dieta rigorosa e exercícios físicos regulares. No entanto, essa nova modalidade de tratamento ainda é motivo de debate sobre as situações em que será indicada, qual a melhor técnica cirúrgica, contraindicações, forma de acompanhamento após a cirurgia, etc.

 

Como é essa cirurgia?

A cirurgia para o tratamento do diabetes nada mais é do que uma das modalidades de cirurgia para tratamento da obesidade. Nessa cirurgia, o estômago tem seu tamanho reduzido e o trajeto dos alimentos pelo intestino é encurtado, através de um desvio. Com isso, alguns nutrientes passam a ser pouco absorvidos pelo intestino, principalmente os açúcares e as gorduras. Além disso, o intestino ficando mais curto passa a produzir em grande quantidade um tipo de hormônio chamado incretina, que melhora o funcionamento do pâncreas. O resultado final é a perda de peso e a melhora do controle do diabetes. A cirurgia pode ainda ajudar no controle da pressão arterial, dislipidemias e esteatose hepática (fígado gorduroso). Uma preocupação é a oferta de alguns tipos de tratamento cirúrgico ainda sem estudos suficientes para saber se são seguros ou não.

 

A cirurgia realmente cura o diabetes?

O resultado final vai depender de cada caso. O que se pode dizer é que praticamente 80% dos pacientes vão apresentar algum tipo de melhora. A grande maioria vai conseguir diminuir a quantidade de remédios para o controle da glicose; alguns pacientes podem até mesmo conseguir ficar sem nenhuma medicação. Os pacientes precisam manter uma dieta balanceada e exercícios físicos para o resto da vida para garantirem um bom resultado.

 

Quem pode se beneficiar desta cirurgia?

· Portadores de diabetes tipo 2 com IMC entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m²; precisa ter mais de 30 anos e no máximo 70 anos e ser portador de diabetes tipo 2 há menos de 10 anos.
· Portadores de diabetes tipo 1 (diabetes que se inicia na infância ou adolescência, onde o pâncreas perde a capacidade de produzir insulina) não se beneficiam muito desta técnica, exceto em casos de pacientes obesos que ainda apresentem outras complicações, como hipertensão arterial.
·  A indicação cirúrgica precisa ser feita por médico endocrinologista, demonstrando que o paciente não vem apresentando resposta adequada ao tratamento clínico (dieta, exercícios físicos e medicamentos) por pelo menos 2 anos. Os pacientes não podem ter problemas de saúde sérios que aumentem muito o risco da cirurgia.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468