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Colesterol alto em crianças

Publicado em: 09 de outubro de 2017 às 08h47
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 07/10/2017) - Edição 1917

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

O aumento dos níveis de colesterol no sangue é uma das principais causas de aterosclerose (depósito de gorduras nas paredes das artérias). Recentes estudos demonstram que o processo de aterosclerose se inicia já na infância e adolescência, predispondo a doenças cardiovasculares no adulto jovem. A situação se complica quando essas crianças e adolescentes apresentam ainda obesidade e maus hábitos como sedentarismo, que persistem na vida adulta.

Cerca de 40% das crianças e adolescentes no Brasil apresentam colesterol total acima de 170 mg/dL, considerado o valor limite para essa faixa de idade. Isso explica em parte o aumento crescente de casos de infarto e AVC em adultos jovens, doenças até então vistas mais frequentemente após 50 anos de idade.

Quais as causas?

A grande maioria decorre de maus hábitos de vida da criança, muitas vezes aprendidos com os próprios pais. Sedentarismo, dieta com excesso de alimentos gordurosos, sobrecarga de carboidratos (doces, bolachas recheadas, refrigerantes), falta de alimentos protetores (fibras, azeite, castanhas) e ganho de peso, estão entre as causas mais comuns.

Em adolescentes, o consumo cada vez mais precoce de suplementos alimentares em academias sem a devida orientação e uso de isotretinoina (Roacutan) para tratamento de acnes, tem sido causa frequente de alterações metabólicas como aumento de colesterol.

Existem casos onde a criança assim como toda a família apresentam bons hábitos de vida e mesmo assim têm altos níveis de colesterol no sangue. Essa situação decorre de tendência genética, na grande maioria de caráter hereditário. Nosso fígado produz colesterol em quantidades pequenas; nessas famílias, o fígado apresenta um defeito que o faz produzir excesso de colesterol.

Tratamento e prevenção

Desde cedo, bons hábitos devem ser ensinados e estimulados em crianças. Isso deve envolver toda a família, buscando uma alimentação mais equilibrada, exercícios físicos e controle do peso. Um fator preocupante é a dificuldade para se conseguir uma dieta adequada nas famílias de baixa renda. Alguns programas sociais que fornecem a chamada “bolsa verde”, onde as famílias recebem verduras e legumes, têm melhorado substancialmente a saúde das crianças e adolescentes e prevenido doenças na vida adulta.

Um cuidado ao se avaliar os pacientes com aumento do colesterol total é saber se isso ocorre às custas do LDL (molécula que faz o colesterol entrar nas paredes das artérias provocando aterosclerose) ou HDL (molécula que retira colesterol dos vasos sanguíneos, impedindo a aterosclerose). Apenas os casos onde o LDL se encontra alto e HDL baixo necessitam de tratamento mais agressivo. Isso é importante porque não é raro os pacientes serem submetidos a dietas rigorosas sem necessidade, provocando perda de peso e até desnutrição.

Os casos onde mudanças de hábitos não tiverem resposta vão precisar de medicação específica.

Exames periódicos devem ser realizados em todas as crianças acima do peso e naquelas onde são frequentes os casos familiares de aumento de colesterol.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468