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Dengue e uso de medicação

Publicado em: 21 de janeiro de 2019 às 08h34
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 12/01/2019 - Edição 1983

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Durante surtos ou epidemias de dengue, uma das grandes preocupações dos pacientes é quanto ao uso de medicações. Quais medicamentos podem ser tomados por conta própria para alívio dos sintomas? Devo continuar tomando meus medicamentos de uso contínuo? Dúvidas como essas precisam ser esclarecidas para se evitar agravamento da dengue e complicações de doenças que o paciente já apresenta.

Quais medicamentos devem ser evitados?

As maiores complicações que a dengue pode provocar envolvem o coração, sistema circulatório, coagulação, pulmões, sistema nervoso central, rins e o fígado. A dengue pode ainda atrapalhar o controle de doenças crônicas como diabetes, tireoide, reumatismos e prejudicar seriamente as gestantes.

Portanto pacientes desses grupos e que tomam medicamentos de uso contínuo, devem obrigatoriamente informar o médico assistente (no PSF ou Pronto-Socorro) todas as medicações em uso. Pode ser necessário suspender ou trocar medicamentos por alguns dias.

ATENÇÃO: NUNCA PARE DE TOMAR SEUS MEDICAMENTOS DE USO CONTÍNUO SEM ORIENTAÇÃO DO SEU MÉDICO. ISSO PODE SER FATAL POR PREJUDICAR O CONTROLE DE DOENÇAS COMO DIABETES E PATOLOGIAS DO CORAÇÃO.

Os principais medicamentos que podem piorar o quadro de dengue são os anticoagulantes (usados em algumas doenças do coração e circulação), aspirina e antiinflamatórios (nimesulida, diclofenaco, ibuprofeno, dentre outros). Esses medicamentos podem desencadear ou agravar hemorragias provocadas pela dengue. No caso da aspirina e antiinflamatórios, podem ser suspensos por conta do paciente com suspeita de dengue até que seja avaliado pelo médico.

Afinal, Dipirona ou Paracetamol?

Outra grande dúvida é qual analgésico e antitérmico é mais seguro para ser usado. As principais diretrizes para manejo dos pacientes com dengue (suspeito ou confirmado) recomendam tanto dipirona (Novalgina) quanto paracetamol (Tylenol) para controle da febre e das dores. No entanto existem países que proibiram o uso de dipirona pelo risco de provocar alterações graves na medula óssea. Por outro lado, sabe-se que o paracetamol pode agravar problemas no fígado, justamente um dos órgãos mais afetados pela dengue.

Convém destacar que essas complicações são raras. Ambos podem ser utilizados desde que não se ultrapasse a dose máxima permitida por dia. No caso do paracetamol, 4.000 mg/dia e para a dipirona 3.500 mg/dia.

PARA MAIOR SEGURANÇA, OS PACIENTES DEVEM ESTAR EM ACOMPANHAMENTO MÉDICO DURANTE TODO O PROCESSO DA DENGUE, ATÉ A RESOLUÇÃO DOS SINTOMAS E NORMALIZAÇÃO DOS EXAMES. Dessa forma, se o médico perceber que a medicação possa estar prejudicando o paciente, medidas corretas serão tomadas pelo profissional.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468