Império Rural

DIABETES e DEMÊNCIAS

Publicado em: 01 de novembro de 2021 às 10h00
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 23 de outubro de 2021) Edição 2125

Nas últimas décadas, com o desenvolvimento de novos tratamentos, temos verificado um aumento da expectativa de vida de pacientes portadores de diabetes. Antigamente, ser portador de diabetes significava viver menos por complicações como infarto, AVC e problemas renais. Hoje, desde que devidamente tratados desde o início da doença, a expectativa de vida desses pacientes é igual ou até superior à da população geral. No entanto, tem-se verificado um aumento da incidência dos chamados problemas cognitivos, como memória, atenção e raciocínio. Os problemas cognitivos, principalmente de memória, são mais comuns em pessoas idosas. Pacientes diabéticos mal controlados podem ter esse processo agravado por diferentes mecanismos e, como estão vivendo mais tempo comparado com décadas anteriores, tendem a desenvolver com mais facilidade alterações cognitivas, como as demências.

Como o diabetes compromete a memória?
Nosso cérebro utiliza glicose como principal fonte de energia. Níveis de glicose muito baixos ou muito altos podem com o tempo comprometer o funcionamento dos neurônios ou provocar sua morte de forma precoce. Essas alterações no cérebro podem deixar sequelas como dificuldades para raciocinar e na memória. Também estão relacionadas a uma maior incidência de Alzheimer tanto em portadores de diabetes tipo 1 como tipo 2.

O diabetes mal controlado predispõe o paciente a desenvolver aterosclerose nos vasos sanguíneos do cérebro. O entupimento das artérias cerebrais pela aterosclerose provoca várias áreas de isquemia, que são regiões do cérebro danificadas por falta de oxigênio e nutrientes para os neurônios. Quanto pior o controle do diabetes, maior a chance de ocorrerem essas isquemias, levando ao surgimento da chamada Demência Vascular. Esse tipo de demência além de comprometer a memória pode provocar prejuízo para movimentos, fala e equilíbrio, como ocorre no AVC.

Outra forma de comprometimento da memória ocorre pela deficiência de algumas vitaminas, comuns em pacientes diabéticos. Uma das principais é a B12, importante para a memória e sistema imune. Deficiência de B12 pode provocar memória fraca, fraqueza, dormências e até perda de movimentos.

Prevenção das alterações de memória
Os pacientes primeiramente devem evitar oscilações bruscas da glicose. Como explicado, aumentos exagerados e quedas bruscas de glicose comprometem o cérebro a curto, médio e longo prazo. Uma das formas de se prevenir isso é cuidar dos horários de alimentação, respeitando também as quantidades de cada alimento definido para o paciente. Jejuns prolongados ou frequentes "beliscos" são as principais causas de descontrole do diabetes.
Todo paciente deve passar por exames periódicos para ajuste das medicações.

O fato de não estar sentindo nada não garante que tudo esteja bem. Infelizmente as complicações pelo diabetes na maioria das vezes são silenciosas e não costumam dar uma segunda chance. Uma vez instalada a complicação, o paciente deve se conformar em ter que conviver com a sequela.

Alguns pacientes podem necessitar de reposição de vitaminas, minerais ou correção de distúrbios hormonais, frequentes em diabéticos. Devemos também lembrar que cigarro e álcool danificam o cérebro e devem ser abandonados de preferência.
Dependendo do grau de comprometimento da memória e do tipo de lesão no cérebro, podem ser usados alguns medicamentos para recuperar a memória ou impedir que o quadro se agrave.

 

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468