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Diabetes e Hemodiálise: é possível evitar?

Publicado em: 02 de outubro de 2017 às 08h42
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 30/09/2017) - Edição 1916

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

A perda da capacidade dos rins de filtrarem o sangue eliminando impurezas é chamada de insuficiência renal. Nos casos mais avançados, existe a possibilidade de transplante renal ou realização de hemodiálise. Visto as dificuldades de se conseguir doadores, a hemodiálise acaba sendo a opção mais frequente. A principal causa de insuficiência renal levando à hemodiálise é o diabetes mal controlado, seguido pela hipertensão arterial. Pacientes diabéticos são sempre alertados para buscarem um adequado controle da doença de modo a evitar a insuficiência renal e necessidade de hemodiálise. De fato, pacientes em regime de hemodiálise têm toda sua rotina de vida alterada, com necessidade de cuidados rígidos de saúde e sessões de hemodiálise que duram em média 4 horas, 3 vezes na semana. Em alguns casos existe a possibilidade de se realizar diálise peritoneal, podendo ser domiciliar, mas precisa ser feita todos os dias; nessa modalidade há a necessidade de treinamento rigoroso do paciente e familiares pelo alto risco de complicações como infecções.

Quais os sintomas da insuficiência renal?

Assim como outras complicações do diabetes, como retinopatia (lesões no fundo dos olhos) e cardiopatia (lesões no coração), a insuficiência renal é silenciosa no início. Quando o paciente chega a apresentar algum sintoma, geralmente o quadro é irreversível, já praticamente estando indicado o transplante renal ou diálise.

Nos casos avançados, o paciente queixa mal hálito intenso, coceiras no corpo, náuseas com perda de apetite, fraqueza, inchaços, emagrecimento e alterações do comportamento. Por isso, todo paciente diabético é orientado a realizar exames periódicos tanto para avaliar o controle do diabetes quanto para se pesquisar lesões em diferentes órgãos provocadas pelo diabetes.

Prevenção da insuficiência renal:

O primeiro passo é o controle rigoroso do diabetes e dos demais fatores de risco, como aumento de colesterol, hipertensão arterial, ácido úrico, tabagismo, obesidade e sedentarismo. Exercícios físicos, hidratação adequada (2 a 3 litros de líquidos ao dia, entre água, sucos e demais líquidos), reduzir sal da dieta, reduzir consumo de carnes vermelhas, moderar o consumo de álcool e evitar automedicação (principalmente anti-inflamatórios e analgésicos) são alguns hábitos que devem ser seguidos à risca.

Recentemente, todos os pacientes diabéticos estão sendo orientados a evitarem consumir a fruta carambola. Esta possui um alto teor de ácido oxálico, que pode provocar cálculos renais; apresenta ainda uma toxina chamada caramboxina, que não é devidamente eliminada do corpo nos portadores de insuficiência renal, podendo provocar convulsões e morte.

Exames periódicos são necessários para rastrear lesões nos rins. Nos pacientes com adequado controle do diabetes, esses exames de rastreamento podem ser realizados anualmente. Existem medicações que podem ajudar a reverter a insuficiência renal nos estágios iniciais. Por isso os exames preventivos são tão importantes.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468