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Diabetes: lidando com a hiperglicemia e hipoglicemia

Publicado em: 22 de fevereiro de 2021 às 09h45
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 13/02/2021) - Edição 2089

Dr. Tarcísio Silva

Todo paciente portador de diabetes, mais cedo ou mais tarde, poderá passar por uma situação de descontrole no seu nível de glicose. Em muitos casos, esse descontrole é leve e momentâneo, se resolvendo espontaneamente, sem necessidade de tratamento específico. Porém, existem situações em que o descontrole da glicose do sangue necessita de intervenção urgente, pelos grandes riscos que o paciente corre. As principais formas de descontrole súbito do diabetes são a hipoglicemia e a hiperglicemia.

 

Hipoglicemia  

Corresponde à queda dos níveis de glicose do sangue, abaixo do valor 70mg/dl. Geralmente, durante uma crise de hipoglicemia, o paciente sente tonturas, taquicardia, tremores, suores frios, palidez, dor de cabeça, formigamentos. Em casos graves, podem ocorrer desmaios, convulsões e angina, com risco de infarto e derrame. O valor que a glicose deve cair para que o paciente sinta algum tipo de mal-estar varia de pessoa para pessoa. Algumas pessoas só vão sentir algum sintoma com glicose abaixo de 30mg/dl, outras podem desmaiar com níveis na faixa de 50mg/dl. As principais causas de hipoglicemia na pessoa diabética são: erros de alimentação, jejuns prolongados, erro na forma de tomar as medicações, dose exagerada de medicações, exercícios físicos prolongados, uso de bebida alcoólica, estresse. Durante uma crise de hipoglicemia, o principal cuidado é manter a calma. Ao primeiro sinal de hipoglicemia, o paciente deve ficar sentado e avisar alguém que esteja próximo. Para aumentar a glicose do sangue, o paciente terá que ingerir alimento contendo carboidrato (açúcar). Basta ingerir 15 gramas de carboidrato para que a glicose se normalize no sangue. Isso equivale a 3 balas de caramelo, ou 3 bolachas de maisena, ou 1/3 de pão-francês, ou 1 colher de sopa de açúcar cristal, ou 1 copo americano de suco de laranja natural. Ingerindo essas 15 gramas de carboidrato, o paciente deve permanecer sentado e, dentro de 10 a 15 minutos, os sintomas desaparecem. Não se deve exagerar na quantidade de alimento durante a crise, pois o problema pode se inverter, com a glicose subindo exageradamente no sangue.  Caso não melhore, procurar o Pronto-Socorro mais próximo. Nunca devemos oferecer alimentos caso o paciente esteja desmaiado, pelo risco de aspiração para dentro dos pulmões. Pacientes que estejam apresentando crises de hipoglicemias muito freqüentes devem procurar avaliação com Médico Especialista urgente.

 

Hiperglicemia

Corresponde ao aumento dos níveis de glicose no sangue. Sempre que a glicose de jejum está acima de 120mg/dl ou quando a glicose após uma refeição ultrapassa 140mg/dl, dizemos que ocorre hiperglicemia. Níveis de glicose muito altos, acima de 300mg/dl, colocam a vida da pessoa em sério risco. Nesses valores, o sangue pode se tornar ácido, o que é conhecido como CETOACIDOSE, com risco de coma e parada cardíaca. Antes de aparecer a Cetoacidose, o paciente pode apresentar: urina em excesso, sede intensa, perda de peso e mau hálito, semelhante a "fruta podre". Esses são os principais sintomas, porém nem todo paciente os apresenta. Portanto, a vigilância com exames periódicos é importante. As principais causas são: infecções, exageros na alimentação, medicação inadequada, falta de atividade física, problemas emocionais, efeitos de outras medicações. O tratamento vai depender de cada caso. Se a cetoacidose já está se iniciando, há a necessidade de hidratação endovenosa e uso de insulina, que é o único medicamento que reverte e previne a cetoacidose.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468