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ESTRESSE E ENVELHECIMENTO PRECOCE

Publicado em: 30 de setembro de 2019 às 13h15
Saúde

É do conhecimento de todos que pessoas muito estressadas ou ansiosas têm grande facilidade para desenvolver cabelos brancos e as chamadas “rugas de preocupação”. São marcas bem comuns do chamado envelhecimento precoce, fazendo com que muitas pessoas aparentem ser mais velhas. Mas o problema do envelhecimento precoce vai além da questão estética: fora o aspecto externo (pele, cabelos), ocorre na verdade um envelhecimento de todos os órgãos, com maior risco de doenças cardiológicas, neurológicas, hormonais e metabólicas. De fato, várias dessas doenças, até pouco tempo atrás eram comuns apenas em pessoas com 50 anos ou mais de idade. Atualmente, doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, doenças coronarianas e doença de Parkinson têm sido diagnosticadas em pessoas a partir dos 30 anos de idade. Uma das explicações para esse fenômeno é o alto nível de estresse do mundo atual.

COMO O ESTRESSE PROVOCA O ENVELHECIMENTO PRECOCE?
Tudo tem início em nosso cérebro. A região do hipotálamo juntamente com a glândula hipófise são responsáveis por controlar todo nosso sistema hormonal e têm uma relação direta com nosso estado emocional. O estresse intenso ou muito prolongado desregula o conjunto hipotálamo-hipófise; isso vai refletir inicialmente nas glândulas suprarrenais aumentando a produção de cortisol e adrenalina; esses hormônios provocam aceleração do coração, aumento da pressão arterial e aumento da glicose no sangue, com risco de desenvolvimento de coronariopatia, infarto, derrames e diabetes. O mal funcionamento da hipófise pode afetar a tireoide (provocando principalmente hipotireoidismo) e ovários/testículos (com risco de infertilidade, menopausa precoce e andropausa precoce). O hipotálamo alterado pelo estresse interfere com outra glândula do cérebro chamada pineal, responsável pela produção de melatonina; a falta de melatonina prejudica a qualidade do sono, sistema imunológico e controle metabólico. Todo esse desajuste hormonal favorece a formação de radicais livres, que são substancias tóxicas para o DNA das nossas células, que passam a se desgastar e envelhecer precocemente. No cérebro, os radicais livres provocam atrofia por perda de neurônios e surgimento de problemas como Alzheimer e Parkinson.

LIDANDO COM O ESTRESSE
Precisamos entender que estresse, até certo ponto, pode ser benéfico. O estresse nos deixa alertas para solucionar problemas, trabalhar, estudar e ativa todo o funcionamento de nosso corpo. O problema é quando o estresse fica muito intenso ou prolongado a ponto de não termos mais controle sobre ele.
Portanto, aprender a administrá-lo é o caminho. Intercalar trabalho/estudo com atividades recreativas, exercícios físicos, buscar uma dieta balanceada e cuidar do sono são fundamentais para o restabelecimento dos hormônios ligados ao estresse. Uma dica é cultivar alguns minutos ou horas do dia para o “ócio produtivo”: significa tirar um tempo para não fazer nada! Sim, isso mesmo: às vezes cobramos de nós sermos tão produtivos que não temos tempo para apreciar o céu, ouvir uma boa música ou simplesmente ficar olhando para o nada... Estudos científicos há vários anos têm demonstrado que esse tempo ocioso nos ajuda a rever nossos valores, aumenta nossa capacidade produtiva e reduz o estresse.
Quando mesmo tomando esses cuidados sentimos que ainda não estamos conseguindo controlar o estresse, precisamos de ajuda profissional. Acompanhamento psicológico, acupuntura ou uma avaliação médica especializada podem ser necessários para termos o suporte necessário.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468