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Excesso de ácido úrico e gota

Publicado em: 20 de novembro de 2017 às 08h37
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 11/11/2017) - Edição 1922

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

O ácido úrico é uma substância produzida no fígado a partir das purinas, moléculas presentes no núcleo das células. Quando está em excesso em nosso organismo (conhecido como HIPERURICEMIA), pode se acumular em diversos órgãos causando danos. A hiperuricemia está presente em 15% da população e é mais comum nos homens; nas mulheres, geralmente aparece depois da menopausa. O excesso de ácido úrico pode provocar cálculos renais e inflamação nas articulações, conhecida como gota. As crises de gota são altamente dolorosas e podem deformar as articulações se forem muito frequentes. Nem sempre os pacientes estarão com os níveis de ácido úrico aumentados nas crises de gota.

Causas
O ácido úrico pode se acumular em nosso corpo em situações como alcoolismo, sedentarismo, ganho de peso, dieta desbalanceada e uso de alguns medicamentos. Certos casos são hereditários, não tendo relação com hábitos. É mais comum em portadores de diabetes e outras doenças metabólicas. Doenças que levam a destruição exagerada de células também podem aumentar o ácido úrico, como ocorre em certas anemias e tumores.

Tratamento
Exames específicos ajudam a saber se existe uma causa para o problema que precisa ser tratada. A maioria dos casos, no entanto, se deve a maus hábitos ou hereditariedade.

Mudança de hábitos talvez seja a parte mais importante no tratamento e prevenção. O consumo de bebidas alcoólicas é o fator mais responsável não apenas pelo aumento do ácido úrico, mas também por desencadear as crises de gota. Portanto abolir o consumo de álcool ou pelo menos reduzir é fundamental.

Controle do diabetes e do peso pode reduzir os níveis de ácido úrico e prevenir a gota. Em pacientes diabéticos existe uma preocupação maior porque a hiperuricemia pode aumentar as chances de lesão renal, com risco de hemodiálise.

Muitos pacientes vão necessitar usar medicações específicas para controlar a hiperuricemia e combater a inflamação das articulações, como alopurinol e colchicina. No entanto, há necessidade de acompanhamento para o uso correto.

Ao contrário do pensamento popular, a dieta contribui com no máximo 12 % do total de ácido úrico no sangue. Portanto, não é recomendado dieta radical como era feito antigamente, onde se proibia carnes, miúdos, leite, frutos do mar e leguminosas. A recomendação atual é que se evite apenas os excessos na alimentação.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468