Mérito Empresarial

Falando em nome de muitos, quiçá de todos

Publicado em: 02 de outubro de 2017 às 08h37
Sebastião Correia da Silva

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 30/09/2017) - Edição 1916

Sebastião Correia da Silva

Todos nós sabemos que as forças de segurança, ou seja, as policias, em todas as suas modalidades, Militar, Civil e Federal, devem ficar bens instaladas, em imóveis adequados, confortáveis e bem localizados, para executarem sua função com eficiência. Além disso, há a dignidade profissional e pessoal dos componentes das respectivas corporações. Se todo trabalhador deve ter condições dignas de trabalho, por que logo a policia, que é uma atividade altamente essencial, não deveria ter?

Pois bem! Nestas condições, a Delegacia de Policia Civil de Arcos, há algum tempo, está bem instalada, em ponto nobre da cidade, num prédio aparentemente confortável, visto que lá era a Casa Paroquial. O local é de fácil acesso e de fácil saída emergente dos elementos da corporação, na Praça Floriano Peixoto, ao lado da Igreja Matriz. Até aí tudo bem, tudo certo, mais do que justa a atual situação da delegacia local. Até que enfim! Além de merecer, careciam de instalações decentes, pois a antiga era bem tenebrosa. Para o público, o acesso melhorou consideravelmente.

Porém, o que está sendo questionado por pessoas que abordam o assunto- pessoas essas que não têm condições nem disposição para manifestar publicamente - é o grande número de vagas de estacionamento reservadas às necessidades policiais vigentes. Só no estacionamento diagonal da praça foram delimitadas seis vagas, além de mais três paralelas à porta da Delegacia, dando um total de nove vagas, onde há placas proibindo estacionar, de segunda a sexta, das 8 às 18 horas. Além disto, há mais três vagas dentro do pátio frontal da delegacia.

Caso alguém estacione ali para assistir a uma solenidade, uma missa, por exemplo, na Matriz, num dia comum ou num feriado apenas religioso em que a Delegacia funcione, a pessoa terá que ficar esperta para não ter aborrecimentos. Talvez tenha até que sair da igreja antes de a solenidade terminar, para retirar seu veículo do local antes das oito, pois certas missas das sete da manhã costumam terminar depois das oito. Senão, o coitado pode levar uma multa, além de perder pontos na carteira, pois normas da policia devem ser obedecidas.

Considerando a crescente necessidade de vagas de estacionamento na região central de Arcos, deduz-se que privatizaram muitas vagas para a Delegacia. Enquanto isto, outros condutores ficam zanzando em busca de vaga, já que o local é sempre bem movimentado, devido à presença do Fórum, dos Cartórios e da própria igreja matriz, a mais tradicional da cidade, e a mais frequentada durante todo o dia. Mesmo estando ociosas algumas vagas, o que tem ocorrido com frequência, ninguém ousará ocupá-las.

Sabe-se que a Delegacia precisa de vagas estratégicas para suas viaturas, como também de espaço para vistoriar e emplacar veículos, o que ocorre todos os dias. Todavia, as três vagas paralelas em frente à Delegacia mais as três ou quatro dentro do pátio da mesma, mais duas o três na diagonal seriam suficientes para as atividades policiais ali realizadas. Pensa-se que para tais serviços, estas vagas poderiam ser suficientes. No caso de haver vários veículos a serem vistoriados ao mesmo tempo, os excedentes esperariam lá por perto, até chegar sua vez. Todavia, manda quem pode, obedece quem tem juízo!

Pois bem! Caso o alto número de vagas exclusivas tenha sido iniciativa espontânea da prefeitura, foi uma falta de critério, um descuido com outras pessoas que também precisam estacionar lá. Se for exigência da Delegacia, pensa-se que houve, digamos assim, com o devido respeito, um exagero. É sabido por todos que em várias circunstâncias, numa perseguição, por exemplo, as viaturas policiais têm primazia sobre os demais veículos, mas esta situação é um pouco diferente. E para piorar, a quantidade de veículos à procura de vagas aumenta dia a dia. Todavia, são eles, os policiais, quem sabe a quantidade necessária de vagas.

Então, senhores digníssimos policiais! Vocês que, hoje em dia, são modernos, flexíveis e sensatos, não são do tempo da arbitrariedade e da truculência; que detêm o poder de deliberarem sobre o assunto; que, no caso, estão na condição de dizer sim ou não, que tal colaborarem conosco; que tal abrirem mão de uma parte do direito inquestionável, liberando algumas vagas, que ora podem ficar ociosas em boa parte do tempo, enquanto estacionar nos arredores da Delegacia, bem como em todo o centro de Arcos, tornou-se um suplício. Lembrem-se: O excessivo para uns pode tornar-se carência de outros. Pensem nisto! Obrigado!

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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