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Insônia: seus prejuízos e como tratar

Publicado em: 16 de setembro de 2019 às 08h52
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 07/09/2019) - Edição 2017

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

O sono é necessário para o descanso do corpo e da mente. Durante o sono nosso metabolismo diminui para restaurar as energias, fortalecer o sistema imunológico e reequilibrar o sistema neuro-hormonal.

Estatísticas brasileiras têm demonstrado uma prevalência de 35% da população com problemas de sono, em especial a insônia. Isto representa muitas vezes prejuízos sociais e pessoais, visto que a falta de uma boa noite de sono leva a baixo desempenho de nossas capacidades. Do ponto de vista social, temos ainda outro problema: muitas pessoas têm abusado de medicações de uso controlado, geralmente de forma errada ou sem real necessidade. Os prejuízos, tanto da insônia quanto dos tratamentos incorretos, se devem muitas vezes à falta de informação.

 

 

Quais os prejuízos da insônia para nossa saúde?

A falta de sono interfere muito com nosso estado de humor, deixando-nos nervosos, com déficit de atenção, memória fraca, ansiosos, reduzindo nossa capacidade para o trabalho e estudo. Alguns problemas psiquiátricos como depressão e síndrome do pânico podem piorar com a insônia.

A insônia gera estresse físico e mental, desencadeando problemas metabólicos, como ganho ou perda excessiva de peso, aumento da pressão arterial e de glicose no sangue.

Vários problemas hormonais podem surgir, como alterações menstruais, aumento de prolactina, aumento de cortisol, impotência. As crianças podem ter a produção de hormônio de crescimento prejudicada, comprometendo o desenvolvimento e crescimento.

 

 

Como e quando tratar?

É normal que em algumas situações ou épocas de nossas vidas, fiquemos por alguns dias com a qualidade do sono ruim. Nosso estado emocional tem muita ligação com o sono, tanto se estamos muito tristes ou ansiosos quanto se estamos muito felizes. Portanto, a falta de sono nem sempre requer tratamento.

Devemos nos preocupar principalmente nos casos em que a insônia já está durando várias semanas e comprometendo nossas atividades diárias, como o trabalho, estudos e relacionamentos.

Alguns problemas de saúde (hormonais, cardiológicos, neurológicos, dentre outros) e certas medicações podem provocar insônia; por isso uma avaliação clínica sempre é indicada.

As medicações controladas devem ser evitadas sem o devido acompanhamento, pois na sua maioria causam dependência e, com o tempo, podem comprometer a capacidade de raciocinar e a memória. Os efeitos colaterais dessas medicações são ainda piores nos idosos, inclusive com risco de quedas e acidentes domésticos. Sob orientação médica, algumas medicações podem ser usadas por um curto período para ajudar a regularizar o sono. Alguns pacientes podem se beneficiar de técnicas de relaxamento e psicoterapia, melhorando a qualidade do sono.

Algumas dicas para melhorar a qualidade do sono são: manter horários fixos para ir se deitar; evitar excesso de álcool, fumo, café, refrigerantes e chocolates; realizar atividade física regularmente; evitar exercícios físicos intensos 3 horas antes de ir dormir; evitar ir dormir com fome ou fazer refeições muito pesadas antes de dormir; evitar excesso de exposição a estímulos visuais e sonoros 1 hora antes de dormir (música em volume alto, televisão, computador, celulares, etc); em casos onde o sono não vem após 30 minutos de se deitar, recomenda-se que o paciente se levante e faça uma atividade mental leve como ler um livro até que o sono volte (ficar deitado ansioso com o sono que não vem pode piorar a situação em algumas pessoas).

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468