Vende-se Apartamento

Nomes e Pronomes

Publicado em: 21 de agosto de 2017 às 09h52
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 19/08/2017) - Edição 1909

Sebastião Correia da Silva

Inicialmente, a guisa de eliminação de dúvidas, devo dizer o que é nome e o que é prenome.  Nome é a alcunha, digamos assim, que a pessoa recebe logo que sua vinda à luz é concretizada, pelo batismo religioso ou pelo registro formal de nascimento. Já o Prenome é a identificação da origem, da árvore genealógica, da família à qual a pessoa pertence. Por exemplo: Eu me chamo Sebastião Correia da Silva (grande coisa, hein!), sendo que Sebastião é o meu nome de batismo e de registro civil, é óbvio, porque os dois têm que ser iguais. O Correia da Silva é minha origem familiar.

Antigamente, nos primórdios da humanidade, era assim: Como ainda não existia o prenome, ou seja, o nome da família, ao nascer as pessoas recebiam apenas o nome, o primeiro nome, com o qual ela seria identificada pelo resto da vida.  Como exemplos, restringindo-me a nomes bíblicos, citarei Adão, Eva, Abel, Caim, Noé, Matusalém, Abraão, Moisés, Josué, Isac, Jacob, Sara, Cleópatra, Sansão, Dalila e assim por diante.  Por acaso alguém saberia me dizer o sobrenome, ou prenome, das pessoas citadas? É óbvio que não! Quanto ao Adão, por ter sido feito de barro, poderia ter sido alcunhado Adão de Barros, e Eva, por sua vez, poderia ter sido Eva da Costa, por ter sido feita de um pedaço de costela. 

Com o passar do tempo, o povo seguindo, e com muito gosto, a sugestão do Criador que mandou “crescer e multiplicar”, o número de pessoas sobre a terra foi aumentando, aumentando, até chegar ao ponto de se confundir as pessoas, devido à repetição de nomes; a grande quantidade de xarás.  Daí veio a necessidade de agregar mais uma identificação ao nome das pessoas que iam nascendo, para evitar o aumento da confusão, confusão esta que poderia trazer dissabores, aborrecimentos e constrangimentos a quem fosse confundido com outra pessoa homônima. Já pensaram na polícia batendo na porta de um, pensando que fosse outro, ou prendendo um Zé como se fosse outro Zé!  

Como a necessidade é a mãe das invenções, então, alguém teve a brilhante ideia de agregar ao nome do indivíduo o nome da cidade em que ele nasceu.  Foi daí que surgiram Jesus de Nazaré, uma cidade da Galileia; José deArimatéia, uma cidade da Judéia; Paulo de Tarso, uma cidade da Turquia; Simão Cirineu, da cidade de Cirene, na Grécia); Maria Magdalena ,da cidade de Magdala, na Itália)... E tantos outros que além do nome pelo qual seriam conhecidos receberam também o nome de sua cidade em sua identificação, como um dos religiosos que vieram na esquadra de Cabral, cujo nome era Frei Henrique de Coimbra, uma famosa cidade portuguesa.  Isto ocorreu num passado não tão remoto quanto o dos demais citados acima.

Porém, dentro de algum tempo, com o contínuo crescimento da população, a confusão voltou a acontecer e as cabeças pensantes descobriram um novo meio de mudar o sistema de diferenciação, apelando para a natureza. Incialmente apelaram para a flora, agregando nome de vegetais ao nome das pessoas. Daí surgirem os Carvalho, os Oliveira, os Pereira, os Macieira, os Flores, os Castanheira,  os Massaranduba, os Pinheiro, os Pimenta, os Arruda, os Rosa, os Laranjeira, os Campos, outros derivados, e tantos outros “vegetarianos” de nome, que a gente vê com menos frequência e que saem da memória da mesma forma que entram.

Com o passar do tempo, a confusão começou a parecer, de novo, o que obrigou as autoridades a procurarem uma forma de continuar diferenciando as pessoas.  Novamente apelaram para a natureza, dessa vez para a fauna, também muito rica em variedade de espécies.  Desta feita, foram surgindo os Leão, os Cordeiro, os Lobo, os Coelho, os Pinto, os Sardinha, os Dourado, os Leitão e outros. Inclusive, a história do Brasil fala de um bispo católico, que foi comido pelos índios brasileiros, cujo nome era Dom Pero Fernandes Sardinha Leitão. Convenhamos, leitão e sardinha é um prato meio incongruente, meio incompatível, todavia paladar de canibal também é muito exótico.

Oportunamente, foram surgindo outros prenomes baseados nas maravilhas e nos fenômenos da natureza, nos acidentes geográficos, tais como Vale, Campos, Ramos, Jardim, Horta, Matos, Rocha, Pedreira, Cachoeira, Rios, Ribeiro (de Ribeirão) e outros de que não me lembro agora.  Além disso, começaram a surgir, devido a erros gráficos de “tabeliões”, as variações e as corruptelas de nomes já existentes, como, por exemplo, Carvalhais (de Carvalho)  Filgueiras (de Figueira) e outros, também raros em nosso elenco de sobrenomes, porém tudo derivado d flora e da fauna.

Sabida, casual ou intencionalmente, os escolhedores de nomes deixaram de fora da nomenclatura familiar, alguns animais, para, depois, servirem de referência das pessoas segundo seu modo de serem, seus costumes, suas atitudes, sua aparência, enfim, sua vida e sua atuação no contexto social.  Entre eles, há alguns positivos outros negativos, a saber: Gata, gazela, potranca, vaca, baleia, piranha, galinha, cavalo, porco, urutau, “tiú” (o correto é teiú), coruja, gavião, cobra, asno, burro, veado, lesma, rato, anta, e outros. Quanto à anta, num passado bem recente, uma dessas tapirídeas, que atende pelo nome de Dilma, foi deposta da presidência da república do nosso amado Brasil.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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