Empreendedor 2017

O circo

Publicado em: 18 de setembro de 2017 às 08h31
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 16/09/2017) Edição 1913

Sebastião Correia da Silva

Coberto por uma enorme lona colorida; rudes e simples arquibancadas de madeiras; picadeiro bem redondo, em forma de círculo, para acompanhar o formato exterior. Artistas de várias espécies: acrobatas, trapezistas, malabaristas, contorcionistas, mágicos e, como nunca poderia faltar, o gozadíssimo palhaço, aquele que faz a alegria das crianças e sempre é o ladrão de mulher. Animais adestrados, às vezes engraçados, às vezes agressivos e perigosos. Ah! Já ia me esquecendo da mulher barbada e do engolidor de espadas.

Segundo a história, o primeiro circo teria surgido em Roma, e foi construído por Rômulo, irmão de Remo, os quais, segundo a lenda, foram amamentados por uma loba. Segundo também a história, Rômulo e Remo foram os fundadores de Roma, motivo pelo qual a capital da Itália, onde fica o menor país do mundo, o Vaticano, chama-se Roma. Daí surgiu também a expressão “Pão e Circo” (panem et circenses). Todavia, isto poderá ser assunto para outro artigo, quando aludirmos ao grande circo em que os bandidos travestidos de políticos transformaram nosso amado Brasil.

Antes mais, nos dias de hoje menos, mas de fato, o circo sempre exerceu um fascínio nas pessoas, principalmente nas crianças. Até parece que estas já nascem com um circo dentro delas. Antigamente, desde que me lembro, quando um circo ia embora de uma cidade, os pais precisavam até vigiar os filhos adolescentes, temendo que estes, escondidos, fossem embora com o circo, o que, de fato, vez ou outra acontecia.  Durante a estadia do circo a molecada adorava, principalmente aqueles moleques que, como eu, não tinham dinheiro para pagar entrada e ficavam esperando um  descuido do vigia, para passar escondido por debaixo do pano.

Naquele tempo, quando as diversões eram poucas, nem se pensava nas parafernálias de hoje em dia, não havia a funesta alternativa das drogas, as pessoas ficavam entusiasmadas com a presença do circo, principalmente os homens, notadamente os mais jovens e adolescentes, que se encantavam com as artistas vestidas a caráter, quase sempre com as belas e atrativas pernas de fora, coisa bem difícil de ver naquele tempo em que a moral e os bons costumes imperavam. Quando o circo ia embora, a praça ficava vazia, e o coração das pessoas também ficava melancólico, já pensando na chegada de outro circo.

Pois bem! Hoje aqui, amanhã ali, depois em outro lugar. Assim é o circo e assim o circo, mesmo discriminado, às vezes até alvo de preconceito, prossegue a sua maravilhosa aventura pelo mundo, ou seja, levar às pessoas de qualquer espécie, principalmente às crianças, a alegria, a graça, a magia e o encantamento do fabuloso mundo do circo. O tempo passa, as coisas mudam, os costumes diversificam e os gostos variam, mas o circo não perde o seu poder de encantar e atrair multidões.

Distinto público, o espetáculo vai começar! “Ô raia o sol, suspende a lua; olha palhaço no meio da rua. E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher”!

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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