Vende-se Apartamento

O Elefante Branco

Publicado em: 20 de novembro de 2017 às 08h27
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 11/11/2017) - Edição 1922

Sebastião Correia da Silva

As pessoas, cada uma a seu modo e de acordo com a situação do momento, utilizam várias frases de efeito, vários provérbios, várias expressões linguísticas, enfim, várias formas, sérias ou irônicas, para referir-se ou criticar aquilo de que não gostam; aquilo com que não concordam; aquilo que não lhes agrada. Sendo assim, quando nós queremos nos referir a uma coisa grandiosa, uma coisa exuberante, porém de pouca utilidade, cuja manutenção é muito dispendiosa, fica muito cara, então a gente diz que aquela coisa é um elefante branco.

O que vem a ser um elefante branco? Qual a origem da expressão? Ser um elefante branco significa ser uma coisa de aparência magnífica, mas que, pelos trabalhos ou pelas despesas que dá, causa dissabores ou prejuízos.  Geralmente esta expressão é muito usada no meio político, principalmente por opositores, quando estes querem criticar uma obra de uma gestão pública qualquer, que não seja aquela em que eles tenham votado. Para alguns radicais, qualquer obra do adversário, mesmo que esta tenha utilidade comprovada, é um elefante branco.

Quando a Casa de Cultura local foi construída, na administração do Plácido Ribeiro Vaz, alguns opositores disseram tratar-se de um elefante branco. Algum tempo antes, quando o então prefeito Paulo Marques construiu o Poliesportivo, disseram coisa parecida. Porém, em ambas as situações, os críticos se enganaram, pois foram duas obras grandiosas e caras, mas de grande utilidade. É claro que ambas dão despesa com as respectivas manutenções, mas sempre são uteis ao povo, funcionando como palcos de variados eventos.

A expressão elefante branco provém da antiga Tailândia, país asiático, onde o rei tinha o ardiloso e perverso hábito de oferecer um elefante branco de presente ao cortesão a quem desejava arruinar. Como lá o elefante branco é um animal sagrado, portanto respeitado, o presenteado não podia desfazer-se dele de forma alguma, e a despesa com a manutenção do mesmo bastava para comprometer as mais sólidas fortunas, já que um elefante come demais. Aí, o rei se sentia vingado de seu desafeto. E, o que é melhor, sem uso de força ou de violência.

Então, no nosso mundo, elefante branco significa uma coisa inútil, que não pode ser descartada e que dá muita despesa. Sendo assim, os maiores elefantes brancos que temos no Brasil são: No âmbito municipal, temos as Câmaras de Vereadores; no âmbito estadual, temos as Assembleias Legislativas, lotadas de parasitas, cujo número varia de acordo com a lei eleitoral vigente. Por fim, no âmbito federal, temos o Congresso Nacional, o qual é composto pela Câmara dos Deputados, com 513 espertalhões e pelo Senado Federal, congregando 81 gigolôs da sociedade, como os citados logo acima. À medida que vai crescendo o tamanho do órgão legislativo, a brancura do elefante vai aumentando.

Com efeito, há outros elefantes brancos espalhados pelo Brasil afora. Entretanto, o sistema Legislativo é campeão no quesito inutilidade e alto custo de manutenção. O benefício é largamente inferior ao custo.   Por exemplo, para manter uma câmara de vereadores, utiliza-se até o máximo de 7% do orçamento do município. Tomando como exemplo nossa cidade, cujo orçamento para 2018 será de cerca de 100 milhões de reais, o repasse destinado à Câmara seria de cerca de sete milhões de reais. Nós usamos o verbo ser, seria, no condicional, porque o repasse daqui não chega a sete por cento. Mas, seja qual for o percentual, é verba que poderia ser empregada em benefício real da população.

Encerrando nossa explanação sobre Elefante Branco, ainda usaremos como exemplo a nossa Câmara Municipal, como poderíamos usar qualquer outra. Entretanto, não vai aqui nenhuma critica, e muito menos censura, aos nossos vereadores, que nada têm a ver com a lei que regula a existência de seus cargos, bem com a nababesca remuneração aos seus ocupantes. Então vejamos: Quando o atual prédio da Câmara foi edificado, há pouco mais de 10 anos, seu custo girou em torno de Um Milhão de Reais. Todavia, para mantê-lo funcionando até agora, já foi gastado mais de vinte vezes o valor de seu custo. Sendo assim, está claro que não é o custo da edificação de uma obra pública que a torna um elefante branco, mas sim a sua manutenção.

Mediante isto, sem nenhuma dúvida, poder-se-ia afirmar que, pelo exorbitante custo de manutenção, o Poder Legislativo é o maior elefante banco  do povo brasileiro, exatamente porque não podemos prescindir dele, uma vez que tal Poder é um dos componentes do tripé da democracia.   Então, qual seria o ardiloso Rei que o teria dado de presente ao Brasil?

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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