Vende-se Apartamento

O mundo e o homem

Publicado em: 09 de outubro de 2017 às 08h58
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 07/10/2017) - Edição 1917

Sebastião Correia da Silva

Um carpinteiro estava a trabalhar em sua oficina quando seu filho pequeno se aproximou. Receando que o filho se machucasse, o homem pediu-lhe para retirar-se. O menino, não querendo sair dali, disse ao pai: -“Quero ficar aqui, papai. Quero ver o senhor trabalhar. Deixa!” Assim, o homem não teve alternativa.  Acabou cedendo à vontade do menino, deixando-o permanecer na carpintaria.
 
Como se sabe, carpintaria é um local cheio de pontas de madeira, ferramentas e máquinas perigosas. Sendo assim, para entreter o menino e afastá-lo do perigo sem usar atitudes bruscas, o pai teve uma ideia. Pegou um mapa do mundo que estava ali por perto, cortou-o em vários pedaços, tipo quebra-cabeça, e mandou o menino refazê-lo, a certa distância de seu banco de trabalho.
 
Como o menino, muito tenro ainda, não conhecia o mundo, o pai pensou que a tarefa seria bem demorada, bem difícil de ser cumprida, o que tomaria bastante tempo da criança, permitindo a ele trabalhar, não tendo que ficar por conta de vigiá-la, para ela não se ferir.  Porém, dentro de poucos minutos o mapa já estava corretamente reconstituído. A criança, eufórica, o entregou ao pai.
 
Bastante surpreso, o pai questionou o filho: - “Você não conhece o mundo! Como consertou o mapa tão depressa? Eu não conseguiria fazer em tão pouco tempo!” O menino respondeu rapidinho, sem titubear:  – “ Olha aqui, papai! Aqui nas costas do mapa tem a figura de um homem. Aí eu consertei o mapa olhando a figura do homem.”
 
Conclusão: Esta estória, não inventada por mim porque minha limitação  não permite tal privilégio, revela que o mundo não mudou. Se o mundo mudou, mudou pouco. Na verdade, quem mudou foi o homem, e, infelizmente, para pior. Quem precisa ser consertado é o homem. Então, consertando o homem, certamente, por tabela, o mundo será consertado. Será que ainda dá tempo? 

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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