Empreendedor 2017

O Suicídio e o suicida

Publicado em: 04 de dezembro de 2017 às 08h56
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 25/11/2017) - Edição 1924

Sebastião Correia da Silva

O suicídio, ou seja, o autoextermínio, é uma atitude extrema, subjetiva, pessoalíssima e unilateral.  Dizer “não” a ele, conforme pede a campanha, adianta muito pouco ou nada, pois o tendencioso a praticá-lo não está nem aí para as manifestações contrárias, pois este fica tomado por um único desejo, que é acabar com a própria vida, a qual já não tem mais nenhum sentido, já não tem mais nenhum valor.

O suicídio é um assunto tão melindroso, tão complicado, tão bizarro, que até as pessoas se auto proíbem de tocar nele. Quando ocorre um fato do gênero, a mídia evita detalhar o assunto, para não ferir suscetibilidades e gerar polêmica. Além disto, há a presunção de que a divulgação do fato como tal pode estimular outras pessoas que passam por situações desesperadoras a seguirem o mesmo caminho.

Será que a divulgação clara e objetiva de um suicídio pode influenciar alguém a fazer o mesmo? Será que mesmo vendo o sofrimento dos familiares do suicidado a pessoa não desistiria da ideia? De fato, a divulgação de um suicídio pode influenciar uma pessoa tendente a ele, encorajando-a dar o passo final para acabar com a própria vida, fugindo, assim, dos problemas terrenos.  Pode ser o empurrão que esteja faltando.

Para censurar o suicida, muitos dizem que tudo nesta vida tem solução e que só a morte não tem.  Eu discordo de tal afirmação, porque, em minha opinião - a qual não desejo impor a ninguém- a morte já é uma solução de todos os problemas pessoais que fogem do nosso controle. A morte nos tira de uma cadeia, de uma doença incurável, de um remorso muito grande, de uma vergonha pública e de outros tormentos que afligem as pessoas de bem.  Porém, com fé, paciência e coragem a gente acaba se livrando dos tormentos.

Geralmente, o que leva ao suicídio é a famigerada depressão, a qual está muito comum hoje em dia, e é causada pelas coisas desagradáveis que podem ocorrer com todas as pessoas, tais como: perda de um ente querido, perda de emprego, perda de saúde, prejuízo nos negócios, desajuste conjugal, situação financeira precária, além de outros motivos, sendo que um dos maiores deles é a entrada no tortuoso caminho das drogas. O suicídio de pessoas de pouca idade é uma prova cabal do último motivo citado.

O que se pode fazer em face de uma ameaça de suicídio? Primeiramente, aconselhar o ameaçante a não fazê-lo; depois, vigá-lo 24 horas por dia, pois a qualquer descuido da sentinela, ele pode consumar o fato, pois a vida de quem chega a este ponto já se tornou um grande mal. Como reza um provérbio antigo, já mencionado no artigo anterior: “A morte é um grande bem, quando a vida se torna o maior dos males.” É uma verdade macabra, mas é real, e faz muito sentido, pois a morte soluciona todos os problemas pessoais do individuo.

Tomando como base o provérbio acima, não há como negar que a morte nos liberta de todos os problemas terrenos; de todos os sofrimentos; de todas as angústias; de todos os tormentos, pelos quais a gente possa estar passando.  Problemas pessoais, aparentemente insolúveis, costumam minar a resistência das pessoas, pois a capacidade de enfrentamento varia de pessoa para pessoa. Quem já passou por situações difíceis  e esteve na iminência de suicidar-se, mas conseguiu sair ileso, é óbvio, sabe muito bem do que estou falando!  

Com efeito, há certos tipos de vida que são piores do que a morte. Para quem tem dignidade, certas situações constrangedoras são difíceis de serem assimiladas.    A vida é bela, mas teria que ser calma, saudável, sem grandes tormentos, sem grandes atribulações, as quais nos atordoam e tiram a alegria de viver. Todavia, pequenos tormentos e pequenas atribulações fazem parte da vida de todos os seres humanos. Não há como fugir deles. Mesmo assim, a vida é dom de DEUS e só a ELE cabe o direito de tirá-la. O problema são os criminosos, que não foram avisados desta prerrogativa divina e estão por aí ceifando vidas e mais vidas.

Quanto ao suicida, ou seja, a pessoa que chega a tomar esta atitude extrema, este não é um covarde, como muitos dizem por aí, mas, sim, uma pessoa corajosa, pois acabar com a própria vida é um ato de coragem.  É claro que é uma violência contra o próprio autor, é um enorme desatino, é uma desconsideração com os parentes, enfim, é uma grande besteira. Todavia, até para fazer certas besteiras há que se ter muita coragem. Não é justo dizer que um suicida é um covarde, pois só ele e Deus sabem o que se passa em sua atribulada alma, para levar-lhe a praticar tal desatino.  Inclusive dizem por aí que o suicídio é coisa do Diabo.  Pode ser.

É claro que ninguém nunca deve pensar numa desgraça desta, como também devemos fazer de tudo para não ter motivos de chegar a este ponto. Até porque para os que ficam é demasiado doloroso, devido também à indagação sobre o porquê do fatídico ato.  O dom vida é sublime, é divino, o que nos incentiva, praticamente nos obriga, a esperar a ordem do Criador de todas as coisas, para desocuparmos o nosso lugar aqui na terra. O suicídio, além de ser um pecado perante a lei de Deus, é um crime perante a lei homens. Entretanto, na Casa do Pai há muitas moradas e, com certeza, também haverá uma para os que, num momento de supremo desalento, resolverem antecipar sua volta para lá!

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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