Mérito Empresarial

O ter e o ser

Publicado em: 26 de fevereiro de 2018 às 10h07
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 17/02/2018) - Edição 1936

Sebastião Correia da Silva

Ter e Ser, a exemplo de Querer e Poder, tema do último artigo, são também dois verbos da segunda conjugação que, embora bem pequenos, influenciam profundamente  a vida de quem está sob a ação deles. O ter a que vamos nos referir é o mesmo que possuir, o seja, deter a propriedade de um bem, de alguns bens ou de muitos bens materiais ou morais. Eis que o verbo ter exige um objeto direto, ou seja, ter o quê.  Já o verbo ser exige um adjetivo, ou seja, ser o quê.

Qual deles é mais importante e mais proveitoso para quem está sob a ação deles? Ter ou Ser? A resposta a esta indagação não é fácil de ser dada, pois depende da forma de pensar, da formação moral, bem como do sentimento cristão do indivíduo questionado. Alguns pensam que ter é mais importante do que ser; outros já pensam o contrário, ou seja, que ser é melhor do que ter, porque o ser traz mais satisfação interior.  Para quem preza valores pessoais, não tem como não abraçar a opinião desses últimos.

Há pessoas que pensam que o ter é tudo na vida. Mas, de fato, não é bem assim. Todavia, dependendo do que se em tem, pode ser assim mesmo.  Ter saúde, ter caráter, ter dignidade, ter educação, ter diplomas, tudo isto é ótimo, e as pessoas que valorizam o ter neste sentido estão certas. Porém, o ter bens matérias em contraposição aos valores morais e cristãos não é tudo na vida, mesmo.  Ainda bem que há outras que pensam o contrário, e colocam o ser numa posição muito superior ao ter.

Ninguém pode negar que, neste mundo consumista, possuir bens materiais é saudável, é salutar, é confortante, enfim, é muito bom. Quem os tem sabe muito disto, principalmente quando se cai numa situação complicada, conflitante, cuja resolução depende de grande soma de dinheiro, como uma doença grave, por exemplo, o câncer que, normalmente, exige um tratamento imediato para debelá-lo no início. Ou um acidente grave, que exige longa estada numa UTI.  Nesta circunstância, o ter ajuda muito.

Sendo assim, podendo conviver e usufruir simultaneamente de ambos, podendo conjugar os dois ao mesmo tempo, ou seja, ter bens materiais e ser criatura humana ao mesmo tempo deve ser melhor ainda, porque quem tem e é não se esquece de quem tem menos. Nesta condição, a pessoa está sempre disponível, pessoalmente e materialmente, a ajudar a quem tem menos ou não tem nada.  De nada adianta ter mundos e fundos e não ser sensível às agruras de outrem.  Eis aí uma grande importância do ser.

Há pessoas que têm tudo, e, no entanto, não são nada.  São insensíveis, gananciosas, são egoístas, perdulárias, sovinas, pães-duros. São verdadeiros trastes que não valem o ar que respiram. Por outro lado, há pessoas que não têm nada de seu, não possuem sequer um bem material, mas são tudo. São generosas, são bondosas, são educadas, são altruístas, são honestas, estão sempre disponíveis, prontas para ajudar em tudo e a todos naquilo que podem, e até no que não podem.  Estas sim, estas são a prova incontestável de que o SER é mais importante do que o SER.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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