Natal 2017

Pontualidade

Publicado em: 26 de dezembro de 2017 às 08h31
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 16/12/2017) - Edição 1927

Sebastião Correia da Silva

A pontualidade é uma marca positiva no caráter das pessoas.  Tal marca, tal referência, tal atributo é manifestado pelo respeito aos compromissos assumidos, principalmente às pessoas com quem os assumimos. Portanto, a pontualidade é, de fato, o respeito àqueles que dependem do cumprimento do nosso compromisso, da nossa atuação, do nosso comparecimento. O qualificativo resultante da pontualidade é o adjetivo pontual, que, de fato, é uma ótima qualificação, é uma ótima referência. “Fulano é pontual.”

Ser pontual é se fazer presente no local, no dia, na hora e no momento combinados entre as parte envolvidas no motivo do compromisso bilateral. Ser pontual é ter o hábito de pagar as contas em dia ou antes de vencerem. Ser pontual é comparecer sempre no horário estipulado em todo e qualquer evento do qual queremos, precisamos ou temos que participar. Pontualidade é iniciar na hora marcada aquilo que foi previamente combinado, principalmente aquilo que houver virado rotina, como uma missa, por exemplo.

Aproveitando o exemplo da missa, citarei experiência pessoal. Em quase todos os domingos, vou à missa das 7 da manhã, na Paróquia de Santo Antônio. Todavia, o sacerdote anterior não era nada pontual, e quase sempre começava a missa depois das 7 horas. Acontece que a gente vai em jejum, para receber a sagrada comunhão e, de manhã, a fome bate com força. Aí, era aquela irritação, causada pelo atraso quase sempre injustificado do celebrante, porque ele já estava presente, pois sua residência é junta à matriz. 

Eu disse que a residência do sacerdote é ao lado da matriz, para lembrar que ele, neste caso, não necessita percorrer nenhuma distância para chegar ao local de trabalho. Ao mesmo tempo, desejo fazer uma concessão a quem precisa locomover-se maiores distâncias, visto que a locomoção aqui em Arcos está muito complicada, devido ao excesso de veículos e à desorganização do trânsito. Por este motivo, a pontualidade cronológica nem sempre é respeitada. Quem reside nos bairros do outro lado da ferrovia sabe muito bem disto.

Pois bem! Em se sendo pontual não se está fazendo favor a ninguém, porque a pontualidade é obrigação de todos que assumem um compromisso. Todavia, a pontualidade não deixa de ser uma qualidade pessoal, uma vez que nem todos os promitentes são pontuais.  A pessoa pontual torna-se mais confiável. Todavia, a pontualidade deve ser espontânea, e não compulsória, imposta, como no caso de um trabalhador, que sempre bate o ponto.  Aí, qualquer um tem que ser pontual, senão corre o risco até de perder o emprego.

Com efeito, há muitas pessoas que fazem questão de serem pontuais. Por outro lado, existem outras que são pontuais só naquilo que lhes interessa; no que lhes traz algum benefício, alguma vantagem. Para receber um direito, um pagamento, por exemplo, as pessoas são muito pontuais, mas para cumprirem um dever, tal como fazer um pagamento, por exemplo, muitas não têm nenhuma pressa, não fazem questão de ser pontuais, e, por conseguinte, não mostram nenhum apreço pela outra parte envolvida no fato.

Em vários países do mundo a pontualidade é respeitada e até cultuada. Na Inglaterra, por exemplo, a pontualidade é sagrada, como se fosse obrigada por lei. O inglês é muito orgulhoso de sua pontualidade, tanto que o relógio mais pontual do mundo, o famoso Big Ben, fica em Londres, capital da Inglaterra.  Só para informar, no momento, o Big Ben está desativado para reparos. Quem leu o livro A Volta ao Mundo em 80 Dias, do escritor Júlio Verne, deve ter percebido o quanto o britânico é fiel à pontualidade. A pontualidade do Inglês acabou virando frase de efeito, ou seja, a pontualidade britânica.

No Japão, dia desses, um trem metropolitano saiu de uma estação antes da hora normal de sua partida. Este “antes da hora” foi apenas cerca de 20 segundos. O que são 20 segundos diante dos 86.400 que completam as 24 horas do dia? Vinte segundos representa nada, mas para quem respeita a pontualidade, é um prazo longo.  Logo em seguida, os responsáveis por esta “lamentável falha” vieram a público pedir desculpas pelos transtornos causados aos usuários que perderam o trem, já que estes sabem que a composição parte rigorosamente na hora marcada.  

E no Brasil, como fica a pontualidade espontânea, voluntária e desinteressada?  Fica como sempre ficou, já que o brasileiro sempre foi um pouco negligente no quesito pontualidade, nunca se preocupando em ser pontual, a não ser compulsoriamente, para não perder as vantagens inerentes ou para evitar o rigor de não ser pontual. Como em todas as regras, neste assunto também há exceções. Mediante isto, quem é adepto da pontualidade acaba fazendo papel de bobo ou de intolerante com quem “atrasou só um pouquinho”.  Sendo assim, a todos os praticantes da pontualidade, outorgo o meu respeito!

Por falar em pontualidade, vou encerrar meu artigo, senão não dá de tempo de enviá-lo à redação do jornal, e, assim, a minha pontualidade passará a ser questionada.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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