Natal 2017

Preconceito

parte 1

Publicado em: 15 de janeiro de 2018 às 08h38
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 06/01/2018) - Edição 1929

Sebastião Correia da Silva

Sempre se falou muito em preconceito, mas nos dias de hoje se fala mais ainda, principalmente depois que os diversos seguimentos sociais procuram novos meios de combatê-lo e de punir quem o pratica e, naturalmente, depois que tal procedimento virou combustível para a indústria da indenização, geralmente por danos morais. Convenhamos, hoje em dia, uma simples insatisfação manifestada contra atitudes de pessoa devassa, em desacordo com os ditames sociais ou os bons costumes, é passível de uma ação judicial, visando a uma polpuda indenização.

Afinal, o que vem a ser preconceito? Etimologicamente, preconceito é um conceito pré-formado, ou seja, uma definição, uma conclusão, uma opinião antecipada, ou seja, formada antes de se conhecer a pessoa, a coisa, ou o fato que está gerando a formação da opinião, do conceito, da definição, da ideia, da conclusão, da decisão definitiva sobre o alvo que se observa. Sendo assim, o preconceito não pode ser apenas opinião negativa e desfavorável sobre alguém ou sobre quaisquer coisas. Com efeito, existem motivos para formar opinião positiva e favorável àquilo que se estive avaliando.

Mesmo assim, convencionou-se que preconceito é composto apenas de aversão, rejeição, desprezo e outras cargas negativas a respeito do ser sobre o qual se formou o preconceito. Todavia, não é nada disto, mas como se convencionou que é assim, vamos trata-lo desta forma, embora todo conceito emitido pode ser favorável, desfavorável ou neutro.  Ao criar o mundo, Deus foi conceituando que tudo era bom. Assim, continuou criando e mantendo toda a criação. Por fim, Deus conceituou que o homem era bom e o criou também. Porém, a partir daí começaram a surgir controvérsias, que persistem até nossos dias.

De fato, o preconceito desfavorável existe em todo o mundo, contra quase tudo e quase todos, todavia recebendo nomes diferentes, dependendo do alvo a quem ele é dirigido. Contra as pessoas da raça negra, o preconceito recebe o nome de racismo; contra os membros da diversidade sexual, o preconceito é batizado de homofobia; direcionado contra os estrangeiros, ele recebe o nome de xenofobia e assim por diante. O terrível preconceito contra os judeus, fato que marcou de forma terrível e sangrenta a Segunda Guerra Mundial, recebeu o nome de antissemitismo. 

Com efeito, há preconceitos contra muitos tipos de pessoas e coisas que destoem dos padrões convencionais, estejam estes certos ou errados.  Além dos citados no parágrafo acima, há preconceito contra pessoas nômades, como os ciganos e circenses; contra pessoas feias, pessoas gordas, pessoas pobres, pessoas de baixa estatura. Os anões, então, sofrem uma baita discriminação. Quanto aos pobres, além de outras discriminações contra eles, dizem que “rico correndo é atleta, pobre correndo é ladrão”. Este é um dos motivos pelos quais eu nunca me animei a dar corrida.

Ainda quanto aos baixinhos, meu caso também, algumas pessoas de estatura privilegiada dizem que eles só servem para levar recado; outras dizem que eles só servem para fazer os grandões brigarem; já outras, mais provocativas, dizem que baixinho serve muito para cheirar peido em comício.   Aí, já passa a ser bullyng, que é um filho do preconceito.  Porém, há uma vantagem em ser baixinho: menos massa corpórea para a gravidade atrair, e consequentemente, menos quantidade de muxiba.  Só para lembrar, o bullyng antigamente chamava-se apenas “implicância”.  E a sogra, então? Muita gente pensa que toda sogra é encrenqueira, pois o preconceito é grande. E antigo!   Continua na próxima semana.

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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