Natal 2017

Preconceito

parte II

Publicado em: 22 de janeiro de 2018 às 08h36
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 13/01/2018) - Edição 1930

Sebastião Correia da Silva

Há preconceitos para todos os gostos e ocasiões. Há preconceito contra animais irracionais, contra vegetais, contra coisas diversas e contra os vários tipos de pessoas, conforme já foi dito. Para as pessoas, todo gato é ladrão; toda cobra é peçonhenta; todo limão é azedo; todo jiló é amargo. Há pessoas que não gostam de jiló, sem nunca terem comido tal alimento.  Certa vez alguém chegou a minha casa na hora do almoço e me viu comendo jiló, muito jiló.  Ao ver o meu apetite por jiló, o conviva desceu a ripa no jiló, dizendo que detestava o tal alimento. No fim, fiquei sabendo que tal pessoa nunca havia comido jiló, e, apenas devido preconceito desfavorável, não gostava do pobre do jiló.

O próprio modo de as pessoas se comportarem e se apresentarem em público já desperta certo tipo de preconceito, no mínimo o famoso pé atrás. Há preconceito contra pessoas tatuadas, contra usuários de piercing; homens usando brinco, homens da cabeça raspada voluntariamente, pessoas usando capuz em estação imprópria, usuários de boné com bico para trás.  Quanto ao capuz, antigamente, este era usado para evitar o frio nas orelhas; hoje ele serve mais para dificultar  a identificação do usuário.  Sempre que a gente vê na TV uma cela cheia de presos, no meio deles há vários elementos se apresentando das formas acima, o que acaba fortalecendo o preconceito negativo. Quanto aos tatuados, há empresários que não dão emprego a eles.

Quanto à homofobia e ao racismo, há muitas controvérsias em relação ao assunto, uma vez que nem toda manifestação aparentemente desfavorável a um ou outro elemento de ambas as classes, deve ser entendida como preconceito.  No que tange ao homossexualismo, a atitude pode ser apenas um desejo pessoal de manter tradições antigas, como também um instinto de proteger a si e aos seus. Por exemplo, há homossexuais que são extremamente espalhafatosos, vivem dando maus exemplos às gerações em formação psíquica e, mesmo assim, ainda querem obrigar os contrários a aceita-los e respeitá-los daquela forma. Todavia, há outros da mesma diversidade que merecem todo o respeito.

No que concerne ao racismo, ocorre coisa bem parecida. Nem tudo é preconceito contra os irmãos da raça negra. Muitas das vezes, a manifestação presumivelmente preconceituosa não passa de uma brincadeira antiga ou de um vício de linguagem, como, por exemplo, dizer que a “coisa está preta”. Eu duvido que alguém use esta expressão pensando em ofender alguém. Contudo, as pessoas têm que ter muito cuidado ao mencionar assuntos que envolvam as diferenças entre as pessoas, para não correrem o risco de serem trituradas pela máquina das indenizações exigidas judicialmente.

Ainda quanto ao racismo, a gente percebe que há alguns afrodescendentes que são mais racistas do que outros de outras raças diferentes.  Alguns da raça negra não gostam de pessoas brancas, mesmo sem conhecê-las, simplesmente porque pensam que estas são preconceituosas, sendo que, de fato, a maioria das pessoas não cultiva tal preconceito. Outro exemplo mais notável de racismo vindo de pessoas da raça negra é o fato de negros famosos, como jogador de futebol, por exemplo, se casarem, quase sempre, com mulheres da raça branca, principalmente loiras. Este fato é difícil de ser negado.

De qualquer forma, o preconceito é ilegal, injusto e desumano.  Ninguém deve praticá-lo contra o que quer que seja. Com efeito, ninguém é preto porque quer; ninguém é homossexual porque quer; ninguém é feio, baixinho, gordo , pobre, porque quer. Quanto a ser muito pobre, isto costuma acontecer porque o sujeito quis assim, uma vez que possa ter sido indolente e preguiçoso, e não teve disposição para trabalhar e sair da pobreza. É óbvio que o trabalho enriquece a poucos, mas tira todos da miséria. Mesmo assim, tal pessoa não pode ser vítima de preconceito, mas, sim, alvo de pena.

Relembrando que preconceito pode ser favorável ou desfavorável, há muitos anos já estabeleci o meu preconceito a respeito de todas as pessoas. Para mim, salvo raras exceções, todas as pessoas são boas, até prova contrária. E, neste sentido, tenho tido pouco trabalho para mudar meu conceito sobre elas. Afortunadamente, o mundo ainda possui mais pessoas boas do que ruins, independente da cor da epiderme, da sexualidade, da religião e etc. Todavia, quanto aos políticos, estou sendo obrigado a rever meu conceito pré-estabelecido, uma vez que a maioria deles não passa de um bando de canalhas. 

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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