FIEMG

Síndrome da imobilidade em idosos

Publicado em: 09 de setembro de 2019 às 08h30
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 31/08/2019) - Edição 2016

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Com o crescente aumento da expectativa de vida no Brasil e em todo o mundo, verificamos também um aumento das doenças relacionadas ao envelhecimento. Ao longo de nossas vidas, acabamos por acumular várias agressões em nosso organismo. Problemas de coluna, artroses, doenças circulatórias, reumatismos, excesso de peso, tabagismo, sedentarismo e várias outras condições provocarão dificuldades para a realização de movimentos. Idosos apresentam um grande risco para a SÍNDROME DA IMOBILIDADE, que é a incapacidade para realizar movimentos adequadamente sem ajuda de outras pessoas, prejudicando a qualidade de vida, favorecendo complicações de saúde com redução da expectativa de vida.

 

 

Riscos para a saúde:

A falta de atividade física regular provoca atrofia dos músculos, enrijece as articulações e piora a perda de cálcio dos ossos, levando a osteoporose. Tudo isso diminui ainda mais a capacidade para atividade física, deixando o idoso muito frágil, inseguro para realizar tarefas simples. Essa falta de segurança para se locomover e realizar tarefas acaba reduzindo a autoestima do paciente, desencadeando isolamento social e problemas psíquicos como depressão. O paciente passa a ficar cada vez mais dependente de cuidados simples como se alimentar, tomar banho e até para se levantar da cama. Desidratação e desnutrição são comuns nesses idosos pela dificuldade de acessar alimentos e água.

A capacidade respiratória tende a diminuir com a falta de atividade física. O paciente passa a se fadigar com os mínimos esforços. Com o pulmão mais frágil, o paciente fica susceptível a contrair infecções respiratórias com muita frequência.

A principal causa de morte súbita de idosos imobilizados (principalmente acamados) é a embolia pulmonar. Ocorre quando o sangue coagula nas pernas pela falta de exercícios, sendo levado pela circulação até os pulmões, causando falência dos pulmões e do coração. A imobilidade pode levar ainda a tromboses e erisipela.

Idosos que passam grande parte do tempo deitados ou sentados tendem a desenvolver úlceras de pressão, que podem se infectar, causando infecções mais graves com grande risco de morte no idoso. A imobilidade pode provocar incontinência urinária, com o paciente urinando na roupa a todo o momento. Pode ainda impedir os movimentos dos intestinos causando obstipação intestinal.

 

 

Prevenção da Imobilidade:

A prevenção da imobilidade na velhice vai depender muito de uma vida saudável a partir da juventude. Dieta saudável, atividade física regular, abandono de vícios (tabagismo, álcool), controle do peso e exames periódicos permitem manter a saúde em dia prevenindo várias doenças. Nunca é tarde para começar, mesmo na terceira idade.

Idosos devem manter uma rotina de exercícios regulares. O tipo de exercício vai depender de cada paciente, de suas limitações e problemas que já apresenta. Em alguns casos é aconselhável realizar um tempo de fisioterapia, que pode ajudar a fortalecer os músculos e corrigir a postura, melhorando o desempenho físico.

É muito importante o apoio da família e dos cuidadores, que devem estimular o idoso a se exercitar, alimentar corretamente e ingerir líquidos de forma adequada. O idoso precisa manter horários regulares para tudo, inclusive o horário para ir dormir e se levantar, evitando “sonecas” prolongadas durante o dia, que prejudicam o sono à noite e causam indisposição durante o dia.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468