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Síndrome dos ovários policísticos (SOP)

Publicado em: 05 de fevereiro de 2018 às 08h46
Saúde

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 27/01/2018) - Edição 1933

Dr. Tarcísio Narcísio Silva

A SOP é uma das doenças hormonais mais comuns, acometendo 18% das mulheres em idade reprodutiva. Se não diagnosticada e tratada, pode prejudicar de forma intensa a qualidade de vida das pacientes e predispor a problemas mais sérios. Existe falta de informação por grande parte dos profissionais da saúde, o que tem atrasado o diagnóstico em cerca de metade dos casos.

Quais as características da síndrome?

As características mais marcantes são irregularidade na menstruação, aumento de acne ou pelos no corpo, aumento de hormônios masculinos no sangue (androgênios) e aparecimento de cistos nos ovários.

Durante muito tempo, as únicas preocupações com as pacientes eram com a questão estética e a maior dificuldade para engravidar nas portadoras de SOP. Hoje sabemos que existem muitas outras alterações no metabolismo e sistema hormonal que podem comprometer a saúde de forma mais séria. As portadoras de SOP têm maior predisposição para resistência insulínica, diabetes, hipertensão arterial, obesidade e doenças do coração.

Cada paciente pode manifestar apenas uma ou várias dessas alterações. Para se fazer o diagnóstico correto, o médico precisa juntar um quebra-cabeças com as queixas da paciente, alterações no exame físico, exames de sangue e exames de imagem, geralmente o ultrasson. Existem doenças que são muito parecidas com a SOP e precisam ser descartadas, evitando-se assim um diagnóstico e tratamento incorretos.

Tratamento

Atividade física e controle do peso podem melhorar a maioria das alterações provocadas pela SOP. Essas duas medidas ajudam a estimular a ovulação, regulando os ciclos e reduzindo os cistos nos ovários, além de reduzir a produção de androgênios; com menos androgênios, pode-se controlar o aparecimento de acne e aumento dos pelos. A atividade física e perda de peso ajudam ainda a controlar a resistência insulínica, prevenindo o diabetes, hipertensão arterial e doenças do coração.

Nem todas as pacientes portadoras de SOP estão acima do peso (cerca de 25% dos casos) e nem todas apresentam as mesmas alterações hormonais. Portanto, o tratamento precisa ser individualizado. Muitas pacientes vão precisar de medicamentos específicos para ajudar no controle da síndrome, principalmente para melhorar a fertilidade.

Um alerta que se faz é que, apesar de a maioria das pacientes apresentar dificuldades na fertilidade, uma gravidez é perfeitamente possível mesmo sem tratamento especifico. Não são raros os casos de moças portadoras de SOP que engravidam em momentos inapropriados por acharem que somente com tratamento é que conseguem engravidar.

Saúde por Dr. Tarcísio Narcísio Silva

Médico Endocrinologista e Metabologista - CRM 36.468