Mérito Empresarial

Sintomas da velhice, a velhice em si, e correlatos

Publicado em: 27 de novembro de 2017 às 08h30
Sebastião Correia da Silva

(Artigo publicado pelo Jornal CCO impresso em 18/11/2017) - Edição 1923

Sebastião Correia da Silva

Os sintomas da velhice são as diversas alterações, físicas e mentais, que começam a se fazerem presentes no físico e na mente das pessoas quando estas vão aumentando a idade cronológica, aumentando o tempo de vida, ou seja, vão envelhecendo.  Tais sinais se apresentam de várias formas, como por exemplo, branqueamento dos cabelos, surgimento de rugas na pele, diminuição da visão e da audição, diminuição da capacidade mental, perda de desenvoltura na locomoção, e outros sintomas tão ou mais desagradáveis quanto, os quais aumentam de intensidade à medida quer o tempo passa.

A maioria dos sintomas é comum a homens e mulheres, porém há alguns, bem constrangedores, que afetam apenas o masculino.  Por exemplo, a diminuição da libido, que acaba por acarretar a disfunção erétil, no homem, ó obvio, o qual tem que armar, ou seja, levantar o instrumento sexual para consumar o ato.  Enquanto a mulher não precisa armar nada, levantar nada, talvez apenas a saia.  O máximo que pode ocorrer com a mulher, neste caso, é uma situação de frigidez.   E isto acaba sendo muito natural e ela não ficará nem pouco constrangida com isto.   Já para o homem, tal fato é um grande constrangimento. Viver é bom; viver bem, com saúde, então, é ótimo. Porém, envelhecer não é nada agradável. As limitações trazidas pela velhice são desalentadoras.  Quem diz que envelhecer é bom, pode estar tentando consolar a si mesmo ou tentando valorizar o fato de ainda estar vivo. O problema é que não há como viver sem envelhecer. O envelhecer é a consequência do viver. As duas situações estão intimamente ligadas; são como xifópagos, ou seja, irmãos siameses, porém daqueles pares que nascem com apenas um órgão vital e não oferecem nenhuma condição de serem desatrelados; serem separados cirurgicamente um do outro.

A velhice traz apenas uma coisa boa para os longevos, ou seja, a sabedoria. Mesmo assim, se formos somos receptivos a ela e desejarmos aprender na escola da vida. Se não se desejar aprender, morre-se burro.  Falam em outras coisas boas que a velhice também traz, tais como o direito de furar filas nos bancos e viajar de graça nos ônibus, e, segundo me parece, nos aviões também.  Tais vantagens, juntas a outras que existirem, de fato não são vantagens.  São apenas um consolo, um paliativo, uma compensação às perdas que a velhice traz, e que não são poucas. Com efeito, o tempo é implacável e  destrói a embalagem e o conteúdo. Por outro lado, a velhice traz um punhado de coisas ruins a quem consegue passar incólume pelos perigos da vida e ficar velho. Então, vejamos: Nem sempre, mas a velhice traz óculos, dentadura postiça, peruca, aparelho auditivo, bengala, muleta, cadeira de rodas e, por fim, um caixão. Embora tudo isto possa ocorrer com pessoas jovens, na lógica, a possibilidade de ocorrer com pessoas idosas é muito maior. Alguém já me disse que o Viagra é uma coisa boa para os velhos já com a libido desativada, mas não é, pois se trata apenas de um paliativo para um grave transtorno trazido pela velhice.Também no caso do homem, quando ele começa a achar todas as mulheres bonitas, o bicho está pegando pra valer.

Para amenizar um pouco a rudeza do envelhecimento, inventaram por aí uma tal de Melhor Idade.  Melhor idade para que?  Seria para fazer aquilo que se queria fazer antes, mas não foi possível fazer devido à falta de um dos três elementos indispensáveis à realização de desejos pessoais?  Os três elementos são: Tempo, Disposição e Dinheiro, os quais nunca andam juntos, sempre falta um deles.  Quando se chega à melhor idade, já aposentado, pode ocorrer que se tenha tempo e dinheiro, mas cadê a disposição, a qual já foi pro beleléu.  No caso do homem, vamos trocar disposição por virilidade, por excitação. Esta última é popularmente conhecida por tesão.  

Quem inventou essa tal de Melhor Idade deve ter sido um político espertalhão, para cativar os idosos e pegar o voto deles. Como é sabido por todos, após 70 anos de idade a pessoa não é mais obrigada a votar, para ficar em dia com o serviço eleitoral. Aí, o político entra com a lábia para convencer o melhoridadiano a continuar “exercendo o direito do voto”, bem como a lhe sufragar nas urnas, o que de fato importa para o político.  Além disto, salvo raras exceções, os gestores públicos costumam acabar também levando vantagens materiais nos empreendimentos em prol dos  melhoridadianos.  Esta paparicagem com o idoso acaba não passando de malandragem.

Como dissemos acima, viver é muito bom, apesar de todo o sofrimento que é impingido ao ser humano ao longo de sua trajetória sobre a terra. Viver é bom, mas teria que ser um viver saudável, sem as doenças e limitações que derrotam ser humano, tornando-o infeliz.  Como dizia Apparício Torelliy, o extrovertido Barão de Itararé: Sabendo leva-la, a vida é bem melhor do que a morte!   Um outro poeta, cujo nome desconheço, disse com toda a clareza:  “A morte é um grande bem, quando a vida se torna o maior dos males”.  Faz sentido, pois há tipos de vida que são piores do que a morte. Já um gaiato, para complicar o raciocínio, disse: Se a morte for descanso, prefiro viver cansado.  Sendo assim, para alguns a velhice é uma benção, para outros já é um fardo. Então, vamos levando a benção ou fardo até o momento em que o Criador decidir interromper nossa caminhada!

Sebastião Correia da Silva por Sebastião Correia da Silva

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