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Atualizada às 17:03:05 | Publicada em: 04/01/2012 por Cristiana Teixeira às 13:42:49
Quatorze detentas da cadeia de Arcos são transferidas para Bambuí e Pará de Minas
Segundo o delegado, Irineu Coelho, a cela das detentas está com problemas de infiltração
Fotos: Nayara Vieira
Todas as detentas que estavam recolhidas na cadeia pública de Arcos foram transferidas na manhã de hoje, 04, para unidades prisionais da região. Dez delas, todas condenadas, foram para a penitenciária Pio Canedo, em Pará de Minas. As outras quatro, que ainda aguardam julgamento, foram levadas para a cadeia pública de Bambuí. As 14 detentas dividiam uma única cela no estabelecimento prisional da cidade.

Segundo o delegado e diretor da cadeia, Irineu Coelho, a transferência ocorreu após problemas provocados pelas chuvas dos últimos dias. “As chuvas torrenciais dos últimos dias provocou transtorno na cadeia pública de Arcos. O telhado de algumas celas foi danificado e graves problemas foram provocados, como infiltrações e danos na parte elétrica, sendo a situação mais grave verificada na ala feminina. A tubulação de energia deu vazão á água infiltrada na estrutura, vindo a molhar roupas e colchões, o que tornou impossível a permanência das detentas no local. Havia riscos de choque elétrico e de queda de parte do revestimento das paredes e teto, além de doenças que poderiam surgir em razão da insalubridade do local”.

De acordo com o delegado, as próprias detentas pediram para serem removidas, alegando não haver a mínima condição de lá permanecerem. “Elas tinham razão. A situação estava péssima, perigosa. É nosso dever resguardar a integridade das presas e como não há outro local na unidade para acolhê-las não tive opção. A transferência foi uma medida de emergência visando a garantia da integridade das reeducandas. Havia risco de acidentes graves e a segurança do estabelecimento foi afetada. Temos que ser proativos, evitar os acidentes e as doenças”.

A solução dos problemas ainda não tem data prevista para acontecer, uma vez que o delegado irá tentar buscar junto aos órgãos competentes ajuda para os devidos reparos e reformas. “Trabalhamos na cadeia pública de Arcos com poucos servidores e até que a SUAPI assuma, estamos adotando medidas para atender as disposições da Lei de Execução Penal, dentro de nossas possibilidades. O próximo passo é tentar recursos junto aos órgãos competentes para uma reforma no telhado, nas redes elétrica e hidráulica, mas não posso fazer uma previsão de quando isso ocorrerá”.

A equipe do CCO teve acesso à cela e constatou que no local há apenas oito camas, as marcas de infiltração estão por todos os lados, os objetos pessoais das detentas estão umedecidos, a fiação elétrica está exposta, os banheiros não apresentam nenhuma condição de higiene. E em meio aos objetos pessoais foram deixados vários recados para familiares avisando da transferência.

Maria de Fátima Simões, mãe de uma detenta que foi levada para Pará de Minas disse que acha certo a transferência das presas. “Acho melhor transferir do que deixá-las nessas condições”, disse. Ela aproveitou para pedir ajuda ao Governo Municipal a fim de resolver o problema. “Peço que o prefeito olhe por nós aqui. Na época da campanha ele vai atrás da gente, depois que passa ele nem nos conhece”.

Maria de Fátima disse ainda que durante a última visita a filha, ela relatou os problemas enfrentados pelas detentas devido a infiltração na cela. Segundo Maria de Fátima, a filha contou que a cela estava sendo alagada pela água da chuva e que as roupas de cama e colchões estavam molhando. “Ela disse também que estava muito perigoso devido a fiação elétrica, e que elas estavam com medo de choque”, contou.

O trabalho dos agentes penitenciários também foi elogiado pela mãe da detenta, que disse considerá-los como pessoas da família. “Não tenho do que reclamar dos funcionários daqui. Eu considero esse povo como se fosse da minha família. Minha única queixa é sobre esse problema de infiltração. Ninguém merece viver nessas condições”, disse.

Segundo o assessor de Comunicação da prefeitura, Márcio Ferreira, será feita uma avaliação na cela para que sejam definidas as intervenções a serem feitas. Márcio ressaltou que “o projeto da Administração em transferir a responsabilidade da cadeia de Arcos para a SUAPI (Subsecretaria de Administração Prisional) continua em andamento”, aumentando assim a capacidade do estabelecimento e liberando os policiais que hoje fazem a segurança da cadeia.

Conteúdo exclusivo do Jornal Correio Centro Oeste
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