| Publicada em: 06/01/2012 por Irineu Coelho às 09:09:21
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Uma nova jornada
A chegada do ano novo é um evento que mobiliza a humanidade. Os povos, cada um à sua maneira, comemoram, festejam, oram e reverenciam a chegada de um novo tempo.
Esse acontecimento atua sobre todos nós de forma incontrolável e ao mesmo tempo doce, nos conduzindo à entrega, à ternura, à paz de espírito. Baixamos a guarda e nos concentramos na renovação das forças, e, como nunca, acreditamos num futuro melhor.
Movidos por um inefável sentimento de compaixão e humildade, dedicamos alguns minutos dessa época para refletir sobre uma vida inteira. Abrimos um parêntese existencial, numa ponderação que seja a mais sincera possível. Um turbilhão de dúvidas e questionamentos agita a nossa mente e não há quem não se comova ao meditar sobre o que foi, o que é e o que será. É uma espécie de parto emocional. Voltamos a ser criança independente de nossa idade material.
O otimismo em chama viva nos aquece o espírito fazendo brotar projetos brilhantes que mudarão o nosso destino. É a era da eclosão de novas e inovadoras idéias até então adormecidas em nós. O ano que se inicia é um terreno fértil onde iremos lançar as mais promissoras sementes antes esquecidas em gavetas sombrias que insistimos em manter no nosso cotidiano. Reconhecendo as nossas limitações e reverenciando a grandeza do universo, a ele externamos os nossos anseios, nossas aspirações: grandes e inatingíveis, ou pequenas e simples, como sempre deveriam ser.
Não há dúvida. É mesmo a época de comemorar, de refletir, de agradecer e renovar as forças para uma nova jornada.
Mas, afinal, que é ser forte em face do universo? Somos realmente fortes? Prefiro pensar que somos gotas de orvalho espalhadas por um imenso gramado, numa efêmera passagem que só valerá a pena se nos mantivermos cristalinos até que os raios do sol de cada janeiro venham nos transformar em vapor e pó. Ao final de cada ciclo nossa alma gasosa irá subir ao céu e nossa matéria irá descer ao chão, de onde, novamente, ao comando de Deus, ressurgiremos em outro canto desse imenso e desconhecido jardim.
Essa força que buscamos renovar a cada ano não pode ser medida em nosso plano inferior. Não se confunde com aquela que decide queda de braço ou que faz da sociedade um ringue cercado de cobiça e inveja. Essa força que nos moverá neste novo tempo não é a arrogância, a prepotência, muito menos a vaidade. A energia que precisamos acumular nessa época é aquela que aquece a alma e nos faz mais sensíveis às questões que verdadeiramente interessam à humanidade.
Estamos na estação em que o torvelinho das promessas não pode ser interrompido. É nossa cultura. Parar, pensar, entender o que foi erro e agradecer pelo que foi acerto. Prometemos a nós mesmos tomar algumas atitudes proteladas durante o ano que passou, e muitas vezes nos sentimos envergonhados ao constatar que não cumprimos o que prometemos, principalmente, a nós mesmos. Não há disparate maior do que enganar a si próprio. Não cumprir o trato consigo mesmo é a mais risível de todas as imbecilidades, e não nos cansamos de fazê-lo.
Voltando à questão da força, podemos notar sem muito esforço, que a compreensão do seu significado não tem evoluído da forma como deveria. O seu conceito está bastante deturpado e nebuloso, sendo essa a época do ano mais propícia para que possamos aclará-lo em nossas vidas. Daremos um grande passo com a simples aceitação de que a força é coisa de Deus, não dos homens.
Recentemente, vi dois homens chorarem em público. Foi um choro feliz. Sim! Um choro que escapou apesar do esforço, mas que acabou se transformando em sorriso quando o lenço ainda secava as lágrimas quentes e cristalinas. Quentes como seus corações e cristalinas como suas condutas.
Como são fortes aqueles homens que choraram... Um é delegado de polícia em Santo Antônio do Monte, amigo de longa data. O outro é de Arcos, oficial de justiça aposentado. Ambos choraram quando recebiam a Medalha Desembargador Helio Costa. Foram condecorados por serem pessoas de conduta ilibada que prestam relevantes serviços ao Poder Judiciário local, contribuindo de forma diferenciada para a realização da justiça.
É dessa força que falo. É essa energia que precisamos renovar para encarar os desafios que nos esperam em 2012. O mundo precisa de homens fortes, que choram e fazem chorar justamente quando o sorriso seria incapaz de traduzir a grandeza de suas personalidades.
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Conteúdo exclusivo do Jornal Correio Centro Oeste
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