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RECORTES DO TEMPO – HISTÓRIAS DE ARCOS

A história de José Ferreira na Companhia Telefônica de Arcos e outras lembranças

Publicada em: 04 de janeiro de 2020 às 08h00
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

José Ferreira, mais conhecido como Zé da Telefônica, trabalhou por 16 anos na Companhia Telefônica de Arcos. Ele conhecia de perto todo o sistema existente no Município. Em entrevista a Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO no projeto Recortes do Tempo - Histórias de Arcos, ele contou sobre a época em que trabalhou como técnico de telefonia. 

José Ferreira, de 82 anos, é natural de Quilombo, uma comunidade pertencente à cidade de Pains-MG. É filho de Antônio Albino Ferreira, que trabalhou na Rede Ferroviária de Arcos e de Maria Benedita Ferreira. Foi casado com Nadir Ferreira da Silva, com quem teve duas filhas, Maria Aparecida Ferreira e Jane Rose Ferreira.

Começou a estudar depois dos 8 anos de idade, em 1945. Ele relembrou que naquela época, vários alunos foram reprovados em matemática e tiveram que repetir o ano, por causa da mudança na moeda. “Tomei bomba em Matemática. Naquele ano, vários alunos tiveram que repetir o ano. Houve mudança na Moeda e houve muita confusão. Um tostão no Cruzeiro era 0,10 centavos. Foi uma mudança brava e eu confundi. 10.000 Reis passaram a valer 10,00 cruzeiros”.

Aos 13 anos, José Ferreira trabalhou com o Sr. Geraldo Zuquim Amorim, filho de Martiniano Zuquim, que tinha três fornos de cal. Lá ele trabalhou como apontador, auxiliar de escritório e no almoxarifado. No ano de 1953, aos 17 anos, trabalhou na Rede Ferroviária Água Doce, Limeira e Estação da Icominas. Seu terceiro trabalho foi na máquina de beneficiar arroz e café, do Sr. Renato Calácio, onde ficavam dezenas de carros de boi aguardando esse beneficiamento. Em seguida, trabalhou no Posto Esso, do Sr. João Batista Gomes Filho.

 

Companhia Telefônica

Em 1969, José Ferreira começou a trabalhar na Companhia Telefônica de Arcos. Ele lembra que, anteriormente, Eurípedes Ribeiro, irmão de “João dos Lotes”, chegou a Arcos e procurou Dr. Moacir Dias de Carvalho e o incentivou a vender telefones para construir uma empresa telefônica na cidade. “Chegaram à conclusão de que, com a venda de 100 telefones, daria para instalar uma pequena empresa em Arcos. Depois foi expandindo para 200, 300”, contou. Segundo ele, Arcos foi a primeira cidade da região a ter esse sistema automático. Não havia ainda em cidades como: Formiga, Campo Belo, Divinópolis, Bambuí. Nessas cidades, era bateria central e era necessário pedir ligação.

Quando Paulo Marques assumiu a Prefeitura (gestão 1977/1983), ele convidou José Ferreira para acompanhá-lo juntamente ao Dr. Moacir, para que fosse realizada a troca do sistema para TELEMIG. “Pediram que os acompanhassem por conhecer de perto todo sistema existente no município. Nosso sistema era automático e o equipamento, Siemens do Brasil”, disse.

 

Pedágio para entrar e sair da cidade

Em suas memórias, José Ferreira relembra que sua mãe lhe contava que no ano de 1952, ela e seu pai moravam em uma casa da Rede Ferroviária, ao lado da residência de Tenente Florêncio Rodrigues Nunes. Em frente a essa casa havia uma porteira, e para passar por ela era necessário pagar pedágio. Essa estrada ligava Arcos à região da Boca da Mata, ao Corumbá; às cidades de Pains, Pimenta, Piumhi e Passos. Ele conta que quando o carro buzinava, poderia ser qualquer hora do dia ou da noite, sua mãe se levantava para destrancar a porteira e receber o valor do pedágio.

Segundo José Ferreira, a caixa de água que abastecia a cidade e a “Maria Fumaça” era de propriedade de Tenente Florêncio Rodrigues Nunes. O reservatório ficava próximo da Estação Ferroviária, onde é atualmente o Lactário Municipal, e a água ia para a cidade por meio da gravidade da barragem. A Prefeitura recebia o valor da água dos moradores e ganhava uma porcentagem.

Na época em que Albertinho da Cunha Amorim era prefeito (gestão 1963/1967), foi instalada a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) em Arcos. Ele conta que a primeira exigência da empresa foi a enumeração das casas, pois elas não eram numeradas. “A Prefeitura comprou números de chapas furadas de 0 a 9, tinta preta e o Sr. Mário Bernardo (Barnabé) saiu enumerando todas as casas da cidade”, disse.

José Ferreira também se relembrou do Cinema de Arcos: “Em Calciolândia existia um Cinema. Quando iam passar um filme tinha de parar no meio da transmissão; acendiam as luzes para rebobinar a outra parte do filme, porque só havia uma bobina. No Cine Arcos eram duas bobinas, só dava um clique e pulava para a outra parte”.

 

Fonte: Dalvo Macedo - Colaborador do Jornal CCO