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Adolescentes dos Centros de Acolhimento em Arcos querem trabalhar, mas faltam oportunidades

“A gente podia estar trabalhando. Eu queria estar trabalhando” – enfatiza um educando de 15 anos

Publicada em: 05 de setembro de 2018 às 15h26
Arcos
Adolescentes dos Centros de Acolhimento em Arcos querem trabalhar, mas faltam oportunidades

Quarto do Centro de Acolhimento

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 1°/09/2018) - Edição 1964

O Centro de Acolhimento Institucional “Drª Ana Lúcia Rodrigues Costa” acolhe crianças e adolescentes de 0 a 18 anos incompletos, como medida excepcional e provisória, que tenham sido vítimas de abandono, maus-tratos, situação de risco e situações em que os direitos forem violados.

Em Arcos, atualmente, os casos mais frequentes que resultam no encaminhamento das crianças e dos adolescentes estão relacionados à negligência familiar, segundo a coordenadora dos Centros, Poliana Carlos Silva.

No Município existem duas unidades: O Centro de Acolhimento Masculino é situado na avenida Dr. João Vaz Sobrinho, onde atualmente estão oito educandos. O Centro de Acolhimento Feminino fica na rua Augusto Lara. Quatorze meninas estão nessa unidade atualmente (com repartição separada para as adolescentes). A capacidade máxima é de 20 educandos no total das duas casas, ou seja, o número supera a capacidade máxima permitida pela legislação vigente.

O CCO conversou com dois educandos, na manhã da última terça-feira (21): uma menina de 12 anos e um menino de 15. Para preservar suas histórias, evitando qualquer tipo de constrangimento, fizemos apenas duas perguntas: Como é o dia a dia na casa e do que eles sentem falta?

O menino disse que gosta de jogar bola, mas o que deseja mesmo é trabalhar. “A gente podia estar trabalhando. Eu queria estar trabalhando”, enfatizou.

A menina relatou: “Eu estudo, faço dever, tem o projeto Garoto Cidadão, tem aula de violão na Casa de Cultura, tem o projeto Escoteiros; e a gente ajuda a limpar a casa”. Poliana Silva explica que cada educando tem sua atribuição de arrumar a cama e ajudar nas tarefas de casa, porque estão sendo preparados para a vida. “Aqui é uma casa normal, e têm uma rotina normal como em qualquer outra casa. Então, cada um lava seu prato, às vezes ajudam a fazer um bolo, para aprenderem...”, explica.

 

‘[...] Ainda há uma rejeição, quando falamos que eles estão acolhidos no Centro de Acolhimento. O nosso desejo é que as empresas abram esses caminhos, essas oportunidades, para que eles possam se sentir valorizados e terem sua renda. A grande dificuldade que temos neste momento é o NÃO que a gente leva nas empresas’ – coordenadora dos Centros, Poliana Carlos Silva.

 

Dificuldade de inserção no mercado de trabalho –A legislação determina que os educandos fiquem no máximo dois anos no Centro, e os casos são revisados de seis e seis meses. No entanto, segundo a coordenadora, às vezes eles chegam com idade a partir de 12 anos e ficam até os 18 anos, porque existe a dificuldade de adoção de adolescentes. Quando completam 18 anos, precisam ser desligados do Centro. Existe toda uma preparação para esse desligamento. São feitas todas as tentativas para inseri-los no mercado de trabalho, com o devido encaminhamento para participarem dos processos seletivos, mas geralmente não são contratados. “Estamos com um público em que a maior parte é de adolescentes, e a nossa dificuldade é inseri-los no mercado de trabalho. Ainda há um preconceito, ainda há uma rejeição, quando falamos que eles estão acolhidos no Centro de Acolhimento. O nosso desejo é que as empresas abram esses caminhos, essas oportunidades, para que eles possam se sentir valorizados e terem sua renda. A grande dificuldade que temos neste momento é o NÃO que a gente leva nas empresas”, relata.

A coordenadora ressalta que todos os adolescentes das duas unidades de Centro de Acolhimento em Arcos estão muito angustiados por não conseguirem emprego. “Todos reclamam, pedem que a gente consiga emprego para eles, mas infelizmente estamos sendo barrados. Esperamos que as empresas tenham esse olhar pra eles”, solicita.

 

Imagem de um dos quartos do Centro de Acolhimento

 

Informe-se e colabore!  

Projeto de Apadrinhamento Colaborativo: Padrinhos voluntários que prestam serviços gratuitos, em horas disponíveis, em conformidade com a área de formação ou interesse, dentro da instituição de acolhimento ou em local próprio, mediante combinação prévia.

Projeto de Apadrinhamento Afetivo: A finalidade é resgatar o direito das crianças e dos adolescentes à convivência familiar e comunitária, ampliando suas referências, oferecendo a eles a oportunidade de se relacionarem dentro de outro ambiente, com novos exemplos de participação familiar e de cidadania, dentro da sociedade.

 

Quem deseja obter mais informações sobre os projetos desenvolvidos nas unidades, pode fazer um agendamento pelo telefone 3351-4113.

Imagem da cozinha do Centro de Acolhimento

 

Serviços prestados aos educandos – Na atual Administração Municipal, foram feitas reformas nas casas, separação de gênero, e também existe a interação do Secretário Municipal de Integração Social, de acordo com informação da Assessoria de Comunicação da Prefeitura.

Profissionais das áreas de assistência social e psicologia trabalham com a família no sentindo de reintegração dos menores. Quando esgotadas as possibilidades de convívio familiar, a Justiça – Vara da Infância e Juventude – determina a destituição para possível colocação em família substituta. A equipe de profissionais que acompanha os educandos também é composta por 14 educadores, dois auxiliares, uma coordenadora e um motorista.

Os educandos frequentam a escola regular, com transporte feito no ônibus escolar coletivo e no carro do Centro de Acolhimento. Têm aulas de circo, zumba, futebol e violão, além de participarem do projeto Garoto Cidadão e de outros eventos fora do Centro de Acolhimento. Por meio do Projeto de Apadrinhamento Colaborativo, já realizaram cursos de informática, balconista de farmácia e outros. As unidades não contam com professores e pedagogos para auxiliar os educandos nas tarefas de casa. Esse serviço já foi oferecido por meio do projeto de apadrinhamento colaborativo, porém, atualmente contam apenas com os educadores.

Eles podem passar fim de semana com os padrinhos e madrinhas (Projeto Apadrinhamento Afetivo). Alguns podem passar com as famílias. A partir do acompanhamento da equipe técnica, são enviados relatórios para a Promotoria de Justiça, solicitando a liberação de visitas no Centro de Acolhimento; e quando a família estiver preparada, são solicitadas as visitas na casa dos pais ou responsáveis.

Adoção – Antes de se chegar à conclusão de que o educando deve ser encaminhado para adoção, é realizado um trabalho com a família, tendo em vista o retorno da criança ou do adolescente, conforme determina legislação do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). De seis em seis meses é realizada uma audiência para decisão dos casos.