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RECORTES DO TEMPO – HISTÓRIAS DE ARCOS

“Antônio do Bazar” conta sua história de vida dedicada à fé, ao trabalho e à comunidade

Publicada em: 16 de julho de 2020 às 08h00
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 11/07/2020) - Edição 2059

Antônio da Costa Borges é arcoense de coração e também é o proprietário do antigo e famoso Bazar Tupi, que ficava localizado na avenida Governador Valadares (onde era a loja Ponto e Vírgula) e que teve um público fiel de clientes ao longo de mais de 30 anos. Ele também foi presidente do asilo Lar Pousada dos Bertos, participou por cinco anos como Ministro da Eucaristia e colabora com a Sociedade São Vicente de Paulo há 74 anos.

Em entrevista a Dalvo Macedo, colaborador do Jornal CCO no projeto Recortes do Tempo – Histórias de Arcos, contou sua história de vida dedicada ao trabalho, à comunidade e à sua fé. “Antônio do Bazar” está com 82 anos e aposentado. É casado com Maria José Ribeiro Borges, com quem teve três filhas: Rivânia Aparecida Ribeiro (filha biológica), Alexandra Ribeiro Borges e Maria Cristina Ribeiro Borges (filhas adotivas). O casal tem quatro netos.

Antônio Borges é natural de Divinópolis (MG) e Maria José, da cidade de Cristais (MG). Eles vieram para Arcos em 1963 e no ano de 1964 eles decidiram abrir o conhecido Bazar Tupi. Ficava localizado na avenida Governador Valadares (onde era a loja Ponto e Vírgula). A loja era o “paraíso” das crianças, onde havia muitos brinquedos. Também eram vendidos vários outros produtos: “Nós vendíamos papelaria, muitas ‘miudezas’, utensílios de cozinha, peças, imagens de santos, brinquedos, artigos femininos e masculinos”, conta. O bazar funcionou em Arcos por aproximadamente 40 anos, sendo fechado no ano de 2002.

Maria José, além de ajudar no bazar, também trabalhava como professora. Ela se formou em 1969 na escola Santa Terezinha, na cidade de Formiga. Começou a lecionar na escola das Paineiras, em Arcos. Também trabalhou na escola estadual “Yolanda Jovino Vaz”, onde ficou até se aposentar. Emocionada, Maria José falou de seu amor pela profissão: “Quando eu entrava em sala de aula, não era só o lado profissional, entrava junto o meu lado pessoal. Me emocionava, defendia e cobrava dedicação aos meus alunos, na mesma proporção; eu tinha um compromisso enorme, porque eu acreditava e ainda acredito que a educação é uma grande porta aberta para que os alunos possam ampliar os seus horizontes. Só assim eles saem enriquecidos pelo ambiente educacional", comentou.

Maria José era irmã do conhecido professor Roulien, que ficou muito conhecido na cidade por seus programas de rádio. Segundo ela, antes de ele vir para o Município, começou a estudar em um colégio interno para se tornar padre, porém, após um tempo ele deixou os estudos.

 

Bazar Tupi (Arquivo da família)

 

Presidente do Asilo Lar Pousada dos Bertos

Antônio Borges foi presidente do Asilo Lar Pousada dos Bertos. Foi durante sua gestão que ocorreu a construção da atual sede da instituição. Segundo ele, o Sr. Geraldo Berto foi quem doou e realizou a construção do asilo e passou a escritura para a Sociedade São Vicente de Paulo. “Geraldo Berto me procurou. Ele me disse que queria fazer uma construção lá e pediu que eu fosse com ele para nós medirmos o terreno. Nós fomos e medimos a quadra toda que ele precisava. Aí ele construiu o asilo e pagou na época R$100 mil, para ter o direito de construir ali”, relembrou. Em junho de 1980, foi celebrada uma missa de inauguração do asilo.

Antônio Borges também foi tesoureiro na Santa Casa de Arcos por dois anos, na gestão de Hermano Bedonni.

 

Homem de fé

Sr. Antônio é um homem religioso e que há muitos anos vive sua missão de ajudar o próximo. Há 74 anos, é Vicentino, ajudando voluntariamente na Sociedade São Vicente de Paulo em Arcos. “Eu nunca deixei de ser um contribuinte, um confrade lá na Sociedade São Vicente de Paulo. Ir visitar os pobres é uma coisa muito interessante e muito gratificante, porque hoje em dia as pessoas são muito menosprezadas e muitas vezes não recebem nenhuma visita e não têm nem uma palavra amiga. Então, eu gostei muito e até hoje eu sou um Vicentino”, disse.

Ele também atuou como Ministro da Eucaristia por cinco anos, nas paróquias Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora do Rosário. Para ele, ser Ministro da Eucaristia foi uma bênção, porque tinha a oportunidade de levar a sagrada comunhão para as pessoas que não tinham condições de ir à igreja. Ele relembrou de uma história que aconteceu durante o período em que serviu como ministro: “Eu emprestei meu carro para meus companheiros, João Romano e Elmo Pires Soraggi (Tuta), irem realizar um culto na comunidade da Barra do Melo. Quando retornavam, na descida do ‘morro do Sr. Berto’, o fusca apagou a parte elétrica e não dava partida. O Sr. João Romano desceu do carro e expressou: ‘Sr. Jesus, com a âncora na mão, leva este carro até a Igreja’. Entrou no carro e disse: - ‘Liga!’. O carro funcionou; quando chegou na Igreja, desligou”.

 

Um arcoense de coração

Sr. Antônio Borges é natural de Divinópolis, porém, está em Arcos há 57 anos. Durante a entrevista, ele comentou que ama a cidade de Arcos e pediu para declarar um verso que ele mesmo fez, em homenagem à cidade:

Orgulho de ser mineiro e de ser um arcoense. Sou filho desta cidade e o que sinto não se pense. Eu topo qualquer parada e com nada me convence. Sou orgulho de ser da família arcoense. Sou filho desta cidade, desta terra hospitaleira, onde tem homem honrado e morena linda e parceira; onde canta o sabiá no galho da laranjeira, por isso eu quero exaltar esta cidade mineira. Orgulho para ser orgulho, eu digo mesmo a verdade, aqui dentro de Arcos tenho grandes amizades. Gente fina e delicada, eu digo sem falsidade, por isso vai um abraço ao povo desta cidade!”