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APAC em Arcos precisa de melhorias na estrutura

Publicada em: 13 de outubro de 2017 às 14h10
Arcos
APAC em Arcos precisa de melhorias na estrutura

Alguns dos trabalhos artesanais feitos pelos recuperandos da APAC em Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 07/10/2017) - Edição 1917

A APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) é uma entidade civil de direito privado, dedicada à recuperação e reintegração social dos condenados a penas privativas de liberdade. Segundo o empresário Francisco Ferreira de Jesus, presidente da entidade em Arcos, estatísticas recentes mostram que aproximadamente 75% se recuperam e apenas 25% reincidem ao crime.

A associação foi criada em 1974, em São José dos Campos/SP, por um grupo de 15 pessoas lideradas pelo advogado Mário Ottoboni. O objetivo principal foi evitar a reincidência no crime e oferecer alternativas para o condenado se recuperar.

Em Arcos, segundo o presidente, no ano de 2007 iniciou-se um novo trabalho para reimplantação da APAC na cidade, com a ajuda da Prefeitura, que emprestou o terreno e o pequeno imóvel nele contido. Em abril de 2007, o juiz de direito da Comarca de Arcos, Joaquim Morais Junior, com o apoio do desembargador Joaquim Alves de Andrade, apresentou um novo projeto para a instituição, na PUC Minas em Arcos, na presença de estudantes e professores do curso de Direito.

Na época, conforme relata o presidente da APAC, “Dr. Joaquim Morais Junior tirou 10 presos da sua confiança da Cadeia Pública, para concluírem a obra”. Com a ajuda da Prefeitura, e também da sociedade de Arcos, a obra foi inaugurada em abril de 2008.

Atualmente a APAC em Arcos conta com 44 recuperandos, sendo seis em regime aberto, 17 em regime semiaberto e 21 em regime fechado. É mantida com recursos provenientes de convênio firmado com o Estado, a Prefeitura e o TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais). O dinheiro é para cobrir despesas de manutenção do CRS - Centro de Reintegração Social (alimentação, higiene e custos administrativos).

Para melhorar os serviços prestados na entidade, é necessário melhoria estrutural para elaboração de laborterapia e oficinas, ampliação das celas dos regimes fechado e semiaberto, industrialização da cozinha e lavanderia, bem como a legalização da doação e documentação de posse do terreno onde se encontra o CRS, relata o presidente.

 

APAC precisa de nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e professores voluntários – Os recuperandos desenvolvem trabalhos artesanais; atividades de manutenção e limpeza do CRS; trabalhos agrícolas; serviços de portaria e recepção; cozinha; e fabricação de blocos de concreto.

Nesses trabalhos que os recuperandos desenvolvem, existe um sistema de participação nos resultados, sendo que um percentual é voltado para aquisição de matéria-prima e para o recuperando. Também é feito um sistema de remissão de pena. A cada três dias trabalhados, reduz-se um dia na pena, mediante planilha comprobatória apresentada ao Judiciário.

Segundo o presidente Francisco de Jesus, a APAC também recebe apoio de voluntários nas áreas de psicologia, artesanato, yoga, teatro e espiritualidade. A maior necessidade no momento é de nutricionistas, enfermeiros, assistentes sociais e professores. A APAC não possui uma escola, mas os recuperandos frequentam o CESEC (Centro Estadual de Educação Continuada) e a UNIP (Universidade Paulista).

Recuperação e reincidência – De acordo com informações enviadas ao CCO pelo diretor, estatísticas recentes mostram que 75% dos detentos que vão para a APAC chegam ao processo de recuperação e apenas 25% reincidem no crime. Também informou que existem casos de recuperandos que saíram em liberdade e continuaram desenvolvendo, como autônomos, os trabalhos que faziam na APAC, mas a maior parte deles consegue voltar ao mercado de trabalho.
Em relação às fugas, o número em Arcos é abaixo da média estadual e nacional, segundo o presidente. Em 2015 ocorreram três fugas, em 2016 foram oito fugas e em 2017, um abandono e uma fuga. O abandono aconteceu quando o recuperando teve direito a uma saída temporária para ficar sete dias com a família. No entanto, ele não retornou na data determinada, tornando-se foragido.

Como contribuir – Se você deseja comprar os produtos feitos pelos recuperandos da APAC ou tornar-se voluntário, ligue (37) 3351-3329 ou vá à sede da entidade (Avenida Progresso, 1898-2078, Olaria) no horário administrativo, das 08h às 16h. Os trabalhos são divulgados no Facebook.

 

O Mário Ottoboni olhou para nós e acreditou que é possível mudança’ – recuperando Willian Pereira da Silva (APAC em Arcos)

Willian Pereira da Silva, de 23 anos, natural de Governador Valadares, é recuperando na APAC em Arcos. Ele faz parte do grupo teatral da entidade, que se apresentou em São João Del Rei durante o 8º Congresso das APACs, no dia 7 de agosto, para representantes de 11 países. Na ocasião, Willian realizou o sonho de conhecer o criador do “Método APAC”, o advogado Mário Ottoboni, e lhe deu um abraço (foto). “Eu tinha o sonho de conhecer um homem que olhou com olhos diferentes para o sistema carcerário [...]. Quando eu abracei o Mário, foi como se eu tivesse abraçado meu pai. O Mário Ottoboni olhou para nós e acreditou que é possível mudança [...]. Ele sabia que no sistema prisional comum não é possível recuperação. Muitas das vezes acontece o contrário”, diz o recuperando.

Sobre a apresentação teatral, Willian agradeceu: “O responsável pela peça, Donizetti Bernardes, acreditou em cada um de nós e nos disse que tínhamos capacidade para a apresentação no Congresso”.