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Área da rua Getúlio Vargas já foi cemitério

Publicada em: 15 de maio de 2017 às 08h17
História de Arcos
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Área da rua Getúlio Vargas já foi cemitério

Rua Getúlio Vargas, no centro comercial de Arcos

(Publicada pelo Jornal CCO impresso em 19-03-2017)

A professora aposentada e escritora Nazaré Soraggi, viúva do saudoso professor Humberto Soraggi Filho, que também era escritor, tem informações curiosas referentes à criação da rua Getúlio Vargas, localizada no centro comercial de Arcos.
Em entrevista ao CCO, Dona Nazaré contou que, no início, tinha apenas poeira e mato na região, até que o prefeito da época, José Vilela, loteou e mandou calçar as ruas centrais. “Na época, eram apenas a minha casa e outras poucas localizadas do outro lado da parte central da cidade. No local onde é a Casa de Cultura funcionava a cadeia pública, e logo abaixo, um almoxarifado”, comentou.
Segundo Dona Nazaré Soraggi, o local onde foi construída a Santa Casa era um pasto enorme, e a área onde hoje funciona o prédio da escola Berenice de Magalhães Pinto era uma casa de apoio às pessoas pobres, com quartos e uma estrutura montada para esse tipo de serviço. Segundo ela, na época não existia ainda a Vila Vicentina. Mais tarde o terreno da casa de apoio seria vendido para a construção da escola.
“A Santa Casa foi construída em um terreno doado pela família de uma senhora chamada Dona Rita, contando com o apoio de voluntários da época, vindo a funcionar posteriormente por intermédio do Professor Humberto Soraggi”, completou Dona Nazaré.
Dona Nazaré disse que, na época, existia apenas a residência dela nessa rua, e do outro lado, onde hoje é o centro comercial, existia apenas um vão. “Era um vão, existia apenas um cemitério velho. Naquele miolo não tinha nada, nenhuma casa, e quando começaram as construções de casas e prédios, foram encontrados muitos ossos, provenientes do cemitério que ali existia”, explicou.

 

Inauguração da rua


De acordo com informações obtidas junto à Secretaria Municipal de Administração da Prefeitura de Arcos, a rua Getúlio Vargas foi inaugurada em 20 de maio de 1955, por meio da Lei nº 120, que cuida da denominação a logradouros públicos da cidade, no governo do ex-prefeito João Vaz Sobrinho. No documento, lavrado pelo então secretário Aderbal Teixeira de Amorim, consta que a delimitação da rua Getúlio Vargas, já naquela época, teria seu início considerado a partir da praça Floriano Peixoto até a confluência com a avenida Governador Valadares.

 

Presidente Getúlio Vargas: “Pai dos pobres e mãe dos ricos”


Getúlio Vargas governou na chamada Era Vargas, que durou 19 anos, no período de 1930 a 1945, e de 1951 a 1954. A Era Vargas teve como um dos destaques a criação de diversos direitos trabalhistas, entre eles, o salário mínimo, a carteira de trabalho e as férias anuais remuneradas. Mas também foi marcada por um regime ditatorial, com relatos de torturas.
De acordo com informações do site historiailustrada.com.br, Getúlio ficou conhecido como “Pai dos Pobres” e “Mãe dos Ricos”, devido à sua capacidade de “barganhar com os diferentes setores da sociedade”. Para obter o apoio popular, instituiu o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), que centralizou toda produção publicitária nacional, controlando (e censurando) tudo o que fosse de interesse do governo. Também adotou medidas para o fortalecimento de sua imagem, divulgando os feitos do governo sempre com especial destaque a seu nome.
Em novembro de 1937, dissolveu o Congresso Nacional e instalou a ditadura do Estado Novo, com forte repressão política. Em outubro de 1945, foi deposto pelos militares.
Em 1951 Getúlio voltou à presidência da República, dessa vez pelo voto popular, iniciando a “Nova Era Vargas”, voltando a amparar os trabalhadores assalariados e a defender as riquezas nacionais. Autorizou o aumento de 100% do salário mínimo, provocando revolta entre os patrões. Criticou a remessa do lucro das empresas estrangeiras para fora do país.
Diante da ameaça que Getúlio representava para o capital internacional, a oposição começou a se articular. As pressões aumentaram, manifestações militares exigiam a renúncia de Vargas. No dia 24 de agosto de 1954, Getúlio recebe um ultimato do Ministro da Guerra, exigindo seu afastamento. Isolado no Palácio do Catete, Getúlio redige seu testamento e suicida-se em 24 de agosto de 1954.