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AVC e infarto: doenças que também acometem jovens

Fatores de risco como stress, falta de atividades físicas e outros estão contribuindo para a ocorrências dessas doenças em jovens

Publicada em: 19 de fevereiro de 2019 às 13h41
Arcos
Saúde

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 09/02/2019) - Edição 1987

A maior causa de morte em países ricos e emergentes são doenças cardiovasculares. De acordo com matéria publicada no site do Ministério da Saúde, em todo o mundo, 17 milhões de pessoas sofrem de problemas no coração. No Brasil, essa taxa anual chega a 300 mil, o que corresponde a uma morte a cada dois minutos.

Em uma década, de 2004 a 2014, 3,5 milhões de mortes foram provocadas por problemas no coração e na circulação sanguínea. O número corresponde a quase mil mortes por dia. Entre as ocorrências mais comuns estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), com 100 mil casos, seguido pelo infarto, com 85,9 mil casos. Doenças relacionadas à hipertensão chegam a 46,8 mil registros e 27,3 mil são de insuficiência cardíaca.

Para falar sobre essas doenças que vêm acometendo muitos brasileiros e principalmente um grande número de pessoas jovens, o Jornal CCO entrevistou o médico cardiologista Antônio José Cunha Alves.

Tipos de AVC e Infarto

Na entrevista, Dr. Antônio Alves descreve os tipos de AVC e de infarto que acometem a maioria das pessoas. Segundo ele, didaticamente o infarto pode ser dividido em dois tipos diferentes (mais comuns). O mais grave seria o infarto com supra – que é quando ocorre a total obstrução da artéria que nutre o músculo; e o infarto sem supra – quando não há a completa obstrução da artéria. Ambos podem levar à morte ou deixar sequelas, e precisam de um atendimento rápido e completo.

O AVC, didaticamente, é dividido em isquêmico e hemorrágico. Segundo o médico cardiologista, o AVC isquêmico, que costuma ser o menos grave, é quando a pessoa perde o fornecimento de sangue para uma determinada área cerebral, o que quase sempre é provocado por uma obstrução causada por uma placa de colesterol. Já o AVC hemorrágico seria o maior representante do popular ‘derrame’: “Ele ocorre pelo rompimento de uma artéria e o derramamento de sangue no tecido cerebral, causando a morte de células irrigadas por esta artéria e o sofrimento daquelas que circundam essa área hemorrágica”, explica.

Frequência dessas doenças em jovens

O médico, que atende em um consultório em Arcos e trabalha em três CTIs na cidade de Divinópolis, realiza vários atendimentos a pessoas acometidas por esses quadros. Segundo ele, o AVC e o infarto geralmente atacam as pessoas idosas, porém, também atinge pacientes de várias faixas etárias, incluindo adultos e jovens.

A reportagem do Jornal CCO questionou se está sendo observado um aumento no número de pessoas jovens que estão sofrendo com essas doenças. O médico disse que sim, principalmente pelo fato dos principais fatores de riscos já estarem presentes em idades mais jovens. “O stress da vida moderna, a falta de atividade física, a obesidade, o colesterol aumentado, a presença de diabetes e pressão alta. Essas condições levam a um aumento da incidência de AVC e infarto, inclusive em populações mais jovens”, comentou.
Hábitos saudáveis

Dr. Antônio Alves explicou que a melhor forma de diminuir os riscos de se ter infarto e AVC é com a prática de hábitos saudáveis, como parar de fumar, diminuir o consumo de bebidas alcoólicas, controle da pressão e do diabetes, a manutenção de um peso ideal, uma dieta balanceada, evitar o stress, uma boa noite de sono e a prática regular de atividades físicas. Também ressaltou que não há nada, na luz dos conhecimentos atuais, que anule o risco de se ter essas doenças, porém, as práticas de uma vida saudável diminuem as possibilidades.

Quanto aos riscos, além de uma vida sem hábitos saudáveis, um histórico familiar com essas doenças pode aumentar a probabilidade da pessoa ser acometida. “Aparentemente, todos nós corremos esse risco. Sabe-se que os pacientes que não seguem um hábito saudável de vida têm uma chance aumentada. Sabe-se que aqueles que têm uma história familiar para essas doenças também correm mais riscos”.

O médico finalizou ressaltando a importância de se ter hábitos saudáveis. “A prevenção ainda é o melhor remédio. Temos a possibilidade, diariamente, de implementar hábitos saudáveis de vida para diminuirmos o risco de ficarmos doentes. Cabe a cada um de nós tomar a decisão de praticarmos isso diariamente”, disse.