Vende-se Apartamento
Série Ex-Prefeitos de Arcos – Edgar Faria

Calçamento da cidade, investimentos em escolas e outras importantes iniciativas

Publicada em: 02 de agosto de 2020 às 08h00
Arcos
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos
Série - Ex-Prefeitos de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 25/07/2020) - Edição 2061

Edgar Faria Gontijo nasceu em 12 de fevereiro de 1920 e faleceu em 1991, aos 71 anos. Ele teria completado 100 anos no dia 12 de fevereiro. Foi casado com Juracy Guimarães de Faria (in memoriam) e o casal teve seis filhos biológicos: Fernando(in memoriam),Olívio (“Zizo” – que também foi prefeito de Arcos /in memoriam), Maria da Glória (in memoriam), Fausto (in memoriam), Solange e Evaristo (Lilito). Kênia é filha adotiva.

Foi prefeito de Arcos em duas gestões. Na primeira (1º/02/1959 a 31/01/1963), teve ao lado o vice-prefeito José Bernardes Sobrinho (Juca Militão). O prefeito anterior era o médico João Vaz Sobrinho (que cumpriu seu quarto e último mandato). Nessa primeira gestão, Edgar Faria foi sucedido porAlbertino da Cunha Amorim e retornou para cumprir a gestão 1º/2/1967 a 31/01/1971, tendo como vice,Colotário Alves. José Rezende foi o próximo prefeito de Arcos, apoiado por ele.

A Revista Flash de Minas (ano 1961) publicou uma reportagem sobre a gestão de Edgar Faria Gontijo, com o título: Um administrador capaz e sobretudo bem-intencionado. O CCO teve acesso a uma cópia da edição, cedida pelo Museu do Enéias.O texto, assinado por A.C. Cunha, começa assim:

“Boa estatura, cabeça começando a grisalhar, calado e sistemático, assim é o prefeito da progressista cidade de Arcos, Sr. Edgar Faria Gontijo. Com 41 anos de idade, o chefe do Executivo arcoense é um pacato cidadão que não mede esforços e nem sacrifícios para dar ao povo da sua comuna um melhor nível de vida.Sem fazer alarde e governando com prudência, o Sr. Edgar Faria Gontijo tem feito obras de grande vulto e há muito reclamadas pela população. Avesso à publicidade e a elogios, não deseja continuar na vida pública após o término do seu mandado. Homem de posses e bastante estimado em toda a região Oeste, poderia se eleger facilmente, caso quisesse, deputado à Assembleia Legislativa ou até mesmo à Câmara Federal. Quando alguém lhe pergunta se não tem outras pretensões políticas, invariavelmente responde: - Felizmente, não. Assim que deixar a Prefeitura, quero voltar a me dedicar inteiramente a negócios particulares, que estão meio paralisados desde que tomei posse”. Edgar Faria era fazendeiro.

Na reportagem, é relatado que ele foi eleito pelo PSD (Partido Social Democrático) e sempre contou com a maioria na Câmara de Vereadores. Apesar das “naturais intrigas políticas”, até então estava conseguindo realizar seus projetos administrativos, com apoio o Legislativo Municipal.

A.C. Cunha continua a reportagem com descrições de Edgar Faria: “Fala mansa, conduta ilibada e peculiarmente sincero, o Sr. Edgar Faria Gontijo tem contado até agora também com o decidido apoio do povo local, que vê nele a figura de um administrador capaz e, sobretudo, bem-intencionado. Sem inimigos particulares, apesar disso conta com elevado número de adversários políticos. Estes, sem elementos capazes de incompatibilizá-lo com a opinião pública, outra coisa não fazem senão ficar silenciosos; e em consequência disso, a cidade passou a viver num clima de completa paz política. Neutralizando os adversários mais ferrenhos, sem, contudo, hostilizá-los, conseguiu, em virtude disso, voltar os olhos exclusivamente para os inúmeros problemas de sua administração e, aos poucos, vai dando as necessárias soluções a todos eles”.

 

“O primeiro superávit da Prefeitura de Arcos”

Em entrevista à Revista Flash de Minas (edição de 1961), Edgar Faria disse que no exercício daquele ano, Arcos teria seu primeiro superávit. “Felizmente, neste ano, vamos conhecer ‘superávit’, se Deus quiser. Ao que tudo indica, a previsão que fizemos vai dar quase que exatamente certo, pois para uma arrecadação de Cr$ 4.956.704,60, vamos ter uma despesa já evidentemente orçada em Cr$4.262.856,00. [...] O superávit será da ordem de Cr$693.848,60.

Conforme relatou o então prefeito, o Município não recebia recursos do Governo do Estado, dificultando os investimentos necessários. “A única esperança que temos agora é que o eminente governador Magalhães Pinto, com sua peculiar inteligência e o seu reconhecido desejo de amparar eficazmente os municípios, venha a voltar os olhos para esta cidade que o viu crescer e que já lhe deu inúmeras provas de gratidão e estima”.

Na época, o então Prefeito informou ao jornalista da Flash Minas que a Prefeitura de Arcos mantinha 20 escolas rurais e que o número era insuficiente para atender a todas as crianças em idade escolar. Além das escolas municipais, Arcos contava apenas com um “grupo escolar estadual” [que provavelmente era a escola “Iolanda Jovino Vaz”] e com a Escola Comercial Arcoense [“Colégio Dom Belchior”], para “estudo de grau médio”, que mantinha certo número de alunos bolsistas. “Para amenizar um pouco a situação da falta de grupos escolares, pretendo solicitar ao secretário Oscar Dias Corrêa que inclua Arcos na relação de cidades a serem beneficiadas com novas unidades educacionais primárias”, disse ao jornalista. Ele se empenhava para conseguir, junto à Secretaria de Educação do Estado, a construção rápida de um novo grupo escolar com capacidade para atender pelo menos 1.200 crianças.

 

Obras

A Revista Flash Minas noticiou as seguintes obras realizadas na gestão de Edgar Faria [até 1961]: “o calçamento das principais ruas, o restabelecimento da iluminação pública, a construção de um novo matadouro e de várias pontes, a instalação da Prefeitura em prédio mais amplo, a captação de um volume maior de água e, finalmente, a melhoria e conservação das estradas municipais que estavam em lastimável estado”. O prefeito informou, na ocasião, que a energia elétrica fornecida pelas duas usinas de propriedade da Prefeitura era insuficiente para o consumo e, portanto, havia a expectativa da celebração de um convênio com a Cemig, para fornecimento de energia gerada em Gafanhoto.

No livro História de Arcos, de Lázaro Barreto (1992), são relatadas as obras das duas gestões de Edgar Faria. Na primeira gestão, as principais realizações foram as seguintes: calçamento de várias ruas e praças; asfaltamento da avenida Governador Valadares; canalização de água potável do Córrego das Almas, em tubos galvanizados; construção de várias escolas na cidade e na zona rural; eletrificação de muitas partes da cidade, inclusive do bairro Bela Vista.Na segunda gestão: calçamento de ruas do centro e dos bairros; convênios para construção de escolas estaduais; construção de escolas municipais; empossamento do imóvel onde funcionava a Prefeitura (prédio antigo); melhoramento em ruas, praças e estradas rurais e outras.

 

Solange Maria Guimarães de Faria, filha de Edgar Faria

 

Edgar Faria começou a vida trabalhando em um engenho

O CCO conversou com Solange Maria Guimarães de Faria, filha de Edgar Faria. Ela nos cedeu relatos sobre o pai. Edgar era filho de Maria da Conceição Álvares Gontijo e José Vieira de Faria. Passou a maior parte de sua infância e juventude na Fazenda do Engenheiro, em Calciolândia, onde trabalhou em um engenho, fabricando aguardente para ser vendida na região. Fez o curso primário no antigo Grupo Escolar de Arcos e também estudou em Calciolândia. Aos 18 anos, fez o Tiro de Guerra. Participou da Diretoria de vários partidos políticos, sendo eleito presidente da Aliança Renovadora Nacional. Também foi membro das diretorias do PSD e do PFL (Partido da Frente Liberal).

Solange conta que o pai era bem-humorado e amável. “Estava sempre com a gente, com a família. Ele sempre me pegava no colo, mesmo quando eu já estava grande. Eu o acompanhava nas inaugurações, quando ele era prefeito. Sinto-me muito orgulhosa diante do que meu pai fez pela cidade. Eu era pequena na primeira gestão, mas lembro de tudo. Sinto muita saudade dele e da minha mãe”. Apesar de sua grande contribuição para o Município, Edgar Faria não nomeia nenhuma rua ou instituição em Arcos, lamenta a filha.

 

Arcos em 1961: desenvolvimento comercial e industrial

Arcos é descrita na Revista Flash Minas [Edição de 1961] como uma cidade riquíssima, já naquela época, devido seu solo ter grandes reservas de calcário, além de inúmeros minérios preciosos. A cidade também possuía um dos maiores rebanhos de bovinos, suínos e equinos e estava com uma agricultura em grande desenvolvimento, produzindo abundantemente milho, arroz, feijão e mandioca e – em menor escala – café, cana de açúcar, algodão, abacaxi e batatas, ocupando lugar de destaque na pecuária mineira.

A partir de 1955, as atividades comerciais arcoenses tiveram maior desenvolvimento, assim como o setor de construção civil. No setor industrial, Arcos já contava com várias fábricas importantes, a exemplo da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), Icominas e a Companhia de Cimento Portland Itaú, do Grupo Votorantim. Com maior destaque na revista estão as empresas Samigue – que produzia leite em pó e manteiga – e a Comice, que produzia cimento.

De acordo com o recenseamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 1960, Arcos contava com 17.213 habitantes.

 

 

 

DIRETORES DA CIA TELEFÔNICA - Notícia publicada na Revista Flash Minas em 1961 - Josafá Rodrigues da Cunha (Fafá - de óculos), Dr. Moacir Dias, João Batista Gomes Filho (Dico Padeiro) e Edson Fonseca – “Seu Edinho” (que fez a primeira ligação telefônica em Arcos) - A cópia da revista foi cedida ao CCO pelo “Museu do Eneias”

 

 

“Os arcoenses poderão falar para qualquer parte do mundo [por telefone]” – Notícia de 1961

O primeiro passo para que os moradores de Arcos pudessem contar com o serviço de telefonia local foi a constituição de uma companhia telefônica, fundada em 15 de janeiro de 1960, com um capital social de Cr$3.960.000,00, investido pelo povo arcoense. Na Revista Flash Minas (Edição de 1961) é relatado: “Reunindo-se pela primeira vez numa das salas do antigo Grupo Escolar Iolanda Jovino Vaz, os idealizadores da CTA firmaram [...] as diretrizes que deveriam ser cumpridas pela empresa que acabavam de organizar. E, de acordo com o plano preestabelecido, em pouco tempo a companhia já tinha o seu capital formado e imediatamente assinou contrato com a Siemens do Brasil para fornecimento e a montagem da rede telefônica. [...]  A poderosa empresa alemã, em pouco mais de dois meses, conseguiu montar ali um centro telefônico automático [...], com capacidade inicial de 100 linhas. [...] A Siemens do Brasil já está encarregada pela CTA de proceder a ligação interurbana de Arcos com Formiga. [...] Dentro de poucos meses, os arcoenses poderão falar para qualquer parte do mundo. Isso, dado ao grande desenvolvimento atual da cidade, vai facilitar muito o incremento de negócios, pois ali já estão instaladas grandes indústrias, inclusive algumas de capital estrangeiro”.

Na reportagem, a Companhia Telefônica de Arcos foi descrita como uma das mais perfeitas do gênero e passou a funcionar no dia 10 de março de 1961. “Contando com a experiência técnica da Siemens do Brasil, os srs. Edison Fonseca [diretor-presidente], Moacir Dias de Carvalho [diretor- superintendente] e João Batista Gomes Filho – “Dico Padeiro” [diretor-tesoureiro], idealizadores da CTA, organizaram a referida empresa de acordo com os mais avançados métodos de serviço. [...] Cada assinante de telefone, antes de contar com o aparelho, teve que, primeiramente, adquirir um grupo de 40 ações da companhia [...]”. Portanto, Arcos conta com telefonia fixa há mais de 59 anos.