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Câncer: do desespero do diagnóstico ao alívio da ‘cura’ ou da remissão

O CCO entrevistou duas moradoras de Arcos que tiveram a doença e se recuperaram

Publicada em: 21 de fevereiro de 2018 às 08h32
Superação

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 17/02/18) - Edição 1936

Quem nasceu até a década de 1970 e tem mais de 40 anos de idade pertence a uma geração que assimilava o diagnóstico de câncer a uma sentença de morte. Por hábito ou mesmo superstição, o nome “câncer” geralmente não era pronunciado. Falava-se: “aquela doença”.

Nas últimas décadas, diante das informações sobre meios de prevenção e tratamentos que permitem melhor qualidade de vida para os diagnosticados e até mesmo a “cura”, essa percepção mudou. Exemplo disso é o câncer de mama, que é o mais detectado entre as mulheres. Estudos mostram que o diagnóstico precoce leva a um índice de cura de até 95% e que, entre os 40 e 50 anos, o ganho de diminuição de mortalidade com a mamografia é menor que entre os 50 e 69 anos, de acordo com depoimento da mastologista Carolina Fuschino, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, em matéria do site www.uai.com.br.

Em Arcos, Aparecida Alves Campos, de 54 anos, e Aparecida Aguiar Batista, de 61 anos, passaram pelo processo de tratamento contra o câncer de mama. Em entrevista ao CCO, elas disseram que terminaram os tratamentos e estão curadas.


“[...] Eu olhei para o céu e agradeci muito a Deus, porque o câncer apareceu em mim e não nos meus filhos. O câncer na gente não é nada não, mas nos filhos, dói [...]” - disse Aparecida Alves Campos

Aparecida Alves Campos é casada com Sebastião Dias Campos. Eles têm dois filhos e um neto. Em entrevista ao Jornal CCO, Aparecida contou que foi diagnosticada com câncer de mama em 15 de março de 2015, pela médica do PSF (Posto/Programa de Saúde da Família). Em seguida foi encaminhada para um hospital na cidade de Santo Antônio do Monte onde o diagnóstico foi confirmado. Segundo ela, foi detectado o câncer na mama e mais seis nódulos malignos nas axilas de grau três, em seu lado direito.

Aparecida comenta que mesmo diante das dificuldades iniciais, o amor à família fez com que ela não temesse enfrentar a doença: “Foi muito chocante, muito difícil! Mesmo assim eu olhei para o céu e agradeci muito a Deus, porque o câncer apareceu em mim e não nos meus filhos. O câncer na gente não é nada não, mas nos filhos, dói. Como foi em mim, eu sabia que eu tinha força e ânimo para enfrentar”. Aparecida fez a cirurgia para retirada dos nódulos e depois realizou o tratamento. Foram feitas 18 sessões de quimioterapia e 30 de radioterapia.

Mesmo passando pelo tratamento, ela afirma que se sentia feliz do jeito que estava, porque aprendeu a se aceitar e a se amar: “Eu tinha o maior orgulho da minha careca! Eu sabia que aquela fase ia passar e que a doença não ia ficar para o resto da vida”.

Após um ano de tratamento, Aparecida recebeu a notícia que não havia mais nenhum nódulo em seu corpo e que ela estava curada. Para ela foi um alívio ter conseguido passar por aquela fase. Para as pessoas que atualmente lutam contra a doença, Aparecida diz que o mais importante é exercitar a fé e falar sobre a situação com outras pessoas, para que possa receber conselhos e orações. “Tem que ter fé em Deus, tem que ter muita sabedoria. Tem gente que recebe o diagnóstico e quer ficar calado. Não fique calado não. Solte, converse com todo mundo”, aconselha.

 

Já Aparecida Aguiar Batista, de 61 anos, foi diagnosticada, também com câncer de mama, em 2013. Isso aconteceu quando faltava um mês para o casamento da filha dela. “Eu não contei pra ninguém, eu guardei para mim porque eu descobri um mês antes do casamento da minha filha. Aí meu marido queria contar para eles, mas eu não deixei e falei que eles iriam saber só quando passasse o casamento dela”, conta.

Além do câncer na mama, a médica que acompanhava Aparecida Batista descobriu mais nove nódulos nas axilas, sete deles eram malignos. Aparecida fez a cirurgia em 2014, sendo retirados todos os nódulos que estavam nas axilas e 60% da mama. A cirurgia trouxe muitas limitações, fazendo com que ela não consiga executar o seu trabalho de bordadeira. Ela contou que sua família a ajudou muito nesse período e que quando terminou o tratamento ficou “anestesiada”, porque ela não imaginava que conseguiria vencer o câncer. O câncer foi eliminado, porém, ela ainda toma alguns medicamentos e tem acompanhamento médico. Para ela, o que a ajudou a passar por todo esse processo foi a fé em Deus, a ajuda da família, as atividades que sempre procurava fazer e o fato de se abrir para outras pessoas e falar de sua situação: “É bom procurar alguma coisa pra fazer. Eu não ficava em casa. Eu ia para as atividades da Sociedade Vencer e saía muito. E a melhor coisa é não esconder”, comentou.

O instituto Oncoguia traz em seu site uma reportagem interessante, publicada em junho de 2016, sobre os resultados dos tratamentos. De acordo com a fonte, alguns especialistas não usam a palavra “cura”, já que não se pode ter certeza de que o câncer desaparecerá para sempre após o tratamento. “Eles preferem dizer ‘remissão’, ou seja, uma palavra que representa uma chance de que a doença possa retornar. Mas em geral, uma pessoa que fica livre do câncer por cinco anos após um diagnóstico tem maiores chances de cura”, consta na matéria. De acordo com os especialistas, para alguns tipos de câncer existe uma esperança maior de cura. Dentre eles estão: câncer de próstata, câncer de tireóide, câncer de testículo, melanoma e mama.