Vende-se Apartamento

Capitão Bittencourt fala das conquistas e dos desafios referentes à segurança pública

Publicada em: 14 de fevereiro de 2018 às 13h07
Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 10/02/2018) - Edição 1935

Em Arcos desde 2009, o formiguense César Henrique Bittencourt, que era tenente, foi promovido a Capitão no dia 25 de dezembro de 2017. Na prática, ele já exerce as atribuições de capitão desde 2014, considerando que em Arcos funciona uma companhia de polícia, que requer o trabalho de capitão.

De 2010 a 2012, a companhia estava sob o comando do então capitão Levy, hoje tenente-coronel, que é o comandante do batalhão. Na época, César Bittencourt era subtenente e subcomandante. Quando Levy foi promovido a Major, a vaga  de capitão permaneceu, e desde então capitão Bittencourt exerce essa função. É responsável pelas seis cidades da companhia: Arcos, Pains, Iguatama, Bambuí, Tapiraí e Medeiros.

A PM em Arcos foi contemplada, em 2017, com a vinda do tenente Arantes. Bambuí também recebeu um tenente. Capitão Bittencourt relata o que melhorou a partir de então: “Antes eu era tenente e fazia a função nessas seis cidades sozinho. Agora eu já estou com dois oficiais que me ajudam, que é o tenente Arantes aqui em Arcos e o Tenente Rogério  em Bambuí. Ficou mais fácil de acompanhar todas as cidades, com esses dois oficiais à frente para me ajudar”.

O comandante é policial militar desde 2005, portanto, há aproximadamente 13 anos. Antes disso, aos 18 anos, fez o concurso para a Força Aérea. Trabalhou na Aeronáutica durante seis anos, em Lagoa Santa e em Belo Horizonte. Depois desse período, retornou a Formiga, onde trabalhou em uma empresa de transportes. Em 2004, prestou concurso para soldado do Corpo de Bombeiro, onde trabalhou durante um ano. Em 2005 passou no concurso da Polícia Militar, optando por seguir carreira nessa instituição. Fez o curso de formação em Belo Horizonte, por três anos. Trabalhou um ano na cidade de Contagem e depois veio para Arcos, em janeiro de 2009. Foi cadete, 2º tenente, 1º tenente e agora Capitão. 

 

Redução da Criminalidade

Na edição de 27 de janeiro (1933), o CCO publicou o balanço disponibilizado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública, que considera a soma dos registros feitos pelas polícias Militar e Civil. De acordo com esses dados, o total de crimes violentos em Arcos diminuiu 45,6% em 2017 em comparação ao ano de 2016. Foram registrados 25 crimes violentos em 2017 e 46 em 2016, envolvendo: Estupro Consumado; Estupro de Vulnerável Consumado; Estupro de Vulnerável Tentado; Estupro Tentado; Extorsão Mediante Sequestro; Homicídio Consumado; Homicídio Tentado; Roubo Consumado; Sequestro e Cárcere Privado Consumado.

De acordo com o balanço da Polícia Militar em Arcos, em 2008 – ano anterior à chegada do Capitão Bittencourt – a PM registrou 59 crimes violentos na cidade (considerando: roubo a mão armada, roubo consumado, homicídio tentado, homicídio consumado, estupro tentado, estupro consumado). Já em 2009 o número caiu para 29. Sequencialmente, de 2010 a 2017, o maior número foi 22, no ano 2016. Portanto, não houve um regresso a 2008, quando foram 59. Vale destacar o ano 2011, com apenas três registros. “Foi o ano que Arcos teve o melhor índice do Estado, em repressão”, observa o Capitão. Segundo ele, a partir de 2012 não houve grandes alterações nos números, considerando que atualmente existe uma taxa de “crimes violentos esperados”, de acordo com a população da cidade. “Lógico que o objetivo é zero, mas quando se aplica a essa taxa, Arcos aparece com as menores taxas da região Centro-Oeste”, disse, esclarecendo a questão da proporcionalidade em relação ao número de habitantes.

O comandante atribui a redução a vários fatores. O primeiro deles é o trabalho de parceira. “Não resolvemos todos os problemas sozinhos, nós somos apenas uma parte daquela engrenagem que vai fazer funcionar. Nós fazemos primeiro a ocorrência, que é encaminhada para a Polícia Civil, que vai fazer o inquérito policial para encaminhar ao Ministério Público, que vai oferecer a denúncia para ter então um julgamento”, explica. Além da Polícia Civil e do Ministério Público/Promotoria de Justiça, capitão Bittencourt cita a parceria com o Judiciário, Conselho Tutelar e Comissariado de Menores, assim como a imprensa, que divulga o trabalho.

O Governo Municipal colabora por meio de convênios firmados com a Polícia Militar, o que geralmente acontece em todos os Municípios. Essa prática permite o abastecimento e a manutenção das viaturas, o custeio do prédio e de todas as atividades, garantindo condições de trabalho.

Videomonitoramento – O que também tem colaborado com a redução da criminalidade em Arcos é o sistema de videomonitoramento, mantido pelo poder público municipal. O sistema funciona 24 horas, com dois operadores buscando imagens.  As câmeras intimidam criminosos, funcionando como prevenção à prática de delitos, e também auxiliam em flagrantes. Capitão Bittencourt relata que já aconteceram muitos flagrantes de crimes de tráfico de drogas sendo acompanhados pelo ‘Olho Vivo’, e também diminuíram os casos de estelionato a idosos quando saíam das agências bancárias.

Arcos foi pioneira na região no projeto de videomonitoramento, inclusive antes de Divinópolis. O sistema já funcionava em Belo Horizonte, no Mineirão. O comandante Bittencourt quis conhecer e conseguiu implantar a Arcos no ano 2013, com o apoio do Executivo. “Fizemos tudo de acordo com as normas e sem abrir mão da tecnologia. O que tem hoje em Arcos é o que há de melhor em tecnologia, igual em Belo Horizonte, em Divinópolis”, afirma e também conta que Arcos recebeu visitantes de Divinópolis, Lagoa da Prata, Campos Altos, Bambuí, Itapecerica, São Sebastião do Oeste, Candeias e outras cidades para se informarem sobre o projeto, e muitas delas implantaram.

Os policiais comemoram os números, mas estão cientes de que o trabalho pode ficar melhor ainda. “A gente ainda tem muita coisa para melhorar e nós vamos ter fluxos melhores ainda pela frente. Com o projeto de sofisticação do sistema ‘Olho Vivo’ (leia na sequência), a tendência é ter resultados melhores”, afirma o Capitão. 

 

Sistema para localizar veículos roubados – Capitão Bittencourt falou do Sistema de Monitoramento Inteligente, que irá otimizar o programa “Olho Vivo” e deve ser efetivado em Arcos ainda este ano. O comandante está em diálogo com o prefeito e com o secretário municipal de Fazenda. Trata-se de um sistema por meio da câmera LTR. Já foram feitos testes na avenida Governador Valadares. Os veículos que passam na área monitorada são cadastrados, o que permite encontrar carros roubados ou furtados na região. As informações são passadas diariamente à Polícia, pelo sistema. “Todos os dias nós alimentamos o sistema com carros roubados; e se um desses carros roubados passar por aquela câmera, vai emitir um sinal visual e sonoro”, explica e relata que foi feito o teste durante dois meses. O sistema ainda não está em funcionamento. Deverá ser realizado o processo licitatório.  A solicitação do Capitão Bittencourt é que sejam instaladas essas câmeras na entrada e na saída da cidade. “Se entra um no Esplanada, antes de a pessoa chegar na rodoviária ela é abordada”, comentou.

75% de repressão imediata

Capitão Bittencourt relata que em 2017 a Polícia Militar em Arcos teve uma taxa considerável de repressão imediata. “Nós levantamos que desses crimes que ocorreram no ano passado, nós tivemos uma das maiores taxas de repressão imediata, que é quando o crime acontece e nós prendemos o autor em flagrante ou identificamos e encaminhamos a autoria à Polícia Civil”. Segundo o comandante, houve aproximadamente 75% de repressão imediata, considerando dados de ocorrências registradas pela Polícia Militar de Arcos.

A partir do momento em que a Polícia Militar já entrega para a Polícia Civil a autoria definida, o autor preso e a materialidade, isso permite que o inquérito da Polícia Civil já seja feito. “Consequentemente, com as provas já apresentadas, o promotor vai ter condição de fazer uma denúncia mais robusta, e oferecendo provas suficientes para a condenação”, diz.

O comandante acredita que essa forma de trabalhar, com comprometimento e profissionalismo, desestimula a prática dos crimes. Essa experiência, Bittencourt adquiriu, inicialmente, em Contagem.  “A minha experiência trabalhando em Contagem me ajudou muito, pois lá eu trabalhei diretamente com repressão. Eram índices bem maiores, os crimes aconteciam com muito mais frequência, com uma estrutura logística maior”, relata

 

Déficit de 25% no número de policiais
Segundo o Capitão Bittencourt, a quantidade de viaturas da Polícia Militar em Arcos é satisfatória. No entanto, o número de policiais não atende à expectativa. “A questão dos Recursos Humanos, não só em Arcos, mas em todas as cidades de Minas, tem realmente um déficit. Nós temos, em média, um déficit de 25% de policiais”.

Denúncias – O capitão destaca que é muito importante que a população continue acreditando no trabalho da Polícia Militar e denunciando. Ele explica que ainda existem dificuldades a serem superadas, a exemplo do Plantão Regional da Delegacia a partir das 18 horas e nos finais de semana. Nesses casos, policiais militares precisam ir à Delegacia de Formiga, fazendo o deslocamento com vítima, autor, testemunha. Quando policiais militares precisam fazer esse deslocamento, a cidade fica prejudicada com o policiamento naquele momento. “São situações que a população hoje já conhece, já entende; e nem por isso deixa de acreditar, de confiar. Para nós Policiais termos bons resultados, precisamos de informação. A partir do momento que temos a informação e passamos a trabalhar nela, aí sim vamos ter o resultado”, enfatiza, incentivando as denúncias.