Mérito Empresarial
Sonho realizado

Casal de haitianos que mora em Arcos consegue trazer os dois filhos que estavam no Haiti

“Eu não posso recompensar ninguém, mas vou orar para todos que me ajudaram, para que Deus abra as portas para eles, para Deus cuidar deles”, diz Jean Claude Ange

Publicada em: 27 de novembro de 2017 às 09h11
Arcos
Casal de haitianos que mora em Arcos consegue trazer os dois filhos que estavam no Haiti

Finalmente, agora a foto da família está completa

Moradores de Arcos deram um exemplo de amor ao próximo ao ajudar o casal de haitianos Rosebeene Ange Ciprinês e Jean Claude Ange, residente no bairro Brasília. Graças às doações, Jean foi ao Haiti no dia 9 de setembro e retornou no último dia 17, com os dois filhos que tinham ficado no país com a avó, por impossibilidade financeira de viajarem para o Brasil anteriormente.

Claudina (13 anos) e Jean Claudeson(11 anos), que chegaram a ficar doentes no Haiti, agora estão com os pais e os outros dois irmãos que já estavam em Arcos: a menina Sophora, de 8 anos, e o pequeno arcoense João Cláudio (que tem pouco mais de 1 ano de idade). A família “sorriso” está feliz. João Cláudio fica em uma creche durante o dia, onde recebe cuidados e alimentação adequada; Sophora estuda em uma escola municipal; Claudina e Jean Claudeson também vão seguir os estudos.

Em entrevista ao CCO, Jean disse que é muito grato à população de Arcos e também a moradores de outras cidades que o ajudaram, a exemplo de Formiga e Rio de Janeiro. Disse que grande parte das doações foi feita por evangélicos, principalmente das igrejas que ele frequenta (Batista e Adventista do Sétimo Dia), assim como pela Congregação Cristã e fiéis da igreja católica. “Deus abriu as portas pra mim. Chegando ao Haiti tiveram pessoas que me ajudaram também. Agora minha família está comigo e estou feliz, minha esposa está feliz. Eu não posso recompensar ninguém, mas vou orar para todos que me ajudaram, para que Deus abra as portas para eles, para Deus cuidar deles”, comentou.

No sábado e no domingo após a chegada dos dois filhos, a família, agora completa, participou dos cultos evangélicos. Todos cantaram durante a celebração, em louvor a Deus. Claudina, especialmente, tem uma voz linda e afinada e também compõe. Jean disse que ele, a esposa e os filhos estão adaptados a Arcos e muito felizes.

 

Jean precisa de emprego

A família recebeu R$11mil em doações. Só faltam mil reais para pagar o visto dos filhos que vieram neste mês. Para cobrir esse gasto e manter a família, Jean está à procura de trabalho. Ele tinha um emprego em Arcos, mas quando informou que precisava viajar para buscar os filhos que ficaram no Haiti, ele não foi liberado (não conseguiu a licença) e por isso precisou pedir demissão, conforme relatou ao CCO. O haitiano optou pela viagem, mesmo perdendo o emprego, porque os filhos estavam doentes, com febre e diarreia.

Se alguém quiser conversar com Jean ou puder ajudá-lo com oferta de trabalho, mantenha contato pelo telefone (037) 9.9120-8657 (TIM). Ele aprendeu a falar português estudando o vocabulário no dicionário. Também fala francês (porque o Haiti foi colonizado pela França), crioulo  (linguagem oficial do Haiti), um pouco de inglês e espanhol, que são línguas ensinadas na escola. É marceneiro, com formação profissional, mas está disposto a trabalhar também em outras áreas.

 

Relembre o caso – O casal Rosebeene Ange Ciprinês e Jean Claude Ange morava no Haiti, com os três filhos na época: duas meninas e um menino. Jean trabalhava por conta própria fabricando e vendendo móveis. Depois de 2010, quando houve um terremoto considerado a maior tragédia do país em 200 anos, a situação ficou difícil. De acordo com números disponibilizados nos sites R7 e G1, o saldo de mortos no país foi superior a 220 mil, com mais de 300 mil feridos, 4 mil amputados e um milhão de desabrigados. A pequena casa no Haiti, onde moravam Jean e a família, teve a estrutura abalada em virtude do terremoto, e continuar nela seria um risco. Com a economia do país em crise, Jean não conseguia mais vender os móveis e decidiu vir para o Brasil, inicialmente para São Paulo, onde trabalhou em uma firma na função de ajudante. Em 2015 foi transferido para Arcos, para prestar serviço na CSN. Depois de oito meses, a empresa concluiu as atividades e Jean decidiu continuar aqui, porque se sentiu acolhido na cidade. O segundo emprego de Jean em Arcos foi numa empresa que lida com construção de asfalto. Quando fazia hora extra, os rendimentos mensais eram pouco mais de mil reais, sendo R$500 reais para o aluguel. Com o dinheiro que conseguiu guardar, trouxe primeiro a esposa. Depois juntou mais dinheiro, em 2016, e conseguiu trazer a menina Sophora. Claudina e Jean Claudeson tiveram que ficar no Haiti, inicialmente com a sogra de Jean. O filho mais novo do casal, João Cláudio, já nasceu em Arcos. Para realizarem o sonho de reunir a família, continuaram guardando o máximo de dinheiro possível, conquistado com o trabalho de Jean e também com doações que receberam de moradores de Arcos.