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Casal de haitianos que mora em Arcos está prestes a realizar o sonho de reunir a família

Para buscar os dois filhos que ficaram no Haiti, Jean Claude precisa de mais R$4.800,00

Publicada em: 14 de setembro de 2017 às 08h24
Arcos
Casal de haitianos que mora em Arcos está prestes a realizar o sonho de reunir a família

Jean Claude Ange e a esposa, Rosebeene Ange Ciprinês

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 09/09/2017) - Edição 1912

O casal de haitianos Rosebeene Ange Ciprinês e Jean Claude Ange, residente em Arcos, no bairro Brasília, levava uma vida normal no Haiti, com os três filhos na época: duas meninas e um menino. Jean é marceneiro, com formação profissional, e trabalhava por conta própria fabricando e vendendo móveis. Depois de 2010, quando houve um terremoto considerado a maior tragédia do país em 200 anos, a vida da família nunca mais foi a mesma.

De acordo com números disponibilizados nos sites R7 e G1, o saldo de mortos no país foi superior a 220 mil, com mais de 300 mil feridos, 4 mil amputados e um milhão de desabrigados. O terremoto praticamente destruiu a capital, Porto Príncipe. A situação dos haitianos, que já não era fácil, piorou ainda mais. O país é marcado por golpes militares, corrupção, fome, violência e catástrofes naturais, de acordo com informações do site vestibularuol.com.br.

A pequena casa no Haiti, onde moravam Jean e a família, teve a estrutura abalada em virtude do terremoto, e continuar nela seria um risco. A família começou a enfrentar dificuldades financeiras, assim como grande parte dos haitianos, porque a economia do país foi abalada, também em virtude de furacões. Com isso, Jean não conseguia mais vender os móveis. Foi então que ele decidiu vir para o Brasil.

Inicialmente foi para São Paulo, onde trabalhou em uma firma na função de ajudante. Em 2015 foi transferido para Arcos, para prestar serviço na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional) junto a outros funcionários da firma. Depois de oito meses, a empresa concluiu as atividades e Jean decidiu continuar aqui, porque se sentiu acolhido na cidade.

O segundo emprego dele em Arcos foi numa empresa que lida com construção de asfalto. Quando fazia hora extra, os rendimentos mensais eram pouco mais de mil reais, sendo R$500 reais para o aluguel. Com o dinheiro que conseguiu guardar, trouxe primeiro a esposa. Depois juntou mais dinheiro, em 2016, e conseguiu trazer a menina Sophora, que agora está com 8 anos. Claudina (hoje com 13 anos) e Jean Claudeson (hoje com 11 anos) tiveram que ficar no Haiti, inicialmente com a sogra de Jean.

O filho mais novo do casal, João Cláudio (1 ano e 1 mês), já nasceu em Arcos e fica em uma creche durante o dia, onde recebe cuidados e alimentação adequada. Sophora estuda em uma escola municipal. A esposa de Jean tem dificuldade em se comunicar na língua portuguesa e fica em casa, cuidando dos filhos e dos afazeres domésticos.

 

O sonho de reunir a família no Brasil  

O casal está feliz em Arcos, mas os dois não se conformam com a distância dos outros dois filhos. Para realizarem o sonho de reunir a família, continuam economizando e guardando o máximo de dinheiro possível, conquistado com o trabalho de Jean e também com doações que receberam de moradores de Arcos, principalmente integrantes de igrejas evangélicas que Jean frequenta (Batista e Adventista do Sétimo Dia). Parte da renda também precisa ser enviada para o Haiti, para cobrir despesas com as duas crianças que ficaram com a sogra de Jean e que agora estão com uma prima dele em Porto Príncipe.

Na última segunda-feira (4), Jean disse ao CCO que já conseguiu boa parte do dinheiro e irá viajar em breve para buscar o casal de filhos no Haiti. Uma vez que os preços das passagens podem aumentar ou diminuir, ele não sabe ao certo o valor que irá precisar para cobrir todos os gastos e retornar ao Brasil com os dois filhos. A estimativa é que ele ainda vai precisar de aproximadamente 1.500 dólares (R$4.800,00).

 

Quem puder fazer doações em dinheiro, pode depositar na conta citada no final da matéria.

Jean se diz muito grato a todos que já contribuíram, de qualquer forma. Ele citou o pastor Flávio, da Igreja Batista, e o dono da agência de turismo Beach Tour, Hugo Ribeiro. Falou também da importância da divulgação do vídeo na Internet (Grupo O Zarco/Facebook), contando a história da família. “A passagem estava a 5 mil e caiu para 4 mil e pouco, graças a orações; graças a Deus, eu encontrei o Hugo, que me ajudou muito também. Ele tirou as taxas pra mim, me deu desconto. Então eu já comprei minhas passagens, mas para os meninos ainda não”, relata, acrescentando que já tem o dinheiro para as passagens de um dos filhos e que um membro da igreja evangélica [ele não citou o nome] se comprometeu em doar a outra que falta. “Se der tudo certo, faltará dinheiro apenas para providenciar os documentos. Tenho que levar mais ou menos 1.500 dólares”, informa.

Sobre as igrejas, ele relata: “A igreja do pastor Flávio me ajudou muito com dinheiro e com tudo. A Adventista também me ajudou muito. Está tudo escrito. Recebi quase 10 mil reais. Como sou cristão, tenho que tirar 10% para Deus. Tem que doar. Também já gastei um pouco com viagens a São Paulo, pra buscar autorização para minha esposa assinar e eu levar no Haiti, além de outros gastos”.

 

Filhos doentes – O casal está preocupado com os filhos que ficaram no Haiti, porque eles estavam doentes. “Minha filha estava com febre tifoide muito forte e o meu filho estava com diarreia e vomitando. Graças a Deus, com muita oração, eles estão melhorando”. Jean explica que as doenças resultam da má qualidade do saneamento básico no país, que foi ainda mais prejudicado por causa de furacões que ocorreram no ano passado. Diante da possibilidade de realizar o sonho de ver a família reunida, Jean disse ao CCO que pediu licença na empresa onde trabalhava, para viajar ao Haiti. No entanto, segundo ele, eles não concederam essa licença. Por esse motivo, ele precisou pedir demissão. Quando retornar a Arcos, vai precisar de emprego.

Durante a entrevista, o haitiano falou várias vezes de sua fé em Deus e pediu às pessoas que não puderem ajudar com doações, que orem pela família. “Com oração, as portas podem se abrir, o milagre pode acontecer. Deus está na frente de tudo!”, ele exclamou.

 

Facilidade com a linguagem – Jean disse ao CCO que aprendeu a falar português estudando o vocabulário no dicionário. Ele também fala francês (porque o Haiti foi colonizado pela França), crioulo  (linguagem oficial do Haiti), um pouco de inglês e espanhol, que são línguas ensinadas na escola.


Como ajudar
Se você quer ajudar, faça sua doação na Conta Caixa Poupança 00017875-6; Operação: 013; Agência: 1696 – Arcos; Nome: Jean Claude Ange.