Vende-se Apartamento
Casarões de Arcos

Casarão de 1924 pertenceu ao coronel que financiou a emancipação de Arcos

Publicada em: 01 de junho de 2017 às 09h15
História de Arcos

(Publicada pelo Jornal CCO impresso em 27-05-2017)

Pesquisa, Entrevista e Redação: Jornalista Rita Miranda

 

Com o objetivo de revitalizar parte da memória de Arcos, tornando-a acessível aos leitores, a partir desta edição o Jornal CCO passa a relatar, periodicamente, um pouco da história dos casarões da cidade que foram construídos no século passado. É uma oportunidade de relembrar as tradições, as famílias que viviam nessas casas e os principais acontecimentos da época. Nesta edição, nossa reportagem é sobre um casarão cuja obra foi concluída em 1924, há 93 anos.

 

 

Esta é a primeira reportagem do CCO referente à série Casarões de Arcos. Hoje a história é sobre a residência que pertenceu ao primeiro prefeito de Arcos, Coronel José Ribeiro do Vale (gestão 28/12/1938 a 06/1939), localizada na rua Sagrado Coração de Jesus, região central.


A obra do casarão foi concluída em 1924, há 93 anos. Na época, o presidente do Brasil era Arthur Bernardes. De acordo com informações do site Brasil Escola, o país vivia um período de crise do regime político oligárquico [referente ao termo oligarquia: “governo de poucos”] e de repressão às oposições. Nas primeiras décadas do regime republicano brasileiro, entre 1894 e 1930, os grandes proprietários de terra utilizavam de sua influência política e econômica para determinar os destinos da nação.


Em 1924, o Município de Arcos ainda não havia sido criado e a região estava vinculada a Formiga, mas já existiam, aqui, as seguintes atividades econômicas: curtume (tratamento do couro de animais), engenhos de aguardente e rapadura, caieira (forno para calcinação de cal), moinho e engenho de serra – conforme consta no livro História de Arcos, de Lázaro Barreto.


De acordo com informações obtidas pelo CCO na Secretaria Municipal de Cultura (Semcelt), a residência a que se refere esta reportagem pertenceu primeiramente a Modesto Hermeto, que na época patrocinava uma casa de jogos que era usada também como salão de dança. Por estar com altas dívidas, entregou a casa para o Cel. José Ribeiro, que era seu fiador. Depois de alguns anos, a residência foi passada para a neta dele, Leopoldina Ribeiro de Oliveira (Dona Zita), viúva de Paulo Marques de Oliveira, que foi prefeito de Arcos por aproximadamente seis anos (gestão 1º/02/1977 a 31/01/1983).  


Cel. José Ribeiro do Vale ficou à frente do Município por aproximadamente seis meses. Segundo os registros do livro História de Arcos, a principal atuação dele foi estabelecer relações políticas e administrativas na fase emancipatória. Ainda de acordo com informações do livro de Lázaro Barreto, José Ribeiro era descendente do conde Ribeiro do Vale, figura de destaque do império.

 

Memórias – Em entrevista ao CCO, o engenheiro e comerciante Antônio Victor Ribeiro de Oliveira, 58 anos, filho de Dona Leopoldina e de Paulo Marques, falou sobre as contribuições que a família dele deu ao Município. Ele contou que seu bisavô, Cel. José Ribeiro do Vale, financiou a emancipação política e administrativa de Arcos: “Tinha que passar certa quantia para o Governo e foi ele quem deu o dinheiro para elevar a cidade a uma condição de Município”. A emancipação aconteceu em 17 de dezembro de 1938.


Sobre Dona Leopoldina, que mora no casarão há aproximadamente 80 anos, Antônio Victor relata:  “Minha mãe foi professora e também bibliotecária na escola estadual Yolanda Jovino Vaz. Junto ao meu pai, como Primeira Dama, ela colaborou muito e resgatou muitas festas, como o Congado e a primeira festa de aniversário da cidade, realizada por eles em 1977. A importância do meu pai, Paulo Marques de Oliveira, na história da cidade de Arcos, foi a organização administrativa da Prefeitura e o saneamento financeiro. Ele colocou a casa em ordem. Fez obras até então inéditas com o dinheiro de Arcos. Não teve ajuda de ninguém e saneou a morbidez administrativa que imperava até então”, relembra.


Paulo Marques ficou conhecido pela criação da Fumusa; construção do Poliesportivo; construções dos prédios da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais), da Estação Ferroviária e da torre receptora de TV; implantação da Copasa  e conclusão do prédio da Prefeitura.


Antônio Victor morou no casarão com a família durante 40 anos.  Ele, os pais e os quatro irmãos – Marco Túlio, Paulina, Júlio César e Isabela – viveram momentos especiais na residência. “Eu nasci naquela casa e fui criado lá. A cidade era muito menor e nós brincávamos na rua e na horta da casa, que é muito grande”, lembra.

Segundo ele, o casarão já passou por dez restaurações, mas a arquitetura, o porão e os nove cômodos continuam da mesma maneira.