Mérito Empresarial

CCO traz um pouco da história de ‘Dona Pureza’, que começou a trabalhar na roça aos 8 anos

Publicada em: 19 de junho de 2017 às 08h30
Memória

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 13/11/2016)

Pureza das Dores Franco (80) foi a primeira de cinco filhos em uma família marcada por alegrias, mas também por situações complicadas. Ela nasceu e foi criada na zona rural de Arcos e pertence a uma geração bem diferente da atual.
Desde os 7 anos de idade, ajudava a mãe nos afazeres da casa e cuidava dos irmãos com muito carinho. Aos 8 anos deixou de ajudar a mãe em casa pra ajudar o pai no trabalho da roça. “Sempre fazíamos tudo com muita alegria, não se tinha muita informação e todo mundo trabalhava feliz. Era um tempo muito bom”, disse.
Dona Pureza conta que, quando estava com 12 anos, a mãe dela adoeceu, ficando acamada por cinco longos anos. “A mãe teve uma menina que infelizmente veio a falecer, o que acabou fazendo com que ela ficasse na cama. Tive que cuidar da lida da casa, lavava as roupas da família, além de cuidar dos outros irmãos; foi uma época muito difícil pra nós, mas Deus nos deu forças pra seguir em frente”, comentou.

 

Casamento

Dona Pureza se casou com Juvenal Teixeira Franco, em 1960, aos 24 anos. Permaneceu na zona rural por mais alguns anos, quando, aos 42 anos, resolveu se mudar para a cidade. “Mudamos para a cidade deixando pra trás uma história e muitas saudades”, disse dona Pureza.
No momento da entrevista, o marido chegou e disse o que dona Pureza representa na vida dele. “É uma mãe que eu tenho, ela cuida de mim. Nossa vida foi muito corrida e cheia de lutas. O amor que ela tem em mim e que eu tenho nela é muito grande. Nunca falou um “não” comigo e nunca discutimos. Fomos feitos um para o outro. Deus foi muito bom pra mim, perdi minha mãe e ganhei a dona ‘Pura’ pra mim”, destacou o marido.

 

Momentos dolorosos

Com um olhar de esperança, uma fé inabalável e muitas saudades, dona Pureza se lembrou de alguns momentos tristes na vida dela e do marido. O casal teve três filhas, que infelizmente faleceram na infância. “Minhas três filhas faleceram: a mais velha tinha 6 anos e 4 meses, a do meio tinha 3 anos e 8 meses e a caçulinha faleceu com 33 dias. A mais nova foi por uma doença de umbigo. Não tinha recurso nenhum pra gestante e não se tinha esta quantidade de informações que se tem hoje. A do meio adoeceu por volta de 16 horas, vindo a falecer nos meus braços por volta de 20 horas. Acho que foi meningite, mas como não tinha exame nem estrutura de saúde, não deu pra saber, mas os sintomas indicaram que realmente era meningite. A mais velha adoeceu por volta de 19 horas, antes da do meio falecer. Quando fez 24 horas que uma foi enterrada, a outra também foi enterrada. Dois dias antes, meu sogro havia falecido. Tudo isso nos últimos dias de dezembro de 1968”, contou dona Pureza.

 

Origem do nome
Dona Pureza participa de alguns movimentos da igreja católica, como o Apostolado da Irmandade do Coração de Jesus, Ministérios e Sociedade de São Vicente Paulo.
Quanto à origem do nome, ela diz que seu pai o tirou de um Ofício de Nossa Senhora. “É parte de um cântico, e meu pai achou na Bíblia. Sempre gostei do meu nome. Os outros são nomes bonitos também, como, Luzia, Ana, Vitória (falecida) João, Roque e José, meus irmãos”, completou.
Dona Pureza aconselha os leitores a participarem dos movimentos da igreja. “Participem todos desses movimentos religiosos. Isso deixa as pessoas mais tranquilas, seria muito bom que todos reservassem um tempo para pedir a Deus forças para seguir em paz o seu caminho”.
Dorival, que é confrade vicentino e hóspede de dona Pureza, disse que aprendeu muito com o casal. “Como se tratam bem, que exemplo de família! Aprendi muito observando o comportamento entre eles”, completou.