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Centenário de Pedro Alves (Cuca)

1919 - 2019

Publicada em: 06 de março de 2019 às 13h03
Memória
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO em 02/03/2019) - Edição 1990

Pedro Alves (Cuca) nasceu no Distrito de Arcos, pertencente ao município de Formiga, em 1º/03/1919, filho de Antônio Pedro Alves e Dona Amasília.

Morava na “rua de baixo” (hoje Augusto Lara, primeira rua do Distrito de Arcos), esquina com a “rua do  buracão”  (hoje rua  Nossa  Senhora  do Carmo), de frente para  a “Praça do Armazém do   Português Sr. Manoel Alves  de Oliveira” (hoje “Armazém do Naldo”) e, também, de frente  para a casa  do Sr. José  Vilela (antigo prefeito de Arcos).

Teve como irmãos: Francisco, João, Antônio, Sebastião, José; e irmãs: Leopoldina e Conceição, todos “Alves” com o apelido de Cuca, herdados do pai, que tinha facilidade na confecção de quitandas e pães. Desde cedo, teve que trabalhar juntamente com os irmãos, para ajudar no sustento da família.

Com 16 anos, herdou do irmão João Cuca o emprego no DCT (Departamento de Correios e Telégrafos), até a sua morte em 1976, com 57 anos. Este serviço, denominado estafeta, constituía-se em buscar as correspondências (cartas e jornais) na Estação Ferroviária de Arcos, no final da avenida Governador Valadares, onde hoje está localizada a trincheira. Essas malas chegavam a Arcos trazidas de trens de passageiros, nos horários de 7 horas, 15 horas (denominados de Mistos), 23 horas e 2 horas (denominados de Noturno). Nos intervalos do horário das 7 às 15 horas, ficava ao seu cargo a função de ser carteiro.

 

Pedro Cuca em uma das antigas sedes do Departamento de Correios e Telégrafos (onde hoje é a Fumusa)

 

Inicialmente, o transporte das malas (de lona), cheias de cartas e revistas, era feito normalmente até o Correio, localizado próximo à ponte do Niterói, ao lado da Subestação de Energia (hoje tombada pelo município).

À medida que o Distrito foi crescendo e emancipado, o volume de mala foi aumentando. Tornou-se necessário arranjar uma forma de transportá-las.

A maneira encontrada por Pedro Cuca foi mandar fazer uma pequena carroça de madeira, com rodas de madeira, revestidas de borracha de pneus. Alguns anos depois, de tanto sobe e desce pelas ruas centrais de Arcos, nosso pai resolveu arranjar um ajudante para dar conta do trabalho. Comprou um bode (carneiro) e adaptou a carroça para ele puxar. Interessante é que, de tanto fazer o mesmo trajeto, o bode aprendeu a ir sozinho, da estação até a sede do Correio de Arcos. Foi um grande alívio para nosso pai, pois sobrava tempo para exercer a função de carteiro.

Em 1960, foi oferecida a ele a representação (venda) de jornais e revistas vindos do Rio de Janeiro, transportados pelo trem de passageiros que passava por Arcos. Naquela época, os grandes sucessos eram: O Cruzeiro, Revista do Rádio e Revista do Esporte, além de pequenos livros de faroeste e contos românticos. O jornal que chegava a Arcos era, inicialmente, o “Correio da Manhã”, com atraso de cinco a oito dias. Esse jornal só poderia vir para Arcos com número mínimo de 10 unidades, mas apenas cinco se conseguia vender, entre eles: o Sr. Edson Fonseca, ‘Tunico’ Fonseca, Dico Padeiro, Dr. João Vaz, Dr. Osório e, eventualmente, Homero Pires Gontijo (Mirico do Hospital), Sr. Rubens Frias, Sr. “Ramiro da farmácia”. O restante era vendido para os empórios do Sr. Jorge Calácio (na entrada do Beco para a Boca da Mata) e Sr. Geraldo Gouveia, Sr. Antônio Gonçalves (na saída para a Usina do Santana – hoje para bairro Olaria), que passava pelo Capão da Bexiga (bairros Nova Morada 2 e 3) e Açougue do Sr. Otelino, todos para embrulhar produtos não perecíveis. Nossa mãe contestava muito meu pai, porque ele insistia em manter o prejuízo. Ele respondia que era para instruir e atualizar o povo de Arcos e que tinha esperança de que iriam melhorar as vendas. Em 1966, eram vendidos 80 jornais “Estado de Minas” aos domingos e 60 durante a semana, entregues de porta em porta, por Armandinho, Odair Gonçalves, Toninho e Ló.

Pedro Cuca continuou como funcionário dos Correios e representante dos principais jornais e revistas do País, até sua morte em 1976 (04/11/1976).

 

Grupo musical Continental Jazz. Pedro Cuca é o 2º da esquerda para a direita (percussão)

 

Nosso pai sempre foi amante de música e, por isso mesmo, ingressou no conjunto musical de seus amigos, com o nome “Continental Jazz”, que era formado por jovens e senhores, entre eles: seu irmão Sebastião Cuca, Joaquim Barbosa (trabalhava na loja do Nonô), Mirico da Ozana e outros.

Cabe aqui realçar que ele tinha de parar às 22 horas e ir para a Estação Ferroviária, para atender suas funções de estafeta e carteiro.

Naquela época, os bailes iniciavam-se às 20 horas e terminavam às 23 horas. Eram realizados onde, hoje, é conhecido como “Bar do Vivi”.

Não seria possível essa forma de vida sem uma gigante do lado: Dona Irene Correia Alves, que foi parteira em Arcos.

Com esse relato, homenageamos nosso querido pai, que nos deixou um exemplo de homem correto e trabalhador.
         

Homenagem de seus filhos, netos e bisnetos nesta data: 1º de março de 2019.

 

Toninho e Ló

PS. Outros amigos não citados, nos perdoem, pois são memórias nossas, da infância e juventude.