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Comerciante da avenida Magalhães Pinto conta histórias da década de 1960

“Aqui tinha matadouro de animais e passava era carro de boi, porcos que levavam para matar no Senhor Zito Leão antigamente...”, relembra Nelson Cunha

Publicada em: 07 de agosto de 2017 às 15h46
História de Arcos
Comerciante da avenida Magalhães Pinto conta histórias da década de 1960

elson Pinto da Cunha, filho do casal Urquisa Alves Nascimento e Oscalino Roque

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 29/07/2017) - Edição 1906

Em sequência à série de reportagens produzidas pela equipe do Jornal CCO relatando histórias das ruas da cidade de Arcos, para esta edição escolhemos a avenida “Magalhães Pinto”.

O entrevistado é Nelson Pinto da Cunha, de 71 anos, que mora na “Magalhães” e também tem um estabelecimento comercial nessa avenida, nas proximidades do Sicoob Arcomcredi, onde vende café moído na hora.

Nelson é filho do casal Urquisa Alves Nascimento e Oscalino Roque (falecidos), de quem herdou o comércio que antes era uma mercearia. Nos últimos três anos, especializou-se na comercialização do café.

A antiga mercearia – daqueles tradicionais, onde se vendia “de tudo um pouco” – foi inaugurada em 1962, quando Nelson estava com 17 anos. “Aqui vendia coisas para fazenda, arames para fazer cerca, baldes, soda, panela de ferro, gordura de porco em lata, sabão de bola [que as mulheres faziam], arroz e feijão a granel e muitos outros produtos”, descreve.

A avenida tinha o nome Três de Outubro e nela havia poucos comércios: “Tinha matadouro de animais e passava era carro de boi, porco que levavam para matar no Senhor Zito Leão antigamente”, comenta.

Naquela época, há mais de 50 anos, não havia calçamento: a avenida era toda de terra. Também não havia a instalação de energia proveniente da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). A luz elétrica era fornecida por uma usina, em postes de madeira, com qualidade bem inferior em relação à atual.

Sobre Magalhães Pinto, Nelson conta que a avenida recebeu o nome dele porque ele reivindicou o primeiro calçamento da via, quando foi governador de Minas (gestão 1961 e 1966). Naquele período, os prefeitos de Arcos foram Edgar Faria e Albertino da Cunha Amorim.

O político, que era natural de Santo Antônio do Monte, chegou a morar em Arcos com os pais. Aqui permaneceu até o início da juventude e depois foi para Belo Horizonte.

Enquanto governador, também providenciou a construção da rodovia 354, trecho em direção a Formiga, segundo Nelson.

 

Magalhães Pinto envolveu-se diretamente no Golpe Militar de 1964

José Magalhães Pinto nasceu em Santo Antônio do Monte em 28 de junho de 1909. De acordo com informações do Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil, da Fundação Getúlio Vargas, ele foi um dos fundadores do Banco Nacional de Minas Gerais, em 1944. Em 1960 foi eleito governador de Minas.

Matéria do site Folha de São Paulo relata que Magalhães – ainda governador – se envolveu diretamente no Golpe Militar de 1964, nas articulações que levaram à derrubada de João Goulart para negociações para a escolha do novo presidente, Castello Branco. O político de “Samonte” foi um dos subscritores do Ato Institucional n° 5 (AI-5), feito pelo governo em resposta às greves e manifestações operárias em repúdio ao regime militar. O AI-5 autorizava o presidente a intervir nos estados e municípios sem as limitações previstas na Constituição, cassar mandatos e suspender por dez anos os direitos políticos de qualquer cidadão, além de suspender a garantia de habeas-corpus para crimes “contra a segurança nacional”. Na época, as atividades da oposição ficaram ainda mais arriscadas, de acordo com informações do site www.infoescola.com. Órgãos de repressão contra esquerdistas foram acusados de torturas e assassinatos.

Consta no site www.mg.gov.br, que Magalhães Pinto integrou a Secretaria de Finanças durante o governo Milton Campos (1947 a 1951), quando instituiu uma revisão do sistema tributário mineiro, aumentando a arrecadação de maneira significativa. Quando foi governador de Minas, criou o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e consolidou o Conselho de Desenvolvimento do Estado, que fez multiplicar as obras públicas.