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Dia dos Professores

Conceição Ferreira Nunes, professora autodidata, faz parte da história de Arcos

Ela participou diretamente da alfabetização de milhares de arcoenses no período de 1943 a 1968

Publicada em: 15 de outubro de 2019 às 08h23
Arcos

Crédito: Jornal CCO

Conceição Ferreira Nunes, professora autodidata, faz parte da história de Arcos

Dona Conceição Ferreira Nunes

Conceição Ferreira Nunes nasceu em Arcos no dia 10 de novembro de 1918, filha de Ana Francisca Leite e José Ferreira Leite. Faleceu em 18 de novembro de 1995, aos 77 anos. Foi professora autodidata, destacando-se pela sabedoria, pelo amplo conhecimento e notável afeto para com seus alunos.
Lecionou na comunidade rural da Barra do Melo, onde morou. Dedicou 25 anos de sua vida à educação, alfabetizando muitos arcoenses entre 1943 e 1968, ano em que se aposentou, quando também veio morar com a família na cidade de Arcos.
Em reconhecimento à grande dedicação e amor de Dona Conceição pelo magistério, ela é a homenageada do Jornal e Portal CCO nesta edição que antecede o “Dia do Professor”, celebrado em 15 de outubro.
Esta é uma homenagem póstuma, mas quando estava com 76 anos, ela concedeu entrevista ao Jornal CCO e relatou suas memórias e dons, com destaque para a composição de hinos religiosos para coroações à Nossa Senhora no mês de maio. A reportagem foi publicada na edição de 14 de maio de 1995.
Dona Conceição foi casada com Sebastião Nunes Pereira, também já falecido, com quem teve 17 filhos, dos quais perdeu cinco. Os filhos são: Maria do Carmo, Vera Teresinha, Ana Cecília, Maria Célia, Laércio Antônio, Geraldo Eustáquio (in memoriam), Rita de Cássia, Lúcia Perpétua, Vicente Paulo, Maria Auxiliadora, Hélder Eugênio e Ângelo Roberto.
Mesmo com uma família numerosa, Dona Conceição sabia conciliar muito bem a vida de mãe, esposa, dona de casa com a de exímia professora e líder comunitária. “Não tínhamos esse tipo de preocupação que os pais têm hoje, com drogas e sexo livre. Nem ouvíamos falar em drogas. Nós nos preocupávamos mesmo era com o futuro dos filhos e pedíamos a Deus para que fossem felizes. E, nesse sentido, com certeza fui ouvida”, disse ao CCO, em entrevista em 1995.
No início da carreira, iniciada aos 25 anos de idade, Dona Conceição trabalhava na rede municipal de ensino. Depois de sete anos, foi nomeada professora do Estado, cujo documento assinado pelo então governador Juscelino Kubstcheck de Oliveira ainda é carinhosamente conservado por seus filhos.

“Cruzadinha Eucarística”
Católica convicta e atuante, Dona Conceição foi fundadora da “Cruzadinha Eucarística”, “entidade filha do Apostolado da Oração”, para crianças de 7 a 14 anos na comunidade rural da Barra do Melo, onde mantinha destacada liderança. Quando os integrantes completavam 14 anos, passavam a participar do Apostolado da Oração. “Era uma coisa muito bonitinha que tínhamos antigamente, com as crianças todas uniformizadas. As pessoas tinham muito gosto pela Cruzadinha e nossos pedidos à comunidade sempre eram atendidos”, recordou, em 1995, destacando que as reuniões mensais ajudavam na formação moral e religiosa das crianças. No mês de Maria, o grupo rezava o terço com a ladainha cantada e em seguida eram realizadas as coroações, com hinos compostos por Dona Conceição. Também havia as programações de lazer, com teatrinhos e piqueniques.
Durante as várias décadas de atuação na vida religiosa, ela conviveu com personalidades importantes da igreja católica na região. Foram memoráveis os festejos religiosos que realizava na comunidade, sempre elogiados pelo então pároco de Arcos, o saudoso Cônego Geraldo Mendes de Vasconcelos. Também ainda são bem lembradas as empolgantes solenidades de recepcões coletivas aos bispos Dom Manoel Coelho e Dom Belchior Silva, quando de suas visitas pastorais à comunidade católica da Barra do Melo.
O que relatamos nesta matéria é apenas um viés da história de nossa homenageada, que foi autêntica missionária pedagógica e tanto contribuiu para o crescimento intelectual e religioso de milhares de crianças e jovens, sempre enfatizando valores morais, cívicos e religiosos, fortalecendo a formação de seus alunos, incutindo-lhes civilidade e patriotismo, valores significantes na época. Por meio dessa lembrança, o CCO cumprimenta a todos os professores que são legítimos mestres da vida, como foi Dona Conceição Ferreira Nunes.

Fonte: Jornal CCO