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Confraria dos Surdos, em Arcos completa 5 anos

Instituição ainda não tem sede própria; maior desafio é fazer cumprir os direitos dos surdos

Publicada em: 21 de março de 2020 às 08h00
Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 14/03/2020) - Edição 2043

A Confraria dos Surdos em Arcos foi registrada no dia 14 de março de 2015 e tem como finalidade primordial a busca da garantia dos direitos dos surdos, além de promover cursos de Libras (Língua Brasileira de Sinais), oficinas [as deste ano serão divulgadas em breve] e atividades de socialização.

Na época da fundação, as atividades foram iniciadas na residência da voluntária e professora/intérprete de Libras, Paula Sandra Goulart. Depois, passaram a ser desenvolvidas na Igreja Presbiteriana do Brasil e também  na sede do SINE (Sistema Nacional de Empregos). Há aproximadamente um ano, desde abril de 2019, a Confraria está sediada em uma sala do NAI (Núcleo de Atendimento Integrado) da SSVP (Sociedade São Vicente de Paulo), no bairro São Vicente.

A equipe da Confraria é grata à SSVP e ao NAI pela parceria, mas diante das demandas, seria necessário um espaço maior. Desde o dia 30 de novembro de 2019, a Confraria é presidida por Mária Tatiana Gomes de Arvellos Araújo. Ela diz que a entidade precisa de uma sede própria, com mais espaço para atender aos diversos interesses da comunidade surda e, também, de mais voluntários, principalmente uma assessoria jurídica para orientar os associados sobre os caminhos para a conquista de seus direitos. Atualmente, a  Confraria conta com algumas voluntárias:  Kiara Néri, que contribui na realização de eventos; duas psicólogas, Drª Jaqueline do Prado e Dra. Heloane; a assistente social Laura Felizali. Em breve também terá o apoio da fonoaudióloga Mariany Faria dos Reis.

Mária Tatiana e Paula Sandra Goulart enfatizam sobre a necessidade de um departamento, dentro da Confraria, composto por atendimento de fonoaudiólogo, otorrinolaringologista e assistente social, para facilitar e agilizar a liberação de aparelhos auditivos pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

 

Já foram ministradas oito edições de cursos de Libras pela Confraria

Desde a fundação, a Associação já promoveu oito edições de cursos de Libras Básico. Neste ano de 2020, o curso teve início em 3 de março, em duas modalidades: básico e intermediário. O básico está com seis alunos e o intermediário, com oito (todos ouvintes).  

 

25  associados

Do total inicial de 34 associados,que vinham de Lagoa da Prata, Formiga, Iguatama e Bambuí, atualmente são 25, considerando surdos e ouvintes. A dificuldade financeira e a falta de estrutura foram empecilhos que afastaram os associados de outros municípios, mas, por outro lado, a Confraria dos Surdos de Arcos abriu caminhos.  Depois do exemplo dado em Arcos, em Formiga foi criada uma associação e em Iguatama e Arcos foram criadas Pastorais do Surdo.

Segundo a voluntária Paula Sandra Goulart, alguns surdos que moram em Arcos ainda não estão participando da Confraria. Ela acredita que quando a entidade puder disponibilizar melhor estrutura e com mais voluntários, haverá um alcance maior da comunidade surda. “Nesses cinco anos, tivermos ganhos materiais, mas ainda temos muitas dificuldades, inclusive na área educacional”, disse, referindo-se à desvalorização do ensino de Libras até mesmo por alguns profissionais de educação.

 

Conquistas e necessidades – Em 2019, a associação foi beneficiada com um projeto de uma empresa local, a Cifel, que proporcionou assessoria de marketing para divulgação em redes sociais, auxílio nos eventos e contribuiu  com um uniforme novo. Todos da associação são gratos à empresa, por reconhecer e valorizar o trabalho realizado.

Com a subvenção que recebeu da Prefeitura em 2019, foram contratadas uma secretária e uma assistente social. O serviço da secretária foi dispensado pela atual presidente. A entidade também conta com uma contadora. No ano passado, a associação conseguiu que a rede municipal de ensino se adequasse à legislação, oferecendo uma intérprete e um professor de Libras para aluna surda. Porém, neste ano de 2020, essas contratações ainda não foram renovadas.  

Com verba estadual, foram adquiridos um computador, dois notebooks, uma TV, uma impressora, mesas, cadeiras e armários de escritório.

A inserção no mercado de trabalho tem sido um grande desafio dos associados da Confraria dos Surdos. A instituição oferece gratuitamente o serviço do intérprete na hora da entrevista, mas a conquista da vaga ainda é difícil, mesmo se tratando de pessoas qualificadas e com formação acadêmica. A presidente da associação, Mária Tatiana, é nutricionista com especialização em Saúde da Família e está desempregada.   Sérgio Augusto é professor de Libras e também está desempregado. Além dos dois, existem outros surdos desempregados em Arcos e mesmo as empresas necessitando de mão de obra, geralmente elas não optam pela pessoa surda.