Consumidores de Arcos questionam preço do gás de cozinha

Enquanto aqui o preço mais comum é R$70,00, em cidades vizinhas pode ser encontrado a R$ 58,00 e R$65,00; e em Divinópolis, R$ 58,00

Publicada em: 14 de julho de 2017 às 10h34
Arcos

(matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 08/07/2017)

O preço do gás de cozinha vendido aos consumidores em Arcos foi um dos assuntos abordados em rede social recentemente. Segundo os consumidores que fizeram comentários, o valor está bem maior em relação ao das cidades vizinhas.

Ariana Messias Cardoso fez a seguinte postagem no Facebook/Grupo Política Arcos: “Morei em Arcos e também ficava assustada com o valor do gás! Hoje voltei pra minha terra, Três Pontas, aqui é R$50,00 [o preço do gás]”.

Com o objetivo de abordar o assunto, o Jornal CCO pesquisou os preços nas cidades vizinhas e também em Arcos. Veja os quadros abaixo:

 

 

Cidades     Preço do Gás     Preço do Gás com botijão
Formiga               R$69,00   R$189,00
Japaraíba   R$58,00  R$178,00
Lagoa da Prata     R$65,00 R$180,00
Lagoa da Prata R$65,00 R$190,00
Divinópolis R$60,00 R$190,00
Pesquisa realizada dia 26/06/2017

 

Arcos Preço do Gás Preço do Gás com Botijão
Revendedora 1 R$70,00 R$250,00
Revendedora 2 R$65,00 R$190,00
Revendedora 3 R$70,00 R$200,00
Revendedora 4 R$70,00 Não vende o botijão
Revendedora 5 R$63,00 R$200,00
Pesquisa realizada dia 26/06/2017

 

Em Arcos, o CCO pesquisou os preços fixados pelas principais revendedoras de gás na cidade e verificou que o preço mais comum é R$70,00. Em uma das empresas pesquisadas, o preço do gás com o botijão chega a R$250,00 reais, valor bem acima em relação a outras cidades que em média vendem por R$190,00 reais.

Apenas uma empresa das pesquisadas em Arcos está realizando a venda do gás de cozinha por um preço menor, R$63,00, ou seja, 11% mais barato (em comparação a R$70,00).

 

Diferença de preço

 

O CCO entrou em contato com uma das revendedoras de Arcos. Segundo o (a) representante, todos os anos, normalmente no mês de setembro, ocorre um reajuste no preço do gás, devido à manutenção que é feita na refinaria responsável por fornecer o gás da região. Acontecendo essa manutenção, o gás passa a vir de São Paulo e Rio de Janeiro para ajudar no abastecimento de Minas. Com isso, o preço passa a ser maior por causa do transporte.

Além desse reajuste no mês de setembro, no final de 2016 até junho de 2017 ocorreram outros aumentos. “Do ano passado para cá, esse aumento continuou: subiu em dezembro do ano passado; subiu no dia 1º de janeiro; subiu novamente no mês de março deste ano, no dia 22; e subiu agora no dia 05 de junho, com anúncio do Governo Federal em rede nacional dizendo que este resto de ano terá uma variação de preço todo dia 05 do mês (uma variação para cima ou para baixo)”, explicou.

A justificativa dessa revendedora de Arcos quanto à diferença de preços em comparação às cidades da região é a questão do transporte. Ele (ela) alega que a variação de preços de uma cidade para outra ocorre devido ao preço do frete que os fornecedores cobram de acordo com a distância da cidade. A refinaria que  fornece para a cidade de Arcos, por ser mais longe, cobra um frete mais alto em comparação às cidades mais próximas a ela.

Quanto à variação de preço de uma revendedora para outra, segundo o (a) revendedor (a) entrevistado (a) pelo CCO, envolve a diferença na qualidade do gás, ressaltando que dependendo do tipo, pode durar 10 a 12 dias a mais. Envolve também questões de legalidade e diferenciação na prestação do serviço e atendimento.

 

Reajuste

 

De acordo com matéria publicada no dia 07 de junho no site G1, a diretoria executiva da Petrobras aprovou uma nova política de preços para a venda do gás de cozinha. A nova fórmula de preços trouxe para as refinarias um aumento médio de 6,7% no mês de junho.

Outro aumento aconteceu também no dia 17 de março deste ano. De acordo com notícia publicada no site R7, o reajuste foi de 9,8% no preço final do gás de cozinha. A Petrobras informou que após anos de uma política de subsídio que manteve o preço do gás da estatal sem aumento, o mercado fez seus reajustes por conta própria, impactando o consumidor final.

O histórico dos reajustes mostra que, entre 2003 e 2016, o preço final do gás cobrado pelas revendedoras acumulou reajuste médio de 89%, saltando de R$29,35 para R$55,60 o botijão. Nesse mesmo período, o aumento realizado pela estatal foi de apenas 16,4%. Foram 12 anos sem nenhum reajuste no preço do gás vendido pela Petrobras.

Segundo técnicos da empresa, é necessário recuperar ao menos uma parte do preço, em razão da defasagem acumulada nos últimos anos, não apenas com a inflação, mas do próprio valor praticado pelo mercado.

De acordo com a Assessoria de Imprensa do site da Petrobras, antes do reajuste, para cada botijão de gás vendido no país, aproximadamente 24% do valor cobrado ficava com a Petrobras, as distribuidoras e revendedoras retinham uma fatia média de 57%, 15% eram consumidos com ICMS e 4% com PIS e Confins.

Agora com o reajuste, 26% do valor fica com a Petrobrás, 54% com as distribuidoras e revendedoras, 16 % para ICMS e 4% para PIS e Confins.