Zé Neca veterinária

Década de 1930: o que as moças pensavam sobre os rapazes e o que os rapazes pensavam sobre as moças

Encontramos as “respostas” no jornal Arco da Velha (Edição n° 8, de 29 de outubro de 1933) – da então Vila de Arcos

Publicada em: 12 de junho de 2020 às 16h03
Arcos
Recortes do Tempo - Histórias de Arcos
Década de 1930: o que as moças pensavam sobre os rapazes e o que os rapazes pensavam sobre as moças

“De coração para coração”, coluna do Jornal CCO na década de 1990.

“A deusa da minha rua / Tem os olhos onde a lua / Costuma se embriagar / Nos seus olhos, eu suponho / Que o sol, num dourado sonho / Vai claridade buscar / Minha rua é sem graça / Mas quando por ela passa / Seu vulto que me seduz / A ruazinha modesta / É uma paisagem de festa / É uma cascata de luz” – Nelson Gonçalves.

Era assim que, na década de 1930, os rapazes se declaravam para as moças. Escreviam cartas, poesias, músicas e faziam serenatas, sempre exaltando a beleza e as qualidades de suas amadas. Foi uma época em que o rapaz tinha que ir à casa da moça e pedir o consentimento dos pais dela para namorar. Se o namoro fosse permitido, os dois poderiam sair juntos, mas sempre com a companhia de algum membro da família.

Os jornais, as rádios e revistas ofereciam um espaço para as declarações e recados apaixonados dos casais ou pretendentes. Na cidade de Arcos, o Jornal CCO já manteve uma coluna chamada “De coração para coração”, na década de 1990. Bem antes disso, o Jornal Arco da Velha (Edição n° 8, de 29 de outubro de 1933) fez uma publicação interessante sobre comportamento feminino e masculino. O redador, que se identificava como “Zé Ninguém”, fez as seguintes perguntas: O que os rapazes pensam das moças? O que as moças pensam dos rapazes? Ao lermos as respostas, verificamos que os rapazes da época eram mais românticos. Já as moças, com todo seu “empoderamento”, eram mais críticas e hilárias.

 

Veja uma parte da publicação abaixo:

 

O que os rapazes pensam das moças

Publicamos, a seguir, algumas respostas que conseguimos obter sobre o que os rapazes pensam das moças. Ei-las:

“As moças são a causa da minha existência; porque se elas desaparecessem, eu me enforcaria” – Sidnei

“Uma flor que não deve ser colhida para não perder o encanto e o aroma”. – Jarbas

“Uma Joia caríssima que ainda não adquiri por falta de numerários”. – Sílvio

“Que são o que são e não o que parecem ser”. – Araújo.

“O maior adorno para uma casa e a minha menor preocupação”. – Totônio

“Uma relíquia de indefinível valor, que deve ser guardada com o maior carinho para não se estragar”. – Bandico

“A única coisa que me dá ânimo para enfrentar o trabalho com coragem”. – Dolfico

“Um ente a quem amor se jura, se ele constitui o encanto dos nossos olhos e o sonho do nosso ideal”. – Zepires

“Uma parcela do meu coração”. – Vico

“Um sonho que nos embala e do qual não devemos despertar para a realidade”. – Zelara

“A divindade da minha maior devoção”. – Chiquito

“Uma porta sempre aberta para nos conduzir ao purgatório... do casamento”. – Lamberti

 

O que as moças pensam dos rapazes?

A propósito dessa interrogação, feita por nós em último número deste jornalzinho, recebemos grande número de respostas, enviadas pelas gentis senhoritas, as quais, prazeirosamente, aqui reproduzimos. A todas que tiveram a delicadeza de nos atender, a nossa sincera gratidão. Eis as respostas:

“Os rapazes são eternos idiotas sem entrada nos hospícios”. – Mirtes

“Um verdadeiro néctar; o resto, água de torneira”. – Rosita

“Passatempo adorável e inofensivo em mãos experimentadas”. – Sinhá

“Eu os considero balas: ora de mel, ora de fuzil”. – Lourdes

“Mendigos a quem atendemos por caridade”. – Iza

“Uma coisinha que substitui meus miolos por gasolina em chamas e troca meu coração por um carvão aceso”. – Luci

“Animais muito curiosos de que eu quero adquirir um para estudos”. – Iberita

“Tintura de quassia 100,00. Tintura de genciana 100,00. Gotas amargas de Beaumé 100,00. Extrato de fel de boi 100,00. Eis o que são os rapazes”. – Carmen

“Oceano revolto e traiçoeiro: Eu, o quero muito: ele lá e eu aqui pelas alterosas”. – Alice

“Entes de quem tudo adquirimos a troco de um sorriso”. – Adélia

“Pássaros ariscos que só com muito jeito conseguimos prendê-los e domesticar”. – Zilda

“Enigma que me faz doer a cabeça para decifrá-lo em vão”. – Anália

“Criaturas paradoxais, capazes de todo bem e de todo o mal”. – Marieta

“Seres de definição impossível, porque quanto mais estudo, menos entendo”. – Edite

“A pedra filosofal das moças”. – Candinha

“Que merecem toda nossa distinção e simpatia”. – Alzira

“Não entendo essas figuras enigmáticas”. – América

“Precisava tantos adjetivos bombasticamente doces para defini-los, que não me atrevo”. – Noraldina

“Droga amargosa que a gente toma para não morrer... solteira”. – Dalca

“Boas criaturas. Entretanto, desconhecem a sinceridade”. – Léa

“Todos criaturas fingidas; nenhum, porém, amável como ‘Ele’”. – Jurací

“Não sei defini-los”. – Inhana