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SUPERAÇÃO

Deficiência não foi empecilho para que Zé Neca se tornasse um dos veterinários mais reconhecidos de Arcos

Há 28 anos, ele abriu a primeira clínica veterinária da cidade

Publicada em: 08 de junho de 2017 às 09h08
Superação
Deficiência não foi empecilho para que Zé Neca se tornasse um dos veterinários mais reconhecidos de Arcos

Zé Neca é um dos médicos veterinários mais respeitados em Arcos

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 03/06/2017)

A palavra “superação”, de acordo com informação do site QueConceito, pode ser compreendida como o vencimento de um obstáculo ou dificuldade, ou também como uma melhora que ocorreu na atividade que cada pessoa desenvolve.

Uma pessoa que tem uma deficiência física, por exemplo, e decide que não vai ficar em casa vendo o tempo passar, mas, ao contrário, vai seguir a vida e enfrentar os obstáculos, é exemplo de superação. Pessoas com essa determinação tornam-se protagonistas de suas próprias histórias, geralmente por meio de estudo e trabalho.

O Jornal CCO, a partir desta edição, publicará periodicamente histórias de moradores de Arcos que já passaram por grandes dificuldades e conseguiram superar, de modo a se tornarem referências de superação para toda a população arcoense.

Nesta primeira edição, o entrevistado é o médico veterinário José Aparecido da Silva (“Zé Neca”), que exerce a profissão há 29 anos, tendo o reconhecimento pelo excelente trabalho que desenvolve, mesmo sem o braço direito.

Zé Neca tem 60 anos, é casado com a orientadora pedagógica Maria da Glória Teixeira e o casal tem dois filhos. Gabriel Teixeira Alves e Silva, de 22 anos, estuda Medicina Veterinária e pretende seguir os mesmos passos do pai. Felipe Teixeira Alves e Silva, de 20 anos, pretende cursar Medicina.

Zé Neca relata que, quando criança, morava em uma fazenda no Município de Arcos e sempre ajudou seu pai, que era retireiro e lavrador, nos serviços da fazenda. Um dia, ao ajudá-lo, uma máquina que eles utilizavam para o serviço “puxou” seu braço, que no momento estava fechado, fazendo com que ele todo fosse arrancado pela máquina. O acidente aconteceu em 24 de setembro de 1970, quando ele tinha 13 anos de idade.

Zé Neca afirma que não teve dificuldades para enfrentar a situação: “Foi uma época de menino, então eu nunca pensei que eu estivesse sem braço, que faltasse um braço”, comenta.

Depois de um tempo, ele veio morar na cidade com outra família, o casal Moacir Dias de Carvalho (cirurgião-dentista) e a pedagoga Célia Paraíso Dias de Carvalho. Eles cuidaram dele e ajudaram nos estudos. Passados alguns anos, o jovem decidiu estudar Medicina Veterinária. O amor pela veterinária surgiu em função do trabalho na roça, onde também lidava com animais.

Zé Neca ingressou na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em 1983 e finalizou em 1988. Desde então, há 29 anos, iniciou sua carreira como médico veterinário, realizando cirurgias e exames em animais de grande e pequeno porte. “Eu nunca tive dificuldade em fazer nada, inclusive estou agora terminando uma cirurgia de cesariana em uma cadela”, comentou.

 

“No trabalho que eu faço no asilo, eu vejo Deus nessas pessoas; e como eu vejo isso e tenho essa fé, é ela que me faz superar”, comenta Zé Neca.

 

A Veterinária São Francisco de Assis foi a primeira clínica do setor a ser aberta em Arcos, há 28 anos, inicialmente localizada na rua Getúlio Vargas, em sociedade com Albani. Logo em seguida foram para a rua Jarbas Ferreira Pires, onde ficaram por 20 anos. Há seis anos funciona em imóvel próprio, na rua Joaquim Murtinho n° 551, centro da cidade.

 

Serviços voluntários e o trabalho como vereador

Zé Neca também atuou quatro anos como vereador, na gestão 2009/2012. Uma das suas principais atividades foi ajudar a Pousada dos Berto, e hoje continua visitando pelo menos duas vezes na semana e realizando trabalhos voluntários em benefício dos internos. Às quintas-feiras, ele leva um ou dois idosos para passear, geralmente em festas de família.

Zé Neca ressalta a importância de prestar esses serviços, pelo contraste do pequeno número de pessoas que ajudam e do grande número dos que precisam: “Lá tem 45 ou quase 50 pessoas que precisam praticamente 90% de alguém para auxiliar em alguma coisa. Gente que precisa conversar, gente que às vezes tem família que vai lá e põe lá e não vai mais, nem para olhar ou para saber como que está”.

Por ser um grande exemplo de superação, Zé Neca deixa uma mensagem de ânimo para todas aquelas pessoas que enfrentam situações semelhantes ou passam por alguma dificuldade. “Eu acho que a única coisa que nós temos que ter é fé. Eu não tenho aquela fé de fanatismo. Acho que Deus está presente nas pessoas. No trabalho que eu faço no asilo, eu vejo Deus nessas pessoas; e como eu vejo isso e tenho essa fé, é ela que me faz superar. Eu não me vejo como uma pessoa deficiente. Então, eu tenho facilidade de enxergar essas coisas, eu enxergo Deus nas pessoas que têm esse sofrimento. Dentro da fé existe o amor, e se você tem amor você consegue superar qualquer coisa. Acho que o mais importante é você amar, amar a vida e amar as pessoas”, aconselha.