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Depressão: sintomas, relação com as redes sociais e as consequências

“A vida real está sendo substituída pela imagem de uma vida perfeita”, o que tem afetado principalmente os jovens

Publicada em: 18 de setembro de 2019 às 10h36
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(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 14/09/2019) - Edição 2018

A depressão é uma das principais causas de incapacidade em todo mundo e, em muitas vezes, leva à perda de sentido da vida, o que pode ter consequências fatais. Globalmente, estima-se que 300 milhões de pessoas são afetadas por esse transtorno.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), também são transtornos mentais: a esquizofrenia e outras psicoses, o transtorno afetivo bipolar, a demência, deficiência intelectual e os transtornos de desenvolvimento, incluindo o autismo.

Para falar sobre depressão, o Jornal e Portal CCO entrevistou a psicóloga Josiane Lacerda Rodrigues. Segundo a profissional, existem vários fatores que podem desencadeá-la: histórico familiar (alguns casos são fatores genéticos); transtornos psiquiátricos correlatos; estresse crônico; ansiedade crônica; disfunções hormonais; excesso de peso; sedentarismo e dieta desregrada; vícios (cigarro, álcool e drogas ilícitas); luto em relação a perdas de pessoas significativas; desemprego ou situação financeira complexa.
A depressão pode se manifestar de diferentes formas, a exemplo da falta de ânimo para atividades cotidianas como escovar os dentes e tomar banho. A pessoa começa com o isolamento social e o desânimo recorrente, podendo agravar, caso não busque tratamento. “O importante é que os familiares fiquem atentos à mudança de comportamento e ao humor, bem como outros sintomas como pensamentos de morte e suicídio”, comentou.

Josiane Lacerda citou outros sintomas que devem ser observados: tristeza profunda, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, perda de interesse em atividades que antes a pessoa apreciava, mudança de apetite, ganho ou perda de peso, insônia, dormir em excesso, perda de energia ou fadiga acentuada.

 

Jovens e redes sociais

Um estudo da University College London apontou que 38% dos adolescentes que passam mais de cinco horas por dia nas contas virtuais mostraram sinais de depressão. O relato da pesquisa foi feito pelo site Folha de São Paulo, no dia 24 de junho de 2019. Segundo a OMS, o autoextermínio é a segunda principal causa de morte entre os jovens com idade entre 15 e 29 anos.

Para a psicóloga, esses dados mostram que o fenômeno das redes sociais está afetando uma sociedade que podemos chamar de ‘Sociedade da imagem e do cansaço’. “Com o desejo de ser ‘feliz’ e comparando-se a todo momento, as pessoas se diminuem querendo sempre ser mais e mais, não levando em conta suas falhas e dificuldades”, explicou. Segundo Josiane Lacerda, está ocorrendo um crescente modismo para que as pessoas precisem estar sempre bem, buscando padrões sociais aceitáveis e de alto desempenho. Com isso, a vida real está sendo substituída pela imagem de uma vida perfeita e repleta de controles, sendo que não é possível controlar todas as situações. Nas redes sociais as pessoas estão sempre em busca de um ideal de perfeição e isso tem afetado muito os jovens.

 

“Esteja atento para a hora certa de ajudar e não negligencie os pedidos de ajuda sutis de cada pessoa que passa por você”.

 

Tratamentos – A psicóloga comentou que os sintomas da depressão devem ser observados pelas pessoas próximas, para que se possa ajudar a pessoa ou abrir uma escuta amiga para encorajá-la a procurar um médico ou psicólogo.

Como profissional, Josiane Lacerda orienta que os tratamentos psiquiátrico e psicológico são imprescindíveis, porque é necessário tratar a depressão clinicamente. Ela também fez um alerta a respeito da automedicação. “Algumas pessoas se automedicam por vergonha de procurar um profissional da área ou até mesmo buscam outras formas de tratamento como uma possível solução, tais como naturais ou espirituais. Claro que podem agregar ao tratamento, mas a busca de profissionais capacitados pode realmente dar sentido e direção ao tratamento”.

Algumas atividades podem ser incluídas para apoiar o tratamento, a exemplo da prática de esporte, a religião como uma forma de apoio, viagens e leituras. Ao concluir a entrevista, Josiane enfatizou que a família é um dos principais agentes desse processo, porque pode ser berço de amor e dedicação para o cuidado e a recuperação da pessoa. “Muitas vezes, com a vida corrida e sem muito tempo para conversas, deixamos de olhar para as pessoas com amor e respeito. Podemos fazer a diferença na vida das pessoas com uma palavra, um gesto e uma ajuda. O encorajamento para a busca de tratamento é de grande importância. Esteja atento para a hora certa de ajudar e não negligencie os pedidos de ajuda sutis de cada pessoa que passa por você”.