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Dicas para quem quer empreender ou mudar de ramo

Publicada em: 14 de maio de 2021 às 15h22
Arcos
Economia
Entrevistas

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 08/05/2021) - Edição 2101

As medidas restritivas para o funcionamento das atividades de comércio e serviços, em virtude da pandemia, têm prejudicado principalmenteos pequenos empreendedores, o que gera desemprego e afeta a economia de maneira geral.

Não há como negar que a atual fase acaba desmotivando os investimentos. A Assessoria do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em Minas divulgou, na última terça-feira, 13, que o número de pequenos negócios abertos em Minas Gerais no mês de março caiu 24% em relação ao mesmo mês do ano passado. Também foi informado que a abertura de pequenos negócios este ano já apresenta uma retração de 2,52% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

Quanto aos Negócios que foram fechados, a grande maioria, 98%, são Microempreendedores Individuais (MEIs) e Microempresas (MEs). Os MEIs também são a maioria (82%) entre os pequenos negócios abertos neste ano.

O que fazer diante deste contexto, que prejudica pequenos empresários e trabalhadores, gerando desemprego e inadimplência? Quais as orientações para quem precisa mudar de ramo, por estar em um setor que não tem alternativas no momento, em virtude das normas dos decretos municipais? E quais são as dicas para quem está desempregado e deseja empreender?

Para abordar o tema, o CCO entrevistou a gestora financeira/especialista em Gestão de Negócios,Ana Paula Silva,arcoense, que é analista do Sebrae na região de Formiga, atendendo a 15 Municípios no entorno. Leia na sequência:

 

“O mundo não acabou”

“A pandemia, de fato, colocou o mundo em uma das principais crises econômicas dos últimos tempos, mas também abre portas para o surgimento de novos negócios”, diz Ana Paula, acrescentando que quem deseja mudar de empreendimento ou abrir um novo negócio pode, sim, enfrentar algumas dificuldades para se manter e crescer. Contudo, isso não significa que é hora de se recolher e desistir. “É importante entender que o mundo não acabou e que, por mais que o trabalho digital tenha sido ampliado, as relações pessoais continuam. [...] Quero deixar bem claro que o futuro é de humanos [relações presenciais] e que, por mais que a digitalização esteja presente, as necessidades humanas ainda sobressaem. Esse é o primeiro ponto a se analisar”.

A primeira dica da analista é que o empreendedor deve conhecer cada vez mais o seu cliente. Testar a aceitação do produto ou serviço antes de investir também é essencial. “Antes de investir em algum novo negócio, faça testes e converse com seus clientes sobre essa nova ideia, para que, de fato, você consiga configurar-se nessa nova realidade dos seus clientes”.

Para quem já é empreendedor e deseja mudar de ramo ou para quem deseja se tornar empreendedor, a busca de parcerias é essencial. É importante estar integrado às redes de parceiros que fomentam o empreendedorismo na cidade. “Não existe processo de inovação sem colaboração; e se o empreendedor não faz parte de nenhuma rede de empreendedores, é importante se associar, estar perto do coletivo, porque o coletivo traz união, força e ajuda a impulsionar formas de trabalhos alternativas. Até o vírus trabalha em rede e o ser humano ainda não aprendeu a trabalhar no espírito da colaboração”, comenta.

Para quem está iniciando um empreendimento novo ou já tem um empreendimento e enfrenta dificuldades, mas quer permanecer no mercado, é preciso estar atento à gestão. “Desde o início, preste atenção no fluxo de caixa, nos orçamentos, considere as metas, os resultados, renegocie com fornecedores e crie condições de sustentabilidade”, orienta.

 

“Um negócio só tem validade se ele é útil para alguém”

Que tipo de empreendimento não encontramos em Arcos atualmente e que teria público no Município, para absorver a oferta de produtos ou serviços”? Antes de investir em um empreendimento, é importante realizar uma “pesquisa de mercado”, com a finalidade de saber se o produto ou serviço é realmente necessário na cidade. Você pode recorrer às redes sociais para “testar” a aceitação do produto ou serviço. “Por exemplo: antes de abrir um empreendimento no mercado de alimentação, entender como é o processo de alimentação durante essa pandemia é fundamental; e também entender quais são os principais desafios que as pessoas encontram, como é o dia a dia delas, quais são as metas delas com a alimentação, enfim, como elas entendem alimentação. Sempre pensar no histórico do cliente: Quem ele é? Do que ele sente falta? ”.

Nem sempre é necessário um grande investimento para obter retorno. A analista fala sobre a importância de se ter um olhar atento às “coisas simples”. “É preciso saber o que faz falta no dia a dia das pessoas. É extremamente importante entender que um negócio só tem validade se ele é útil para alguém. É importante o empresário entender qual é esse mercado e qual é o tamanho dele. Quanto mais pessoas existem nesse volume, maior é a possibilidade de rentabilidade. Não precisamos criar produtos que são totalmente diferentes e inovadores. As coisas simples do dia a dia ainda continuam prevalecendo”.

 

Orientação de negócios gratuita, pelo Sebrae – Segundo a analista Ana Paula Silva, o Sebrae disponibilizada orientação de negócios gratuitamente, para quem quer iniciar um empreendimento ou mudar de ramo. “Podemos fazer essas orientações de forma on-line. Basta você acessar o Portal do Sebrae, onde terá uma orientação sobre questões de negócios. Estamos com várias soluções de apoio ao empresário durante este momento”.

 

Devo recorrer a financiamento, correndo o risco de ficar inadimplente se o negócio não der certo?

Diante desse questionamento, a analista responde: “Empreender é sempre um risco, mas existem ferramentas que podem nos ajudar a minimizar esses riscos. Não existe um momento adequado para empreender. Se a oportunidade de negócio é interessante e você já conseguiu testar e ver que é possível colocar o produto [ou serviço] no mercado, vale a pena buscar recursos de terceiros, inclusive porque você divide o risco”.

A analista comenta que a inadimplência acaba acontecendo em qualquer momento, não apenas em situações de crise. “E o negócio pode ou não dar certo, independente da crise. O que vai determinar isso é a forma de como você está abrindo ou conduzindo esse negócio”, enfatiza e sugere que o produto ou serviço seja testado antes no mercado, sem custos ou com o mínimo possível de custos possível. Após esse teste, se for verificada a viabilidade, aí sim, é possível recorrer ao sistema financeiro.

 

Que cursos devo fazer e como otimizar meu tempo livre?

O tempo livre deve ser aproveitado para capacitação. Quem deseja abrir um negócio e também quem já está no mercado deve fazer cursos sobre empreendedorismo, modelos de negócios, comportamento do consumidor e outros. Outra dica é utilizar a rede social para aprendizado, seguindo redes empreendedoras, profissionais e instituições que fomentam o empreendedorismo. “Utilize a Internet para se conectar com essas pessoas e pedir opiniões. Tem muitas que oferecem mentorias gratuitas neste momento”, orienta Ana Paula.

 

Colaboradores devem ser entendidos como parte da família

Outra dica da analista Ana Paula para que seu negócio dê certo – mesmo no cenário de pandemia – é estar atento aos colaboradores. “Cuidar dos colaboradores é um fator muito importante. Eles devem ser entendidos como parte da família e eles precisam de apoio neste momento, para encontrarem saídas para trazerem resultados mais positivos para o negócio”.

Também é preciso pensar na transformação da cultura para o seu negócio, assim como na transformação dos colaboradores. É preciso refletir: “O que você pode fazer para facilitar e agilizar o processo do seu trabalho e não ficar tão burocrático e demorando? Temos visto muitas opções de delivery e de drive-thru. É importante que seja avaliado qual é o menor tempo que você consegue fazer isso, que seus colaboradores estejam adaptados, que tenha o mínimo de uma programação”.

Nesse processo de total empenho para que o empreendimento dê certo, é importante tomar decisões pontuais. “Se você parar no meio do caminho, de fato fica mais complicado para você, que tem um negócio, salvá-lo”. Os empreendedores que desejam mudar de ramo ou criar um empreendimento também devem agir, depois de analisar a situação. “Não irão evoluir se não começarem a testar [o produto ou serviço a ser lançado]”, orienta.

 

Nossa entrevistada, Ana Paula Silva, é gestora financeira pelo IFMG/Formiga e tem MBA em Gestão de Negócios pela USP. É analista de Negócios do Sebrae Minas.