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Dificuldades de transferências de pacientes do Hospital São José para a Santa Casa de Arcos

Apenas três médicos estão atendendo de ‘sobreaviso’ na Santa Casa de Arcos; seriam necessários no mínimo quatro

Publicada em: 08 de setembro de 2017 às 10h14
Saúde
Dificuldades de transferências de pacientes do Hospital São José para a Santa Casa de Arcos

Gerente da Santa Casa de Arcos, Roberto Miranda

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 12/08/2017) - Edição 1908

 

Durante entrevista coletiva concedida pelo prefeito de Arcos e secretário municipal de Saúde, no dia 26 de julho, houve questionamentos sobre a dificuldade de transferência de pacientes do Hospital São José para a Santa Casa de Arcos, que recebe subvenção da Prefeitura. Neste ano já foram repassados R$ 1 milhão e 200 mil (R$ 1.200.000,00).

O secretário de Saúde, Vicente Reginaldo, informou que estão sendo realizadas reuniões com a diretoria da Santa Casa, para regularizar essa situação. Segundo o prefeito Denilson Teixeira, foi exigido que a Santa Casa apresentasse um plano de trabalho. Denilson ressaltou que o Município é responsável pelo Pronto Atendimento 24 horas, “mas faz mais do que isso”.

Em entrevista ao CCO no dia 4 de agosto, o gerente administrativo e financeiro da Santa Casa, Roberto Miranda, afirmou: “A Santa Casa não dificulta nenhuma internação e nenhuma transferência de pacientes do Hospital São José”. O gerente argumentou que o paciente só não é recebido quando há o entendimento entre o médico que está na Santa Casa e o médico que atendeu o paciente no Hospital São José, e conclui-se que a Santa Casa não tem condição de receber o paciente devido à sua enfermidade ou que não há necessidade de internação.
No entanto, diante de uma pergunta do CCO, Roberto Miranda também comentou sobre a dificuldade da Santa Casa em conseguir médicos para cumprirem o sobreaviso.

Atualmente, apenas três médicos realizam esse serviço na Santa Casa de Arcos.  “Sobreaviso médico” é o termo usado para se referir à circunstância em que o médico que interna os pacientes fica à disposição para atendimento dos mesmos durante a internação, quando necessário. Para isso, ele precisa ficar disponível 24 horas para atendimento ao paciente do SUS (Sistema Único de Saúde). Não pode sair da cidade. Tem que estar preparado para ser chamado a qualquer momento.

O número restrito de médicos que se disponibilizam a cumprir o sobreaviso é justificado pelo valor pago, que é considerado relativamente baixo para a classe (R$400,00 para 24 horas), segundo informação do gerente. “Atualmente, a Santa Casa de Arcos tem apenas três médicos que atendem de sobreaviso.  Eles abraçam a causa e nos ajudam muito”, comenta o gerente. Contudo, seriam necessários, no mínimo, quatro.

Já o médico que fica no hospital é o “plantonista”. Atualmente, segundo o gerente do hospital, apenas dois médicos do corpo clínico dão plantão e os demais são contratados fora do corpo clínico.

 

Déficit mensal da Santa Casa supera os R$130 mil

 

O gerente administrativo e financeiro da Santa Casa ressaltou que todas as Santas Casas e Hospitais Filantrópicos no Brasil estão deficitários, por terem que atender ao SUS (Sistema Único de Saúde), que tem a finalidade de atender a todos os brasileiros.

O fato é que, segundo Roberto Miranda, quando o SUS foi criado, em 1990, era repassado às Santas Casas e aos hospitais filantrópicos o valor de 100% dos custos com os atendimentos aos pacientes. A partir do segundo ano de sua criação, já não reajustaram as tabelas no mesmo percentual que a inflação.

Segundo Roberto Miranda, a Santa Casa de Arcos, para continuar tendo a filantropia, deve ter 60% de suas internações pelo SUS. A unidade tem pactuado [estabelecido] com o SUS o atendimento de 166 Autorizações para Internamento Hospitalar (AIHs) e recebe o valor de R$100.679,71 por mês. Porém, o SUS paga em torno de 42,72% dos custos desses atendimentos. Então, para receber o valor acima citado, a Santa Casa tem de gastar R$235.673,47 por mês, ficando um déficit de R$134.993,76 todo mês.

A unidade de saúde deve, em longo prazo (porque empréstimos bancários estão incluídos na dívida), cerca de R$2 milhões e 100 mil reais (R$ 2.100.000,00). A última prestação de empréstimos será em agosto de 2019.

A diferença, até meados de 2014, era suprida com os ganhos em atendimentos particulares e convênios. A partir de então, de acordo com informações da gerência da Santa Casa, esses atendimentos decresceram bastante, devido à crise financeira do Brasil. “A maioria do pessoal está deixando de procurar atendimento particular e convênios e correndo atrás do SUS. Ou seja, não estamos tendo mais de onde tirar essa diferença para cobrir. A Santa Casa de Arcos fica com o déficit ainda maior, porque não atende só os pacientes “AIH” [Autorização para Internamento Hospitalar], pactuados com o SUS, atende mensalmente mais que isso”, afirma o gerente.

Ao considerar as internações pelo SUS, em maio foram feitas 213; em junho foram 177 e em julho, 212, segundo foi relatado ao CCO pelo gerente da unidade. O número pactuado é 166.