AACD Teleton

Dr. Antônio Carlos Silva esclarece dúvidas sobre o uso do álcool 70% e da máscara facial

Publicada em: 01 de agosto de 2020 às 08h00
Arcos
Saúde
Entrevistas

(Matéria publicada pelo Jornal CCO impresso em 25/07/2020) - Edição 2061

Em artigos e vídeos, alguns médicos têm se posicionado e apresentado opiniões sobre o uso da máscara facial e do álcool, em prevenção o coronavírus. Em alguns desses casos, estão dizendo que o uso em excesso do álcool em gel pode prejudicar a saúde, “tendo em vista que ele mata as bactérias ruins e boas, abrindo assim mais espaço para os vírus agirem”. Em outros casos, médicos se manifestam contra o uso da máscara, enquanto outros já são a favor de ambas as formas de prevenção.

Diante de tanta informação e de muitas mudanças nas pesquisas científicas em relação à Covid-19, a população acaba sem saber em que acreditar. Para abordar o tema, o Jornal CCO entrevistou o médico Antônio Carlos Silva, que é pediatra e neonatologista.

Perguntamos ao médico se realmente o uso de álcool 70% e de sabão mata as bactérias boas e ruins do corpo e se isso é prejudicial à saúde. Ele explicou: “Ao fazer a limpeza das mãos, eliminamos os micro-organismos prejudiciais e benéficos à pele. Mas estes últimos estão também nas camadas mais profundas da derme e, imediatamente, voltam a colonizar a camada superficial da pele. Então, não faz mal higienizar demais as mãos”. Ele comentou que o maior problema está na utilização de produtos antimicrobianos, como o antibiótico, que pode causar problemas na flora bacteriana das mãos.

Segundo Dr. Antônio Carlos, a higienização deve ser feita sempre que as pessoas tiverem contato com secreções ou superfícies potencialmente contaminadas, antes de tocar na boca, nos olhos e nos alimentos. “Um médico, por exemplo, tem de higienizar as mãos antes e depois de todo atendimento. Uma pessoa que manipula alimentos tem de higienizar bem as mãos antes de tocar nos alimentos”, comentou. Ele ressaltou que é necessário passar o álcool 70% em todos os objetos pessoais, em móveis e fechaduras de lugares públicos e em locais de muito contato com as mãos. As mãos devem ser lavadas quando você chegar em casa, antes de tocar em outros objetos. Jamais se deve substituir a higienização das mãos pelo uso de luvas, pois com a mesma luva a pessoa vai pegar e tocar em várias outras coisas.

 

“[...] O uso de máscaras caseiras pela população em geral pode causar uma falsa sensação de proteção. A recomendação é que as pessoas façam o uso correto da máscara caseira, por exemplo: não compartilhá-la com familiares, não tocar o rosto depois de colocá-la e fazer a sua limpeza conforme orientação do Ministério da Saúde”

Quanto às máscaras, alguns médicos têm se posicionado contra, alegando que a maioria das pessoas as utiliza de forma incorreta, o que acaba contribuindo para a contaminação. “Pessoas que usarem máscaras vão aumentar o risco de se contaminarem e de não se protegerem. A preocupação é fazer a higiene de mãos e não tocar o rosto. Quem usa máscara acaba relaxando nesses cuidados e se contaminando mais, porque fica ajeitando a máscara para cima e para baixo, aumentando o contato com o nariz, os olhos e a boca” — explicou Cláudio Stadnik, infectologista, em entrevista ao site Gaúcha ZH.

Perguntamos ao Dr. Antônio Carlos qual a opinião dele sobre essa questão. Ele disse que o ideal seria que todos usassem uma máscara descartável eficaz e que ela fosse trocada frequentemente, mas isso não é possível nem para os profissionais de saúde. Segundo ele, a recomendação atual da OMS (Organização Mundial da Saúde) é para que todos usem máscara como uma proteção coletiva. O médico também ressaltou que, conforme dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, a máscara é capaz de reter grande parte das gotículas expedidas no espirro, tosse ou fala, por isso, diminui significativamente os riscos de transmissão do novo Coronavírus.

“Do ponto de vista de proteção individual, não há informações suficientes sobre a eficácia da máscara caseira, no contexto da pandemia da Covid-19. É importante ressaltar que o uso de máscaras caseiras pela população em geral pode causar uma falsa sensação de proteção. A recomendação é que as pessoas façam o uso correto da máscara caseira, por exemplo: não a compartilhar com familiares, não tocar o rosto depois de colocá-la e fazer a sua limpeza conforme orientação do Ministério da Saúde”, explicou.

 

Medicamentos

Ao final da entrevista, perguntamos ao médico se ele tem receitado algum medicamento para aumento da imunidade de seus pacientes. Dr. Antônio Carlos Silva disse que não tem receitado, porque ainda não existe nada que prove a eficácia de algum medicamento para prevenção da doença do novo Coronavírus. “Minha recomendação é que a pessoa se proteja com máscara, evite aglomerações, mantenha o distanciamento social, faça a higiene das mãos e tenha hábitos saudáveis como dormir e alimentar-se bem. O impacto emocional desta pandemia na população está gerando grande ansiedade e frequentes casos de automedicação. É importante que as pessoas compreendam que somente os médicos têm condições de avaliar se alguma medicação deve ou não ser administrada”, orienta.